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“Direcção do Parque é demasiado perigosa”

“Direcção do Parque é demasiado perigosa”
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  • 11 de Junho de 2008, 10:46

Jornal NORDESTE (JN) – Para quando a inauguração do Centro de Interpretação do Parque de Montesinho/Delegação de Vinhais?
Américo Pereira (AP) – A obra está praticamente pronta e dentro do prazo. Custa cerca de 500.000 euros e o contrato que celebramos com o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) assenta em 3 cláusulas importantes: a primeira estabelece que o dono da obra é a Câmara de Vinhais, a segunda que quem paga é a Câmara e em terceiro, como contrapartida, o Parque ou o ICNB coloca aqui pessoal suficiente para o Centro funcionar, número que, na altura, fixamos em não menos que dez pessoas.
Quando o ICNB cumprir a parte que assumiu, a obra será inaugurada, o que espero que venha a acontecer quanto antes.

JN – Ficou satisfeito com a decisão do Conselho de Ministros sobre o Plano de Ordenamento do Parque?
AP – O que aconteceu é que o Governo não aceitou os condicionantes e limitações que os dirigentes do Parque propuseram, o que veio ao encontro daquilo que sempre defendemos.
Recordo que o Plano de Ordenamento é a lei que regulamenta, que proíbe e que autoriza o que se pode e não pode fazer nos territórios do Parque. É um documento importantíssimo que mexe com o dia a dia das populações aí residentes. Assim sendo, e porque nos apercebemos que esse documento prejudicava a vida das pessoas, nomeadamente todos os agricultores e que não defendia o ambiente e a natureza, desde sempre estivemos contra, bem assim como toda a população, e disso demos conta ao Governo.

JN – Parece-lhe, então, que o Governo não apoia a política do ICNB?
AP – O presidente do ICNB foi recentemente substituído, mas era público e notório que, quer o Ministério do Ambiente, quer o Primeiro-Ministro, não defendiam as posições do ICNB. Tanto assim era que o Governo chumbou o proposto pelo ICNB, para bem de todos e principalmente do território e da região.
Aliás, aproveito para lembrar que os próprios dirigentes distritais do PS, na pessoa do deputado Mota Andrade, sempre estiveram ao nosso lado e afirmaram-no publicamente, inclusive nos jornais.

JN – Mas se o que queriam evitar está conseguido (ver caixa), porque pediu recentemente a demissão da direcção do Parque de Montesinho?
AP – Não há outra saída. A direcção do Parque de Montesinho está em Braga, quem a nomeou ou se demitiu ou foi demitido, e o que esta direcção apresentou ao Governo não foi aceite. Perante isto, é óbvio que as suas políticas não servem.
Não acredito que esta filosofia e figurino da direcção do Parque de Montesinho se aguente muito tempo. É demasiado perigosa e ofensiva dos interesses locais ou nacionais e destrói o ambiente.

JN – Quais são os principais pontos de discórdia em matéria de ordenamento do Parque?
AP – Primeiro ponto importantíssimo, porque não estou a ver como é possível gerir um território sem que os donos desses terrenos tenham uma palavra: as Juntas de Freguesia, em representação das populações, e as Câmaras têm que voltar a pertencer ao Conselho Directivo do Parque, tal como aconteceu até há pouco tempo. Já imaginou a situação de ser alguém em Braga que vai dizer se um agricultor de Moimenta, por exemplo, pode plantar castanheiros ou freixos numa terra ou num lameiro, do qual é legítimo dono, porque a herdou ou a comprou com o suor do seu rosto? Pois olhe que isto está a acontecer e é inaceitável. Segundo ponto: o plano de ordenamento só pode existir se aprovado pela Assembleia Municipal, órgão representativo de todo o concelho, e em terceiro há que perceber de uma vez por todas que desenvolvimento, bem-estar e viver no território com conservação de natureza é perfeitamente conciliável. Aliás, o plano que o ICNB propõe e na parte em que foi chumbado, segundo tive conhecimento, convida todo ele ao abandono das terras e à desertificação. Ora, antes do Parque existir como instituição já ali vivíamos e não entendo como se pode defender a natureza num território sem pessoas.
O plano propõe-nos um modelo ideal para duas coisas: incêndios e caçadores furtivos. Penso que ninguém quer isto.

JN: O relacionamento com o Parque está, assim, comprometido?
AP: Com o Parque não, porque o Parque somos nós, as pessoas, os nossos terrenos que têm dono e os funcionários que nenhuma culpa têm das posições dos seus dirigentes. A divergência é com a direcção, com o Departamento das Áreas Protegidas do Norte.

JN: Sei que apresentou uma candidatura para a ligação Vinhais – Espanha. Não teme uma posição negativa do Parque?
AP: Bem, vamos ver, mas não me parece que alguém consiga fazer vingar uma posição contra toda uma população, como é o caso. Tal como sempre acreditei que as restrições e condicionantes do Plano de Ordenamento nunca vingariam, também não acredito que esta filosofia e figurino da direcção do Parque se aguente muito tempo. É demasiado perigosa e ofensiva dos interesses locais, nacionais e destrói o ambiente.

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