Lobos
Há já muito tempo se torna imperativa a defesa da vida no nosso Planeta e, infelizmente, só agora começamos a dar os primeiros passos conscientes e responsáveis, não apenas uma pequena minoria, mas já um número significativo de pessoas. Desafortunadamente para algumas espécies da flora e da fauna mundiais já é tarde, mas ainda vamos a tempo de salvar as que ainda por cá se mantêm.
Como portugueses devemos começar a trabalhar perto de casa já que cerca de 40% das espécies existentes em toda a União Europeia vivem na Península Ibérica.
Atentados à vida no planeta como o aumento assustador da poluição, os incêndios florestais, o abate sistemático e indiscriminado de árvores, a caça excessiva, clandestina e desordenada, a introdução de espécies não autóctones, a degradação dos habitats naturais e o alastramento das zonas urbanas contribuem, significativamente, para pôr em perigo de extinção os seres vivos próprios desta zona do mundo.
O ser humano, desde sempre, sentiu a necessidade de se proteger dos predadores o que talvez tenha contribuído para este medo incompreensível e involuntário que todos sentimos quando se fala, por exemplo, nos lobos. No entanto, esse não é o único problema. Os temores são maiores quando se pensa nos estragos que estes animais podem causar aos animais domésticos. Estas duas condições conjugadas fizeram com que se perseguisse o lobo de tal forma que a sua população está a descair de forma assustadora.
Todos compreendemos que não existe no mundo nenhum agricultor que goste de perder ovelhas, cabras e outros animais para estes predadores. É lógico e natural que assim seja. O que não é natural é que se queira acabar com esta espécie e que para isso se utilizem todos os meios ao alcance sem se medirem consequências. O equilíbrio faz-se com todas as espécies perfeitamente distribuídas e enquadradas no seu habitat natural.
Antes de se matarem os lobos é necessário saber porque razão atacam os animais domésticos em alguns locais e noutros não o fazem. Não será porque não têm presas em número suficiente? Lá está a caça excessiva… lá está a destruição do habitat natural…
Outra solução será criar zonas de alimentação onde, em períodos difíceis como o Inverno, os lobos tenham alimento suficiente de maneira a não necessitarem de atacar os animais domésticos dos nossos agricultores que tantos sacrifícios fazem no seu agreste dia a dia. Os matadouros e os agricultores podem desempenhar um importante papel na criação destas áreas doando animais domésticos mortos. Claro que essa contribuição terá de ser sistematizada. Não pode ser esporádica ou pontual.
Se mesmo assim houver ataques de lobos a animais domésticos, obviamente os prejuízos causados deveram ser pagos pelo governo a tempo e horas e pelo seu justo valor.
Para além do atrás referido, compete aos agricultores contribuir para a protecção dos seus animais recolhendo-os convenientemente durante a noite, já que é durante esse período que os lobos caçam.
Estou convencido que se todos colaborarmos poderemos conservar esta e outras espécies como o lince ibérico que se alimenta, quase exclusivamente, de coelhos bravos.
Felizmente há um Dia do Ambiente. Que este dia, se outro mérito não tiver, sirva para nos recordar que não estamos sozinhos neste planeta e que todos precisamos de todos. Esta cadeia não se pode fracturar. O mundo foi criando com todas as peças perfeitamente conjugadas e organizadas, onde a ausência da mais pequena das engrenagens pode deitar a perder toda a harmonia que nos foi dada gratuitamente e que nós insistimos em desbaratar.
Marcolino Cepeda

