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	<title>Arquivo de Henrique Pedro - Nordeste</title>
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	<title>Arquivo de Henrique Pedro - Nordeste</title>
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		<title>O chi-coração de Trump e Xi Jinping</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/06/01/o-chi-coracao-de-trump-e-xi-jinping/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 13:58:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Henrique Pedro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Confesso que de política, de relações internacionais melhor dizendo, apenas sei o que leio, ouço ou vejo nos órgãos de comunicação social e que não tomo a sério tudo que me é apresentado</p>
<p>O conteúdo <a href="https://jornalnordeste.com/2026/06/01/o-chi-coracao-de-trump-e-xi-jinping/">O chi-coração de Trump e Xi Jinping</a> aparece primeiro em <a href="https://jornalnordeste.com">Nordeste</a>.</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Confesso que de política, de relações internacionais melhor dizendo, apenas sei o que leio, ouço ou vejo nos órgãos de comunicação social e que não tomo a sério tudo que me é apresentado, ainda que dê mais crédito a uns que a outros, como normal será.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porque, é público e notório, nos ditos órgãos de comunicação proliferam analistas e especialistas de todos os quadrantes e tendências políticas que aparentam saber tudo de tudo, sem que digam de onde lhes vem tanto conhecimento, por que meios e com que fins.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De que resulta o gigantesco fenómeno de desinformação, com a consequente perturbação universal dos espíritos a que se assiste. E que não se aplica apenas a matérias políticas, devo acrescentar.<br>Pela minha parte, limito-me a emitir a minha opinião pessoal, livre e desinteressada, ainda que sem abdicar de valores em que acredito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Posto isto, posso dizer sem mais rodeios, que considero a recente visita do presidente americano à China um acontecimento da maior relevância no actual contexto internacional, porque a Humanidade está carente de sinais positivos de paz e cooperação, por mais delicados que possam parecer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Igual importância não teve o encontro, imediato, dos compadres Putin e Xi Jinping, prática rotineira que já conta mais de 40 reuniões, de carácter mais regionalista e em que o dirigente chinês, é por demais óbvio, terá posto o russo ao corrente da sua conversa com o americano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Algum reflexo poderá ter, ainda assim, no conflito do Médio Oriente e não só, para lá do mútuo acerto de procedimentos de resposta a Trump.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ora, na minha modesta opinião, que expresso com delicado toque humorístico, o mundo assistiu, em Pequim, a um ternurento chi-coração de Trump e Xi Jinping, que indicia louváveis propósitos de entendimento e cooperação e que serão sinceros de parte a parte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cooperação e entendimento que, como é óbvio, não vão por fim à fome no mundo, ao drama da emigração ou a tantos outros flagelos que presentemente afligem a Humanidade, mas que abrem caminhos a um relacionamento pacífico e construtivo entre a duas maiores potencias da actualidade, presentemente empenhadas numa concorrência desenfreada nos domínios comercial, científico e tecnológico, que já se se estende ao espaço exterior.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda que o senhor Xi Jinping, até ver, esteja mais interessado em continuar a desenvolver a sua imensa teia comercial e dela usufruir pacificamente, sem afrontar a planetária malha militar americana, dela beneficiando, pelo contrário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A guerra da Ucrânia não vai terminar de imediato só porque o senhor Trump e o senhor Xi Jinping se cumprimentaram cordialmente em Pequim, mas Putin também não ganhou acrescidos motivos para prosseguir a desastrosa aventura ucraniana, de que poderá mesmo ser forçado a retirar sem proveito nem glória, contrariamente ao que aconteceu em situações análogas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pela mesma razão, a loucura dos aiatolas iranianos transformarem o Golfo Pérsico num mar interior privativo e de se municiarem com ogivas nucleares continua a ser altamente problemática, e o mais provável até será que tais loucuras apenas cessem com a retoma de operações militares demolidoras, que poderão igualmente resultar no fim, tão almejado por americanos e israelitas, do regime teocrático de Teerão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aiatolas que, é opinião generalizada, são os maiores patrocinadores do terrorismo mundial e na Europa em particular, e que não se coibiriam de lançar uma bomba atómica sobre Israel, ou qualquer outro Estado da região, se acaso a possuíssem, por meros imperativos religiosos e geopolíticos que só eles entendem. De tais famas não se livram.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para lá de que, quer o senhor Trump, quer o senhor Xi Jinping e muito boa gente, signatária ou não do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, não estarão interessados em permitir que o clube nuclear se alargue, dê lá por onde der.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Maior incógnita, ainda assim, será, quanto a mim, Taiwan, oficialmente República da China, agora confrontada, por ironia da História, com a ameaça de outra república chinesa, a República Popular da China, um país aparentemente socialista, de partido único, que é o mais populoso do mundo e que se tem aproveitado das vantagens do famigerado capitalismo para se converter na segunda maior economia global.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diferendo que, a menos que Trump e Xi Jinping se concertem em negócios geopolíticos que só eles podem concertar, consumando uma clara traição americana a Taiwan, poderá redundar num confronto militar da maior violência e de consequências imprevisíveis. Não é por acaso que Xi Jinping tem vindo a tratar o assunto com extrema cautela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Resta-me augurar, depois de tudo que atrás fica escrito, que o ternurento chi-coração de Trump e Xi Jinping, não redunde num esmagador abraço de ursos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sempre se deve ter em conta que Donald Trump, ainda que na perspectiva ocidental tenha coisas positivas, não é personalidade confiável. E que alguns líderes da Europa vão continuar a primar pela pusilanimidade e pela traição aos valores europeus.</p>
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		<title>Truz, truz, Ormuz</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/05/15/truz-truz-ormuz/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2026 16:44:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Henrique Pedro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um estreito marítimo da maior importância geopolítica, agora reforçada com o conflito político-militar em curso naquelas paragens.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://jornalnordeste.com/2026/05/15/truz-truz-ormuz/">Truz, truz, Ormuz</a> aparece primeiro em <a href="https://jornalnordeste.com">Nordeste</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Muito se tem falado de Ormuz, nos últimos tempos, um estreito marítimo da maior importância geopolítica, agora reforçada com o conflito político-militar em curso naquelas paragens.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estreito que, até mais ver, continua nas mãos de aiatolas iranianos, que não são flores que se cheirem, que dele se pretendem servir como se de uma gigantesca torneira de petróleo se trate, para abrir, ou fechar, a seu bel-prazer, convertendo, abusivamente, o histórico Golfo Pérsico num mar interior iraniano, ignorando que a longa margem que não lhes pertence é território de outros Estados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Situação que afecta, gravosamente, os interesses estratégicos e económicos dos americanos e dos seus aliados petrolíferos da região, liderados, nesta dramática circunstância, pelo desbocado Donald Trump, que no Médio Oriente encontrou palco privilegiado para as suas diatribes e palhaçadas. Perante a cúmplice passividade, para não dizer indiferença criminosa, dos europeus, visivelmente divididos e perturbados, embora igualmente afectados, enquanto russos e chineses procuram retirar deste imbróglio geopolítico as vantagens possíveis, como é seu timbre.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tão bizarro e complexo é o quadro que mais parece que Trump e os aiatolas brincam entre si, sadicamente, para desespero do resto do mundo. Ainda assim, verdadeiramente empenhado e calculista só mesmo Benjamin Netanyahu que faz jus à gesta mítica do seu povo, em contraste com as encenações dos demais que, de tão falsas e extravagantes, lançam dúvidas sobre quem mente e quem fala verdade, embora mais certo seja todos mentirem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mundo injusto e cruel, o nosso, em que, entre outras tragédias, 673 milhões de pessoas, o que corresponde a 8,2% da população mundial, enfrentam fome severa, isto segundo o relatório da ONU “O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2025 (SOFI 2025)”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, até ao momento em que esta crónica é escrita e desde que a Forças Aérea Americana e a Força Aérea Israelita lançaram ataques devastadores sobre a estrutura militar iraniana sem obterem os resultados políticos pretendidos, Donald Trump persiste em encarar Ormuz como a porta principal do palácio dos aiatolas, a que continua a bater com um hesitante truz, truz, sem que se acendam as luzes que pretende na tenebrosa mansão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra luz se faz, contudo, sobre a história de Ormuz que diz respeito aos portugueses orgulhosos do seu passado, embora a outros nem tanto. Vale bem a pena reler, a este propósito, Elaine Sanceau, universalmente reconhecida como um dos expoentes da historiografia portuguesa, a quem se devem nada menos do que trinta e oito vultosos estudos, dos quais vinte e oito sobre o majestoso século dezasseis português.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ormuz que o nosso Afonso de Albuquerque, que é tido como um dos mais brilhantes estadistas da História Universal, a par de Ptolomeu I e de Bonaparte, conquistou em 1507, para ali estabelecer uma fortaleza, não para comprar e vender petróleo, mas para controlar todo o comercio da época, especiarias especialmente, que na Europa de então eram pagas a peso de oiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais do que isso, na opinião de avalizados historiadores, Ormuz, na conceção genial de Afonso Albuquerque, não seria apenas mais um entreposto comercial, mas a chave de um importante sistema de domínio marítimo, em que se incluíam Aden e Malaca, considerando que quem dominasse estas três posições controlaria o principal eixo económico de todo o Oriente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De salientar que Albuquerque não dispunha do apoio de satélites ou de redes de comunicação, muito embora os meios navais e a cartografia portuguesa da época fossem o que havia de melhor.<br>Contudo, não se fique com a ideia de que os portugueses deixaram apenas fortalezas e entrepostos comerciais, por aquelas paragens. Bem pelo contrário, muitas são as realizações positivas que Portugal ergueu por esse mundo de Cristo além e não apenas malfeitorias, como pretendem, presentemente, uns tantos intelectuais, ideologicamente contaminados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ocorre-me destacar, a este propósito, a primeira escola médica do Oriente, a Escola Médico-Cirúrgica de Goa, criada pelo físico-mor Matheus Cesário Rodrigues Moacho, considerada uma das mais antigas faculdades de medicina da Ásia e que tem sio esquecida no debate político-partidário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Escola que desde sua fundação em1842, até 1963, formou mais de 1.327 médicos e 469 farmacêuticos, contribuindo significativamente para a saúde de tão vasta região.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enfim. Muitos factos historicamente relevantes merecem ser condignamente celebrados, por diferentes formas e em diversos momentos, enaltecendo a história do passado, a democracia do presente e o humanismo e a universalidade dos portugueses de sempre e de hoje.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E que em nada se comparam com o Ormuz do presente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PS.: A este propósito, vale a pena também ler, no jornal Público de 6 de Maio de 2026, o artigo sobre o jesuíta Francisco Pina (1585-1625), assinado por Rui Campos Guimarães e Eduardo Marçal Grilo.<br>Este texto não se conforma com o novo Acordo Ortográfico.</p>
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		<title>A Constituição, o Estado e a Nação</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/05/01/a-constituicao-o-estado-e-a-nacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 May 2026 15:49:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Henrique Pedro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Abordo esta relevante matéria em linguagem corrente, mais terra a terra do que formal, para uma mais fácil leitura e compreensão.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Abordo esta relevante matéria em linguagem corrente, mais terra a terra do que formal, para uma mais fácil leitura e compreensão. E também porque de tão relevante que é, entendo que não pode, nem deve, ser deixada à mercê de diatribes políticas e de pruridos constitucionalistas, ainda que as competentes autoridades e as autorizadas instituições democráticas a devam tratar com todo o respeito, formalismo e rigor científico que merece.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O povo, em democracia, tem direito a ser informado com verdade e clareza, dia a dia, para que possa bem amadurecer opiniões e exercer a sua vontade, conscientemente, quando for caso disso. E os portugueses, mesmo quando não são versados em ciência política ou em direito constitucional nunca devem ser tratados como ignorantes, porque sabem bem o que querem e melhor sabem responder, desde que as perguntas de natureza eleitoral lhe sejam colocadas como deve ser.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando já lá vão mais de 50 anos depois que entrou no mundo da democracia, que uns quantos insistem em que seja socializante, ainda que não saibam bem o que isso significa, ou não se atrevam a dizê-lo, Portugal, apesar de tanto tempo perdido, continua na cauda da Europa, como infelizmente o demonstram os mais importantes indicadores políticos, sociais e económicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De entre os quais ressalta, pela sua carga ética e porque reflecte todos os aspectos negativos de que enferma a democracia portuguesa, o Índice de Perceção da Corrupção, que mais uma vez recupero da credível Transparency Internacional, no qual Portugal, em 2025, recebeu 56 pontos, numa escala de 0 a 100, valor que o posiciona na 46.ª posição, entre os 182 países avaliados, o que é péssimo, sobretudo porque no contexto mundial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas não se poderá dizer que a culpa é do povo português como muitas vezes se ouve. Porque os portugueses, os de agora e não os de qualquer outro tempo, dão cartas em todos os sectores, como acontece no desporto em geral, futebol em particular, em que são sistematicamente representados por atletas e treinadores do mais alto gabarito, o que também se verifica na ciência, na literatura e em diferentes tecnologias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com excepção da política, diga-se em abono da verdade, em que Portugal parece mais vocacionado para produzir e exportar maus políticos que, mesmo depois de terem falhado clamorosamente em casa, vão lá para fora, ONU e CEE mais concretamente, fazer figuras de apagada e vil tristeza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que só prova que o mal de Portugal não está nos portugueses, mas sim na política portuguesa, não no Sistema Democrático, note-se bem, mas no Regime Político português, que são coisas distintas.<br>Regime Político materializado, como é óbvio, na Constituição da República que temos e que, de alguma forma, condiciona o Estado e a concomitante Administração Pública, que muito deixam a desejar, como todos os dias se constata.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Regime que, em todos os níveis do corpo político nacional, favorece o recrutamento e a selecção de colaboradores, amadores e profissionais, de baixo quilate, marcadamente oportunistas, incompetentes e desonestos, mais do que é natural e desejável e que, contra todas as regras, acaba por privilegiar e mesmo premiar, quando prontamente os deveria excluir e sentenciar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Situação que é por demais incómoda, injusta e mesmo desonrosa para os quantos, que também os há, que exercem os seus cargos com patriotismo, proficiência e honradez.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tudo isto será mais do que suficiente para justificar uma adequada Revisão da Constituição, de molde a inspirar e a provocar uma profunda Reforma do Estado, imperativos inadiáveis, tendo em vista não só melhorar a representação democrática, mas também relançar o tão desejado progresso nacional e bem-estar dos portugueses.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não se trata de redigir e aprovar um nova Constituição, mas de rever a actual, note-se bem. Trata-se, em última análise, de dotar a democracia portuguesa de um Sistema Nacional de Justiça credível e eficiente, de leis, Eleitoral e Autárquica, verosímeis, de exorcizar definitivamente o fantasma da Regionalização, de dotar o Estado com um Ordenamento do Território moderno, justo e operativo e de, de uma vez por todas, pôr termo à cínica subalternização das regiões interiores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E, porque não, de desmontar o absolutismo e a hegemonia partidária permitindo que associações de diferente género, sejam cívicas, profissionais, desportivas ou culturais, possam dar contributos, mais avisados e positivos, para a feitura das leis e o governo democrático da Nação.<br>Perante tudo que aqui fica escrito não será de estranhar que a maioria dos portugueses sistematicamente se declare favorável a uma adequada Revisão da Constituição, ainda que não necessariamente a uma Constituição nova e a uma profunda Reforma do Estado, com os concomitantes aperfeiçoamentos da Administração Pública.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É nas reformas estruturas, ou na ausência delas, que reside o busílis da questão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este texto não se conforma com o novo Acordo Ortográfico.</p>
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		<title>Páscoa, Paz e Petróleo</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/04/10/pascoa-paz-e-petroleo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Apr 2026 10:10:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Henrique Pedro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É atribuída a Gaston Bouthoul (1896-1980), sociólogo francês tido como fundador da polemologia, disciplina que pretende estudar a guerra cientificamente, a expressão “é a guerra que gera a História”. </p>
<p>O conteúdo <a href="https://jornalnordeste.com/2026/04/10/pascoa-paz-e-petroleo/">Páscoa, Paz e Petróleo</a> aparece primeiro em <a href="https://jornalnordeste.com">Nordeste</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">É atribuída a Gaston Bouthoul (1896-1980), sociólogo francês tido como fundador da polemologia, disciplina que pretende estudar a guerra cientificamente, a expressão “é a guerra que gera a História”. Seja ou não seja, a verdade é que de guerras a História não se tem livrado e não me parece que tal venha a acontecer a breve prazo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No momento, dois conflitos armados, é público e notório, dominam as atenções mundiais: o que resultou da invasão da Ucrânia por tropas russas, para uns tantos só porque a Vladimir Putin lhe deu na veneta e o desencadeado pelo ataque dos Estados Unidos e de Israel à autodenominada República Islâmica do Irão, que de república pouco tem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Certo é que tais conflitos, corporizam o afrontamento geopolítico das grandes potências económicas e militares da actualidade, com implicações, directas e indirectas. no mundo inteiro, ainda que mais pronunciadamente a guerra do Irão, pelos condicionamentos que coloca ao fornecimento de petróleo que, como se sabe, mexe com a economia de todos os países.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Poder-se-á afirmar, sem grandes pruridos epistemológicos, teológicos e minudencias históricas, que outras razões há, porém, não tão badaladas, com destaque para a luta que o moderno Estado de Israel trava, há décadas, pela sua sobrevivência, depois que, durante séculos, o povo judeu foi massacrado e perseguido por toda a parte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Luta iniciada desde que lhe foi atribuído e bem, um pequeno território no berço da sua pátria milenar, que tem ousado aproveitar com sucesso pleno, com vantagens para toda a Humanidade. Alguém disse, o que merece uma certa reflexão: a história do povo judeu é a melhor prova da existência de Deus.<br>Outra razão determinante é o fanatismo religioso dos aiatolas iranianos que, cruamente, impõem excêntricos usos e costumes ao seu próprio povo, especialmente no que às mulheres diz respeito, afrontado a generalidade das demais nações, democráticas ou não tanto, mesmo muçulmanas. Para lá de que terão mesmo a tenebrosa sagrada ambição de os impingir aos restantes povos da Terra, o que é mais grave.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todavia, outras guerras grassam, em África especialmente, não tão vistosas como as atrás citadas, mas nem por isso menos desumanas e devastadoras, atiçadas igualmente pelo explosivo cocktail composto de xenofobia, petróleo e religião de inspiração islâmica fundamentalista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É o caso da guerra na Nigéria, o país mais populoso e o maior produtor de petróleo da África, com a parte norte predominantemente muçulmana e o sul maioritariamente cristão, e em que grupos extremistas como o Boko Haram e ISWAP (Estado Islâmico da África Ocidental) perseguem, impunemente, comunidades cristãs, em especial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E também a guerra civil do Sudão que comporta uma das piores crises humanitárias da actualidade, com mais de 150 mil mortos e milhões de deslocados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cito, por fim, a guerra que lavra no norte de Moçambique, em Cabo Delgado mais precisamente, onde, desde 2017, o sinistro &#8220;Estado Islâmico&#8221; espalha o terror, deixando no seu rastro mais de 8 mil vítimas e milhares de deslocados. Conflitos que se inspiram, de uma forma ou doutra, no fanatismo religioso que igualmente anima os citados aitolas iranianos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao conflito moçambicano já me referi, aqui neste mesmo espaço, há seis anos, a propósito da bárbara destruição da notável Missão Católica de Nangololo, uma localidade situada no Planalto dos Macondes, bem no coração de Cabo Delgado, a província mais a norte de Moçambique.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lembro que ali, em 1924, padres holandeses fundaram uma importante Missão Católica, a partir da qual cristianizaram o aguerrido povo maconde, animista, especialmente notado porque os homens desfiguravam o rosto com golpes profundos e as mulheres usavam brincos aguçados no lábio superior, à laia dos modernos piercings e tatuagens, tão em moda hoje em dia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muito perto de Nangololo teve lugar o primeiro episódio funesto da guerra da independência com o assassinato por guerrilheiros da Frelimo, no dia 24 de Agosto de 1964, de Daniel Boormans, um jovem padre holandês que contava 33 anos à hora da morte, a idade do próprio Jesus Cristo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lamentavelmente, os episódios de perseguição naquela região prosseguem, agora denunciados pelo Bispo de Nacala, D. Alberto Vera, que recordou o sacrifício da Irmã Maria de Coppi, missionária comboniana de 82 anos, assassinada com um tiro na cabeça, em 2022 e a decapitação, em Novembro passado, de dois jovens cristãos que se publicamente se recusaram a abjurar a sua fé.<br>A Páscoa, a paz e o petróleo têm os seus custos, bem trágicos, por vezes, como se vê.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lamentável, a todos os títulos, é a passividade pusilânime dos principais líderes europeus perante episódios tão marcantes, que poderão ser fatais para a Europa e que não devem continuar a ser silenciados, sobretudo quando se celebra a morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.<br>Cumpro a minha parte.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Este texto não se conforma com o novo Acordo Ortográfico.</em></p>
<p>O conteúdo <a href="https://jornalnordeste.com/2026/04/10/pascoa-paz-e-petroleo/">Páscoa, Paz e Petróleo</a> aparece primeiro em <a href="https://jornalnordeste.com">Nordeste</a>.</p>
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		<item>
		<title>Facciosismo, pois então.</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/03/24/facciosismo-pois-entao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Mar 2026 14:37:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Henrique Pedro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um dos maiores males deste nosso conturbado mundo, talvez o pior, é, quanto a mim, o facciosismo, que não devemos confundir com o fascismo, seja este na versão comunista ou nazista, ainda assim.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://jornalnordeste.com/2026/03/24/facciosismo-pois-entao/">Facciosismo, pois então.</a> aparece primeiro em <a href="https://jornalnordeste.com">Nordeste</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Um dos maiores males deste nosso conturbado mundo, talvez o pior, é, quanto a mim, o facciosismo, que não devemos confundir com o fascismo, seja este na versão comunista ou nazista, ainda assim.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Facciosismo que se manifesta em muitos sectores da vida pública, como melhor se vê nas sociedades democráticas, com destaque para a política, a comunicação social e o desporto, futebol em especial.<br>Facciosismo que, convém lembrar, é a qualidade, o defeito, melhor dizendo, do faccioso, do sectário que, por tudo e por nada e de todas as formas e feitios, tenta impor e fazer valer a sua paixão ideológica, partidária ou clubista, numa palavra, a sua vontade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Faccioso que, por regra, pensa e reage com o coração e não com a razão, denotando uma, ou todas, das características que assinalo: ignorância, incompetência, educação deficiente, mau perder e mesmo mau carácter.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Qualificativos que, como é óbvio, se revestem de especial gravidade se se aplicarem às denominadas figuras públicas, trate-se de políticos, de intelectuais, de profissionais da comunicação social ou mesmo de dirigentes desportivos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Facciosismo que, em casos extremos, se transfigura no radicalismo e no fanatismo que mobilizam as legiões que sustentam guerras destruidoras, genocídios e crimes sem conta contra a humanidade como as que, lamentavelmente, se verificam presentemente no Médio Oriente, na Ucrânia ou na Nigéria. Fanatismo que, como é público e notório, assume inexcedível desumanidade e barbaridade no regime teocrático iraniano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Facciosismo que entre nós, felizmente, não alcança expressão assim tão trágica, o que esperamos nunca venha a acontecer, mas que não deixa de ser o principal vício do regime político vigente, porque é cúmplice e dinamizador da corrupção generalizada, da incompetência demonstrada por muitos governantes e do funcionamento deficiente de sectores fundamentais da administração pública, com os prejuízos, injustiças e dramas que daí advêm, como melhor se vê no Serviço Nacional de Saúde. Sendo por demais evidente que, porque se faz sentir em organismos e cargos políticos, afecta gravosamente o interesse público.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Facciosismo que, como não poderia deixar de ser, tem uma versão regional, marcadamente provinciana, que vegeta, sobretudo, nas autarquias do chamado interior, como é por demais evidente, também porque é nestas que a subserviência dos eleitos locais ao partido respectivo é mais escandalosamente acentuada, constituindo um decisivo contributo para o subdesenvolvimento, o ermamento e as desigualdades regionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Facciosismo que motiva e orienta a despudorada partilha de cargos e de troca de favores, condenável a todos os títulos e, mais do que isso, promove o permanente esforço de branqueamento faccioso dos erros e fracassos governamentais, grandes ou pequenos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como não poderia deixar de ser, Trás-os-Montes em geral e o distrito de Bragança em particular, também têm muitos facciosos de estimação que, por sistema, se mostram mais empenhados e atentos aos cargos e mordomias de nomeação partidária, do que aos projectos e medidas que possam ter positivo impacto no desenvolvimento local e regional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como ainda recentemente se viu com nomeação dos cinco vice-presidentes da CCDRN, que mereceu vozes acaloradas de oposicionistas, só porque nenhum dos nomeados pertence ao distrito, quando os mesmos, ou todos eles, da oposição ou do governo, melhor dizendo, permanecem mudos e quedos perante o congelamento escandaloso das componentes do genericamente denominado projecto Vale do Tua, que é suposto produzirem impactos decisivos no desenvolvimento regional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Triste é reconhecer que, embora correndo o risco de ser injusto, que será muito difícil encontrar políticos cuja intervenção pessoal tenha tido real efeito no desenvolvimento regional, sem recuar aos tempos da ditadura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Direi mesmo que a região transmontana tem sido vítima privilegiada do facciosismo político-partidário, que está intimamente ligado ao servilismo de autarcas e deputados às facções partidárias que lhe alimentam as ambições, sediadas, claro está, nos partidos que entre si têm repartido os privilégios do poder.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lamentavelmente, um regime político que privilegia facciosos e sectários, faz lembrar o país de brandos costumes de tempos que já lá vão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Facciosismo, pois então. Não confundir com fascismo, seja este na versão comunista ou nazista, ainda assim, convém repetir.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Este texto não se conforma com o novo Acordo Ortográfico.</em></p>
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		<item>
		<title>Fogo, fome, anticristianismo e antissemitismo</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2025/09/09/fogo-fome-anticristianismo-e-antissemitismo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Sep 2025 13:50:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Henrique Pedro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O desassossego maior dos portugueses nas últimas semanas centrou-se no flagelo dos incêndios florestais, a que os órgãos de comunicação deram o justo realce e ainda bem, por razões noticiosas, mas igualmente como positivo contributo para a prevenção de instantes novas emergências. Desassossego que só deixará de o ser completamente, dentro de mais duas ou [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O desassossego maior dos portugueses nas últimas semanas centrou-se no flagelo dos incêndios florestais, a que os órgãos de comunicação deram o justo realce e ainda bem, por razões noticiosas, mas igualmente como positivo contributo para a prevenção de instantes novas emergências. Desassossego que só deixará de o ser completamente, dentro de mais duas ou três semanas, assim se espera, com o aparecimento das primeiras chuvas de Outono.</p>
<p>O mais provável, porém, é que, por obra e desgraça dos governantes que temos, seja qual for o governo que se segue, dos muitos incendiários que continuarão a monte e se o combate aos incêndios continuar a ser o negócio chorudo que se diz que é, tudo volte à estaca zero, já no próximo Verão, se estacas ainda houver para queimar.</p>
<p>Outros flagelos maiores, ainda assim, afetam outras nações, como sejam guerras e fomes que a grande maioria dos órgãos de comunicação internacionais ignoram ou noticiam de forma capciosa, com o propósito de gerar, na opinião pública, juízos tendenciosos. Com realce para as fomes causadas por conflitos armados ou por políticas erradas, que martirizam milhões de humanos em vastas regiões africanas e asiáticas, sobretudo, mas que o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, o austríaco Volker Türk, braço direito do secretário-geral da ONU, o português António Guterres, amarrados que estarão a interesses inconfessos, não atacam como lhes compete. Como se fome, se é que de verdadeira fome se trata, só existisse em Gaza e tão só por obra e maldade do governo judeu, note-se bem.</p>
<p>Discriminação condenável que mais desprestigia a já de si desacreditada ONU, que se traduz na bênção e absolvição do Hamas, organização terrorista como tal reconhecida por autorizadas instituições internacionais e que, entrincheirada em labirintos cavados sob densos aglomerados populacionais, obstinadamente se serve de inocentes cidadãos para os seus sinistros desígnios.</p>
<p>Condena-se, em absoluto, a trágica condição dos inocentes habitantes de Gaza, sujeitos a perigos e carências de toda a ordem, sobretudo à destruição e morte que advêm das operações militares israelitas, apesar dos evidentes esforços deste exército para evitar mortes civis, cuja maior responsabilidade recai na desapiedada organização terrorista que os utiliza como escudos contra tiros e bombas, para lá de os usar como deploráveis cartazes de propaganda.</p>
<p>Organização terrorista que, na sequência da sua tenebrosa ação de 7 de Outubro de 2023, que matou 1200 inocentes, convém lembrar, persiste em manter dezenas de reféns no mais ignominioso cativeiro.</p>
<p>De Gaza, chegam imagens elucidativas que mostram centenas de camiões carregados de víveres a serem assaltados por populares ávidos de alimentos, é certo, mas que demonstram ter forças para tanto, para lá dos desviados por homens armados para seu próprio sustento. Imagens que contratam, em absoluto, com tantas outras de outras partes do mundo, bem mais dramáticas, mas não tão badaladas, em que se veem mães famintas com os filhos esqueléticos nos braços, que já nem forças evidenciam para segurar a malga de comida, que raras mãos caridosas lhe estendem.</p>
<p>Situações a que António Guterres, Volker Türk e a tendenciosa comunicação social, convém repetir, não dão o devido destaque ou mesmo ignoram, quando mais justo e construtivo seria que lhes prestassem a necessária atenção para que daí resultassem consequências positivas.</p>
<p>Tendo em consideração, desde logo, o Índice Global da Fome, escrupulosamente organizado pelo credenciado International Food Policy Research Institute (IFPRI), que, na sua edição do ano de 2021, coloca países como a Somália, o Sudão do Sul, a Síria e o Iémen em alarmante situação de fome. Países em que campeiam ideologias afins a grupos políticos e paramilitares islâmicos como o Hamas, a Jihad Islâmica e o Hezbollah que, para lá do mais, se batem pela aniquilação da secular nação israelita, livre e democrática, que nos dias de hoje continua a dar valiosos contributos para a ciência e a cultura universais.</p>
<p>Ideologias tenebrosas que pretendem amarrar a Humanidade a tempos medievais e inspiram estados agressivos que constituem uma emergente ameaça à Europa e à civilização ocidental, cujos principais líderes contemporizam, pusilanimemente, com este perigo eminente, para lá de permitirem que o mais sinistro antissemitismo, que tão cruelmente tem ilustrado a História Universal, renasça nos países que governam.</p>
<p>Grupos políticos e paramilitares islâmicos que, em consonância, promovem o mais bárbaro anticristianismo, com assassinatos e devastações generalizadas, como as que impunemente conduzem em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, em que a vítima principal é o povo maconde, católico, cuja mítica missão de Nangololo, foi barbaramente arrasada.</p>
<p>Está tudo ligado. Este texto não se conforma com o novo Acordo Ortográfico.</p>
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		<item>
		<title>Esquerda, direita, um, dois&#8230;</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2025/08/12/esquerda-direita-um-dois/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Aug 2025 11:57:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Henrique Pedro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Não sou especialista em Educação, como facilmente se constatará. Tenho-me, ainda assim, à semelhança de muitos meus contemporâneos, como cidadão digno e homem bem-educado, graças aos educadores que tive nas escolas oficiais por onde passei, mas também aos abençoados exemplos, palavras sensatas e amorosas nalgadas que recebi em criança, vindas, sobretudo, de minha santa mãe. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Não sou especialista em Educação, como facilmente se constatará. Tenho-me, ainda assim, à semelhança de muitos meus contemporâneos, como cidadão digno e homem bem-educado, graças aos educadores que tive nas escolas oficiais por onde passei, mas também aos abençoados exemplos, palavras sensatas e amorosas nalgadas que recebi em criança, vindas, sobretudo, de minha santa mãe.</p>
<p>Não pretendo com isto dizer que no meu tempo é que era bom, mas tão somente referir que acompanhei, ainda que displicentemente, a recente discussão sobre educação sexual ou cidadania, há que esclarecer.</p>
<p>Discussão que não poderá ser classificada de pública porque, lamentavelmente, se confinou à Assembleia da República, sendo meu entendimento que o debate, como muitos outros, deveria ter extravasado o Parlamento e os partidos, dada a importância social e reformadora de que se reveste.</p>
<p>Certo é que a comunicação social, por razões que não ignoro por completo, mas que não estou para aqui esmiuçar, amplificou o ruído parlamentar, sem aclarar as matérias em causa, aprofundando a confusão que reina nas mentes das cidadãs e dos cidadãos comuns, nos quais humildemente me incluo.</p>
<p>Cidadãos a quem, sobre este como sobre assuntos equiparados, deveriam ser fornecidos dados relevantes, tais como idades, tempos, métodos e espaços de aplicação, o que é normalmente omitido.</p>
<p>Certo é que a opinião pública&nbsp; o que é para lamentar, dado o interesse nacional da temática continua a desconhecer o que entendem os decisores políticos por Educação Sexual e em que âmbito a incluem: se no da Cidadania, se no da Moral, se no da Saúde, da Socialização, da Higiene pública, ou meramente no campo da moda, usos e costumes.</p>
<p>E qual o objetivo último que lhe dão: se formar pessoas saudáveis de corpo e mente ou transformar radicalmente o ser humano, viciando a cósmica Criação.</p>
<p>Tampouco, sequer, saber se preconizam apenas aulas teóricas&nbsp;ainda que digitais ou produzidas por inteligência artificial ou também aulas práticas, podendo estas ser escrupulosamente púdicas ou, pelo contrário, promotoras de pornografia e promiscuidade.</p>
<p>Ainda mais: sobre que grupos etários incidem as matérias em apreço? Se desde logo no dos meninos e meninas dos infantários, ou se poderá ir até aos candidatos às universidades e por que não?</p>
<p>E será que da matéria constam apenas designativos anatómicos adequados, ou também expressões de puro calão? E será que também trata de conceitos elevados como o amor-próprio, o amor erótico, o amor à pátria e ao próximo, de ágape, ou mesmo de <em>knosis</em>, como São Paulo a definiu?</p>
<p><em>Knosis</em> que ensina que o amor se dá sem esperar nada em troca&nbsp;contrariamente ao povo que diz que amor com amor se paga.</p>
<p>Será que desta discussão saiu alguma luz ou mais se adensou a escuridão sobre a democracia em crise, em que tudo é demarcado e rotulado de esquerda ou de direita, precisamente para aumentar a confusão e fomentar ódios e confrontos públicos violentos?</p>
<p>Clivagem esquerda/direita que materializa um dos maiores perigos internos da democracia atual, ainda que não lhe esteja na massa do sangue ou faça parte do seu ADN, como muitos pretendem, para lá da corrupção e das ameaças externas que, segundo se diz, vêm lá das bandas da Rússia, da China e do Irão.</p>
<p>É que cada vez mais se assiste ao embrutecimento dos cidadãos, agrupando-os em partidos, chamados a votar e a assumir posições emocionalmente, facciosamente, fanaticamente, com os espíritos afogados em <em>fake news</em>, o que leva a que se convertam criminosos em heróis, se sacrifiquem cidadãos honrados e se eternizem incompetentes e corruptos no poder.</p>
<p>Quando tudo deveria ir num sentido de elevação, da clarificação de ideias, conceitos e práticas na educação como em muitos outros sectores&nbsp;nunca reduzindo o debate político a cegos argumentos típicos de esquerda ou de direita.</p>
<p>Pessoalmente, abomino esta ideia e prática que muito empobrece e desacredita a política, a democracia, os partidos e os próprios cidadãos.</p>
<p>Como exponho no despretensioso poema que se apresenta de seguida:</p>
<hr />
<p>Esquerda, direita, um, dois…<br />
Eu…?!</p>
<p>Não sou de esquerda nem de direita<br />
nem do centro<br />
sou do alto<br />
transparente<br />
independente<br />
sou vertical<br />
mais do bem que do mal</p>
<p>Tenho braço esquerdo e braço direito<br />
mão esquerda e mão direita<br />
não sou dextro<br />
não sou esquerdino<br />
sou destro desde menino!</p>
<p>Tenho perna direita e perna esquerda<br />
pé direito e pé esquerdo<br />
só com ambos sei caminhar<br />
e muito melhor bailar</p>
<p>Olho esquerdo e olho direito<br />
ouvido esquerdo e ouvido direito<br />
para melhor ver e melhor ouvir<br />
uma só boca para bem falar</p>
<p>Dois hemisférios tem o meu cérebro<br />
não sou lerdo<br />
só com os dois sei reflectir<br />
a Razão formatar</p>
<p>Não tenho partido<br />
nem ando perdido<br />
não rastejo, caminho de pé<br />
verdade, liberdade e poesia<br />
são a minha ideologia<br />
tenho a minha própria Fé<br />
o bem-estar a todos desejo</p>
<p>Sou um único ser<br />
um só coração a pulsar<br />
um todo a viver<br />
a gozar<br />
a sentir<br />
a sofrer<br />
e a<br />
amar</p>
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			</item>
		<item>
		<title>A hora é dos independentes</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2025/07/29/a-hora-e-dos-independentes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Jul 2025 09:52:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Henrique Pedro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Diz-se que a democracia está em crise, hoje em dia. Numa abordagem superficial, ainda que pragmática, sem grandes preocupações epistemológicas, portanto, poder-se-á aceitar que sim, sobretudo no que ao regime político português diz respeito, mas não só, sendo que o problema não é de agora. Crise que ganha corpo com o persistente desprestígio dos partidos [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Diz-se que a democracia está em crise, hoje em dia. Numa abordagem superficial, ainda que pragmática, sem grandes preocupações epistemológicas, portanto, poder-se-á aceitar que sim, sobretudo no que ao regime político português diz respeito, mas não só, sendo que o problema não é de agora.</p>
<p>Crise que ganha corpo com o persistente desprestígio dos partidos políticos, sem exceção, que, quanto a mim, tem na hegemonia partidária a sua causa principal. Ou seja: os partidos políticos, que originalmente nem sequer foram citados pelos redatores das primeiras constituições democráticas, como é correntemente realçado por conhecidos politólogos, acabaram por eles próprios monopolizar e condicionar o acesso ao poder político democrático, arredando quaisquer outras organizações cívicas, culturais, ou de que natureza for, de se poderem candidatar a uma participação justa e construtiva na vida política comum.</p>
<p>É por demais evidente que este hegemónico monopólio partidário levou a que os partidos fossem preferencialmente tomados de assalto, mais do que seria razoável, por agentes oportunistas de inferior competência e tendencialmente corruptos, em procura de benefícios próprios ou pugnando por proveitos ilícitos de empresas privadas, remetendo o interesse nacional para segundo plano, com os prejuízos gravosos que daí advêm para a coletividade.</p>
<p>Claro que, se esta análise se alargar a todos os Estados da Europa democrática, haveremos de admitir que, mais do que uma crise da democracia, eventualmente tida como circunstancial, é a própria civilização europeia que está em causa. Civilização que tem história longa, como se sabe, cujas origens são vulgarmente remetidas para gregos, romanos e mesmo judeus, ainda que registe vários acidentes trágicos, os últimos dos quais aconteceram com a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a ainda mais devastadora Segunda Guerra Mundial (1939-1945).</p>
<p>Certo é que a democracia, liberal e representativa, alcançou o seu máximo esplendor de liberdade, igualdade, humanismo, representatividade e afirmação do estado de direito, mais genericamente falando, no período dito de pós-guerra, assumindo-se como o emblema essencial da que poderá ser justamente designada por civilização europeia, agora perigosamente ameaçada.</p>
<p>Tanto assim é que, quer a civilização, quer a democracia aqui referidas correm o risco de mais uma vez serem sacrificadas num potencial conflito militar alargado, já em curso, com intensidade, nas suas fronteiras e mesmo no seu interior, na modalidade de guerra híbrida. Tão pouco será de excluir a hipótese muito séria de uma alargada guerra civil europeia, causada, sobretudo, pelo fanático proselitismo islâmico, que tem conhecidas raízes históricas e que diariamente ganha terreno e força em vários Estados, incentivado pela pusilanimidade de muitos dirigentes europeus e dos vícios de toda a ordem alimentados pela dita hegemonia partidária, como bem se vê no regime político português.</p>
<p>Partidos nos quais, em muitos casos, se instalaram nefastas teias familiares, facções antagónicas, bandos de malfeitores e até sub-reptícios agentes inimigos. De tudo isto resulta o desprestígio generalizado dos partidos, mais visível nos que têm governado Portugal desde a implantação da democracia, por entre sucessivos escândalos e fracassos, a nível central e local.</p>
<p>Só assim se compreende, de resto, que Portugal continue posicionado no mais baixo patamar europeu, por maiores ajudas financeiras que continue a receber da União. O que também explica o crescente interesse pelas candidaturas independentes, para já apenas viáveis a nível autárquico e presidencial, ainda que seja desejável e salutar que, a breve prazo, também sejam implementadas a nível governamental ou parlamentar, como se queira.</p>
<p>Acreditando-se que as candidaturas independentes introduzirão uma melhor ligação dos políticos ao povo, maior isenção e participação cívica, mais competência governativa e maior dedicação à causa pública e ao interesse nacional. Importa clarificar, ainda assim, o conceito de “independente”, sem excluir os que abandonam os partidos em que militam em litígio com evidentes más práticas partidárias, independentemente das questões ideológicas que, hoje em dia, não passam de discursos tendencialmente demagógicos e populistas.</p>
<p>Ainda que se deva pôr a tónica nos cidadãos que são motivados pelo genuíno interesse de bem servir, sem menosprezar o justo desejo de realização pessoal. Havemos de concluir, portanto, que as candidaturas independentes, a serem plenamente assumidas, poderão representar uma positiva reforma política, a salvação da democracia e uma certa renovação civilizacional, perante a inação criminosa dos poderes partidários instalados.</p>
<p>Certo é que, quanto mais os partidos se desprestigiarem, mais crescerá o interesse dos eleitores pelas candidaturas independentes.</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O Vale do Tua pariu um sapo</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2025/07/15/o-vale-do-tua-pariu-um-sapo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Jul 2025 10:49:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Henrique Pedro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A conhecida expressão “a montanha pariu um rato” é muito velha. Tanto que é atribuída ao filósofo romano Horácio, que a terá utilizado há mais de dois mil anos, com o intuito de manifestar a sua frustração com algo que gerou grandes expectativas, mas acabou por redundar numa insignificância, para não dizer num fracasso. Não [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://jornalnordeste.com/2025/07/15/o-vale-do-tua-pariu-um-sapo/">O Vale do Tua pariu um sapo</a> aparece primeiro em <a href="https://jornalnordeste.com">Nordeste</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A conhecida expressão “a montanha pariu um rato” é muito velha. Tanto que é atribuída ao filósofo romano Horácio, que a terá utilizado há mais de dois mil anos, com o intuito de manifestar a sua frustração com algo que gerou grandes expectativas, mas acabou por redundar numa insignificância, para não dizer num fracasso.</p>
<p>Não deixa de ser significativo, por isso, que a dita expressão seja muito usada em Portugal, hoje em dia mais do que nunca. Ainda assim, no caso particular dos transmontanos, não há razões de queixa, pois, lamentavelmente, quem os governa grandes expectativas sequer lhes têm criado, não lhes dando, por isso, razões para se sentirem frustrados.</p>
<p>Tirando, e poucos mais exemplos se poderão encontrar, o magno projeto que dá pelo nome de Plano de Mobilidade do Tua, que, apreciado em várias vertentes, a montante e a jusante das águas e das ideias, ganha, de facto, dimensão impactante.</p>
<p>Ora, é aqui que a porca torce o rabo. Acontece que, decorridos 16 anos desde a sua criação em 2009 e consumados gastos de 16 milhões de euros, há mais que razão e humor, absurdo ou sarcástico, como se queira, para se poder dizer, não que “a montanha pariu um rato”, mas que o Vale do Tua pariu um sapo anafado, que tranquilamente abobora nas margens da plácida albufeira.</p>
<p>Uma notícia recente sobre esta matéria causou, contudo, relativo impacto nas ditas redes sociais, Facebook em particular, ainda assim muito longe, quanto a mim, do que deveria merecer por parte do grande público, sobretudo daqueles a quem diretamente diz respeito: os transmontanos em geral e os nordestinos em particular.</p>
<p>Transmontanos que, nos próximos atos eleitorais, irão ou não irão votar, como sempre o fazem, mais com o coração do que com a razão, ainda que as opções que se lhes oferecem, por força da democracia que têm, pouco ou nada mudem. Sendo desejável, em qualquer caso, que a região não continue esquecida, adiadas e mal representada nas instâncias mais altas do poder político central e local.</p>
<p>Resumidamente, e sem entrar em detalhes, diz a notícia, que teve origem no jornal Público online e foi repassada por diversos outros meios, que o Ministério Público, através da sua delegação de Mirandela, abriu um inquérito crime para investigar o incumprimento da concessão pública de exploração da Linha do Tua.</p>
<p>Finalmente, é caso para se exclamar! Isto se o finalmente não significar que o caso vai morrer definitivamente, ante a patente lentidão da Justiça.</p>
<p>É que, convém lembrar, quando o Plano de Mobilidade do Tua nasceu, em 2009, como contrapartida à construção, pela EDP, da barragem de Foz do Tua, que submergiu um troço de 23 quilómetros de via-férrea, muita boa gente esfregou as mãos de contente, pensando que toda a região transmontana em geral, os municípios ribeirinhos do Tua em particular e Mirandela em especial, tinham sido agraciados com uma fortíssima alavanca de desenvolvimento.</p>
<p>Puro engano. Dezasseis anos decorridos, tudo continua na mesma ou pior, com parte significativa do mítico Vale submerso, equipamentos valiosos em acelerada degradação, as populações a chuparem nos dedos e os autarcas a bailar, felizes e contentes, entre as suas terrinhas e a capital deste reino de democrática fantasia.</p>
<p>Acresce que os dados de recenseamento eleitoral mais recentes expressam uma aflitiva dinâmica de ermamento. De ermamento que não de desertificação, note-se bem, porque, neste caso, não podemos queixar-nos das alterações climáticas, já que a Natureza está mais pujante do que nunca. Mas de algo que é bem pior: a incompetência e o desleixo dos governantes, com destaque e acrescidas responsabilidades para os autarcas.</p>
<p>Tanto assim é, ou foi, que o polémico barramento avançou sem demoras nem contratempos e já está a render, por certo, lucros chorudos aos investidores. As contrapartidas, pelo que agora se vê, é que não terão passado de uma gigantesca frustração, para não dizer de um logro vistoso. Pudera! É que os donos da EDP, entre os quais pontifica a empresa estatal China Three Gorges Corporation, não brincam em serviço.</p>
<p>Lamentavelmente, não pode deixar de se dizer, este plano é mais um que traduz a falência total, não da democracia, mas do regime político vigente, que, deformado pela hegemonia partidária, continua a gerar maus governantes, a desprezar os cidadãos e a esbanjar o erário público, persistindo no ermamento e no subdesenvolvimento do interior.</p>
<p>Torna-se imperioso, por tudo isto, que a Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Tua (ADRVT), igualmente criada em 2011 como contrapartida pela construção da barragem do Tua e a quem a responsabilidade da execução deste plano foi atribuída, venha a público dizer de sua justiça, sobretudo no contexto da próxima campanha eleitoral e antes mesmo do Ministério Público se pronunciar</p>
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		<title>Candidaturas eleitorais independentes: uma alavanca democrática</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2025/07/01/candidaturas-eleitorais-independentes-uma-alavanca-democratica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Jul 2025 10:37:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Henrique Pedro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Não é a primeira vez que abordo este tema das candidaturas eleitorais independentes e bem poderá não ser a última, porquanto ainda faltam três ou quatro meses para as próximas eleições autárquicas, que estão agendadas lá para Setembro ou mesmo Outubro. Convém, por isso, começar por lembrar que desde a revisão da Lei Eleitoral dos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Não é a primeira vez que abordo este tema das candidaturas eleitorais independentes e bem poderá não ser a última, porquanto ainda faltam três ou quatro meses para as próximas eleições autárquicas, que estão agendadas lá para Setembro ou mesmo Outubro.</p>
<p>Convém, por isso, começar por lembrar que desde a revisão da Lei Eleitoral dos Órgãos das Autarquias Locais, operada em 2001, através da Lei Orgânica n.º 1/2001, de 14 de Agosto, grupos de cidadãos podem apresentar listas de candidatos à eleição dos membros dos órgãos das autarquias locais (assembleias municipais, câmaras municipais e assembleias de freguesia), sem a obrigatoriedade de terem filiação partidária. Alteração que, comprovadamente, tem produzido efeitos muito positivos, muito embora o número de listas independentes até hoje apresentadas e os eleitos delas originários ainda estejam muito abaixo do previsível e do que será de desejar, pelas razões que se conhecem.</p>
<p>Desde logo porque, o que poderá ser entendida como uma manobra mal-intencionada, premeditada, dos partidos, que nesse sentido legislaram, as listas independentes estão em manifesta desvantagem com as listas partidárias, no que toca à facilidade de todo processo burocrático e, sobretudo, no que ao financiamento das campanhas eleitorais diz respeito.</p>
<p>Certo é que os partidos continuam com larga vantagem relativamente aos independentes, por duas razões fundamentais: não têm que recolher assinaturas e são subvencionados pelo Estado.</p>
<p>&nbsp;Acresce que este processo é particularmente desfavorável às candidaturas independentes nas autarquias ditas do interior, caracterizadas, como se sabe, por densidades populacionais mais baixas e em que a abstenção eleitoral é maior.</p>
<p>Para lá de tudo o mais que tem a ver com as tão faladas reformas, que tardam, do ordenamento da administração local e da organização do território, que implicam a revisão dos limites geográficos das autarquias, a redistribuição de competências e a promoção de uma mais eficiente gestão do território.</p>
<p>Certo é que sucessivos governos têm desleixado, ainda que estas ideias sejam sistematicamente objeto de discursos políticos, o fortalecimento da participação dos cidadãos na vida local, a promoção da transparência e a responsabilização dos órgãos autárquicos, garantindo uma gestão mais próxima dos cidadãos.</p>
<p>&nbsp;A verdade é que as candidaturas independentes aos órgãos autárquicos, trate-se de assembleias municipais, de câmaras municipais ou de assembleias de freguesia conforme a lei prescreve, se traduzem, por si sós, numa maior democraticidade e, de uma forma geral, na introdução de maior competência e transparência na gestão dos organismos em causa.</p>
<p>Sobretudo numa mais empenhada defesa dos interesses das populações e na consequente maior dinamização económica, social e cultural das localidades porquanto, os autarcas independentes, por norma, são movidos por uma mais positiva vontade de bem servir, não estando amarrados por obscuras peias partidárias.</p>
<p>Contrariamente à generalidade dos filiados partidariamente que partem constrangidos por outros interesses e ambições, desde logo pela prossecução de uma carreira político partidária que eventualmente os possa alcandorar à Assembleia da República, enquanto deputados, ou mesmo ao Governo da Nação, enquanto secretários de estado ou mesmo ministros.</p>
<p>O que, não raras vezes, se tem traduzido em espetáculos pouco dignificantes, com os candidatos partidários que já são titulares de cargos políticos a saltarem de cadeira em cadeira, em pleno mandato, com desprezo pela melhor gestão e dignidade dos organismos autárquicos, que deveriam assegurar, em qualquer caso e antes que mais.</p>
<p>Este é um domínio em que a quebra da hegemonia partidária, ainda que diminuta, se tem revelado francamente positiva pelo que desejável será que se aprofunde e se alargue aos próprios actos eleitorais para a Assembleia da República, se a tanto chegar a generosidade democrática dos partidos dominantes.</p>
<p>Havemos de concluir, por tudo isso, que as candidaturas de grupos de cidadãos sem filiação partidária devem ser incentivadas, para bem da Nação e da Democracia, na certeza de que, tudo o leva a crer, merecerão especial atenção dos eleitores, por mais que desagrade aos partidos dominantes.</p>
<p>&nbsp;As candidaturas eleitorais independentes constituem, sem dúvida alguma, uma forte e desejável alavanca democrática, sobretudo nas actuais circunstâncias de descrédito dos partidos.</p>
<p>Este texto não se conforma com o novo Acordo Ortográfico. Vale de Salgueiro 26 de junho de 2025</p>
<p>https://henriquepedro.blogspot.com/</p>
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