Região

Cultura Democrática

Cultura Democrática
Imagem do avatar
  • 27 de Maio de 2008, 09:55

É por isso que, todos os bons políticos apreciam oposições fortes e organizadas, para elevar até à excelência a argumentação, o planeamento político e a própria organização. Esse é o desafio que se coloca aos bons políticos e dirigentes. Melhorar o desempenho, ir à luta e ganhar.
Infelizmente nem sempre é assim. Todos gostam de ganhar e trabalham para alcançar a vitória que garantirá para o seu projecto, uma direcção ou uma presidência. Contudo, a grandeza dessa vitória só se merece quando nos entregamos às causas e defendemos o que consideramos ser o caminho correcto.
Como diz o nosso povo, “para quem lá está, é sempre mais fácil”. Eu não acreditava. Tinha algumas dúvidas sobre se um qualquer processo eleitoral pudesse ser marcado pelas influências e dinâmicas de poder, naturais nas organizações. As convicções dos eleitores não serão expressas no momento da votação? Muitas vezes, obviamente que não. Vezes de mais, diria eu…
A célebre frase “Quem não está comigo, está contra mim”, tantas vezes utilizada nas colectividades e organizações, deve envergonhar uma liderança que se pretende capaz e descomprometida. Temos a obrigação de ganhar cultura democrática, saber perder e ganhar mas, essencialmente respeitar os adversários. Sentem, como nós, a vontade de vencer…
Tal como no futebol, nem sempre ganham os melhores, mas é condição para se ser um grande desportista, jogar limpo. Saber dar dignidade ao jogo, criar e respeitar valores na competição e trabalhar no futuro da equipa e do clube.
Como na política, aproximar os melhores e banir os “habilidosos”. Saber estar, ter um projecto transparente é dignificar a actividade política. Mais que uma obrigação, constitui um desafio para os actuais políticos, serem uma referência para as gerações futuras, cada vez mais afastadas da vida política. Todos entendemos as razões deste afastamento e desinteresse e por isso, teremos que ser muitos a correr em sentido contrário à onda de receios infundados, influências desmedidas e pressões indignas, que, tantas vezes desacreditam os políticos e a política.
É nossa obrigação, estarmos atentos, participarmos nas decisões, criarmos alternativas fortes e vencedoras e assim reforçarmos e fazermos renascer a cultura democrática. Mais que uma obrigação, constitui um desafio para todos nós.

Júlia Rodrigues

Proponha um artigo de opinião:
info@pressnordeste.pt
Abrir
Imagem do avatar
Written By
Redação