Macedo de Cavaleiros
Apesar da chuva ter assolado a região nos últimos meses, não foi de água, mas sim do preço do gasóleo que os homens da lavoura mais falaram no Dia do Agricultor. As implicações que a subida dos preços têm nos custos de produção levaram alguns homens da lavoura a defender que mais vale voltar a usar os animais para cultivar a terra.
Segundo o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Abreu Lima, o Governo tem exigido competitividade dos agricultores mas não lhes dá os mecanismos necessários para a competitividade nas suas produções. São os custos associados à energia que motivam esta posição de Abreu Lima.
Desfile de tractores contou com menos agricultores face ao ano passado
Segundo o dirigente associativo, é do mercado espanhol que vem o maior perigo para a agricultura portuguesa, visto que os nossos vizinhos têm uma produção mais competitiva. Os agricultores do outro lado da fronteira conseguem apoios específicos e generalizados às suas produções e à energia, o que coloca em desvantagem os agricultores portugueses, que têm maiores custos de produção associados à energia.
Recorde-se durante um ano, o preço do gasóleo agrícola aumentou cerca de 40 por cento. Este custo é mais notável quando se consideram produções intensivas e mecanizadas, como aquelas que são necessárias para garantir a competitividade da produção.
Mas nem o preço do gasóleo demoveu algumas dezenas de tractores, que se deslocaram à sede de concelho, onde participaram no tradicional desfile, que motivou estes agricultores. Apesar do número ser inferior ao de anos anteriores, o desfile pecou pela falta de organização, pois os tractores não circularam em fila única, mas em alguns grupos, perdendo, assim, o impacto esperado.

