CE (Comunidade Europeia) – Portugal
No entanto, se repararmos nos lucros da banca, das petrolíferas, das grandes seguradoras sentimo-nos amesquinhados e esquecidos. Tantos milhões para uns e tão poucas migalhas para outros.
Pergunto se a Comunidade Europeia, com todos os países que a compõem, alguns considerados potências mundiais pertencentes ao G8, não tem poder para por cobro a este aumento desenfreado dos preços do petróleo. Será que as petrolíferas têm assim tanto poder que, independentemente das taxas elevadas dos impostos cobrados em cada um dos países e principalmente em Portugal ainda conseguem auferir lucros atentatórios para a pobreza do nosso povo?
Os países produtores de petróleo dizem que a culpa destes sucessivos aumentos é dos impostos existentes nos países importadores, mas recusam-se a aumentar as suas cotas de produção.
Nesta luta de vontades e interesses políticos, quem paga é quem menos pode: os pescadores, os camionistas, os taxistas, o povo anónimo que tem de utilizar o seu automóvel por não dispor de outro meio de transporte na região onde vive, por exemplo, no interior do país, os que têm de pagar os bilhetes dos transportes públicos todos os dias nas suas deslocações para o trabalho e que todos os dias fazem contas para ver se o dinheiro chega até ao fim do mês.
Parece uma visão catastrófica da realidade mas, infelizmente, não é. Já se poupa na comida e são cada vez mais aqueles que têm de o fazer. De quem será a culpa desta situação que agora vivemos? Da crise imobiliária nos Estados Unidos da América? Dos fenómenos naturais que tantas vidas têm ceifado? Dos nossos governantes que parecem fechar os olhos aos problemas sociais?
A solução passaria por ser a Comunidade Europeia a negociar a compra directamente com a OPEP, acabando com os intermediários.
Se as petrolíferas baixassem a sua margem de lucro e fizessem como os grandes hipermercados, certamente os combustíveis ficariam mais baratos. Se os impostos sobre os derivados do petróleo baixassem o povo pagaria menos e consumiria mais. Mais consumo implicaria maior riqueza e um maior desenvolvimento. Parece-me muito simples esta fórmula; só não entendo as razões que levam à sua não aplicação.
Marcolino Cepeda

