Telenovela põe Lavandeira no mapa
A localidade estende-se pela encosta sul do monte onde o castelo teima em resistir ao passar dos anos, mesmo com a vegetação a impor-se perante os vestígios daquele povoado antigo.
Percorrendo as ruas de Lavandeira, por entre flores de várias cores e odores, chegamos ao centro da aldeia, onde encontramos um monumento granítico de beleza única. A Igreja Matriz, datada do século XVIII, é classificada como Imóvel de Interesse Público e assume-se como a imagem de Lavandeira. As pedras de granito dão-lhe um ar rústico, que contrasta com a beleza rara da talha dourada trabalhada ao pormenor no seu interior.
Aliás, é a beleza deste monumento, procurado por visitantes de Norte a Sul do País, que vai dando mais vida à localidade. “Vem aqui gente de todo o lado, ultimamente estiveram cá pessoas do Porto, de Lisboa e de Coimbra e ficaram encantadas”, afirma Felicidade Frias, uma das habitantes que tem mostrado o templo aos forasteiros.
Desde que a Igreja de Lavandeira entrou na novela “A Outra”, transmitida pela TVI, o número de visitantes tem aumentado de dia para dia. “Há muita gente que vem cá de propósito para ver a igreja que viram na novela”, constata Felicidade.
António Gonçalves, de 79 anos, também realça a beleza do templo que se ergue no centro da aldeia. “Todos os dias encontro pessoas que vêm ver a igreja. É o monumento mais bonito que cá temos”, acrescenta.
No entanto, o interior da igreja necessita de obras de restauro nos tectos e de conservação da talha dourada dos altares. “Já fiz alguns esforços, através da Câmara, para que sejam feitas obras, mas o monumento está sob a alçada do IGESPAR, pelo que não podemos fazer nada sem a autorização deles”, lamenta o presidente da Junta de Freguesia de Lavandeira, Armando Frias.
Romaria em honra de Santa Eufémia reúne devotos oriundos de terras distantes
O autarca realça, ainda, que a Junta tem um projecto de iluminação para o exterior do templo, há cerca de dois anos. A empreitada já tem financiamento, mas ainda não foi concretizada porque o IGESPAR ainda não deu luz verde.
No campo da Fé, Lavandeira conta, ainda, com uma romaria em honra de Santa Eufémia, que reúne devotos oriundos de terras distantes. Esta tradição também é conhecida como a “Festa da Marrã”, devido à carne de porco assada, que é um autêntico petisco para quem por ali passa.
Reza a história que, nos tempos áureos do castelo e vila de Ansiães, Lavandeira era um lugar da freguesia de S. Salvador, que pertencia àquela vila, acabando por ficar com o mesmo padroeiro, após a extinção do concelho de Ansiães, em 6 de Abril de 1734.
Actualmente, esta aldeia pacata foi ganhando qualidade de vida, com o calcetamento de ruas e com a construção da rede de saneamento. Mesmo assim, continua a preservar uma riqueza bem antiga, que é a água pura e natural que jorra das três fontes históricas que se encontram espalhadas pela aldeia.
É no largo da igreja que a população se reúne para conviver ou, simplesmente, para trocar dois dedos de conversa com os visitantes que por ali passam.
Mesmo ao lado, o Centro de Dia de Santa Eufémia dá apoio aos idosos, que procuram um espaço para conviver, fugindo à solidão que se foi instalando nas suas casas.
Para melhorar as condições da população, o presidente da Junta realça, ainda, que, a curto prazo, vão ser calcetadas mais ruas, vai ser requalificada uma ponte e vai ser embelezado o largo da sede da Junta de Freguesia.

