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	<title>Arquivo de Artur Pires - Nordeste</title>
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	<title>Arquivo de Artur Pires - Nordeste</title>
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		<title>De militante a arguido</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/06/03/de-militante-a-arguido/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Jun 2026 09:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Artur Pires]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Não posso fcar indiferente quando vejo as imagens da Polícia Judiciária a entrar na sede do meu partido.</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Não posso fcar indiferente quando vejo as imagens da Polícia Judiciária a entrar na sede do meu partido. Ficaria igualmente incomodado se fosse na sede de qualquer outro partido. Quem acredita no nosso sistema político e democrático não é isso que pretende ver, nem se pode sentir regozijado porque a polícia entrou na sede “de outro” e não na nossa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não porque a Justiça não deva fazer o seu trabalho. Pelo contrário. Numa democracia saudável, a Justiça deve investigar sempre que existam suspeitas fundadas, independentemente do cargo, da infuência ou da fliação partidária de quem é investigado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que me inquieta é outra coisa. É a rapidez com que alguns transformam uma suspeita numa condenação e um arguido num culpado. É a facilidade com que um militante passa a representar milhares de outros militantes, tornando todos culpados por associação. É a tentação de concluir que, se alguns falharam, então todos são iguais. Não, não são!</p>



<p class="wp-block-paragraph">A corrupção existe e infelizmente continuará a existir enquanto houver pessoas dispostas a utilizar o poder e os recursos públicos em benefício próprio, enquanto houver quem coloque interesses particulares ou corporativos acima do bem coletivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nenhum partido está imune. Muito menos os partidos que habitualmente exercem o poder. Esses estão naturalmente mais expostos porque decidem e assumem responsabilidades. A narrativa daqueles que nunca exerceram poder e, por isso, se apresentam como diferentes ou imunes, simplesmente não convence porque não foram testados. E nenhuma ideologia funciona como vacina contra a desonestidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cultivar a ideia, insistindo de forma populista que todos os políticos são corruptos e todos os partidos são iguais, leva-nos perigosamente à recusa de muitos em participarem civicamente e assumirem responsabilidades políticas e públicas. Afasta as pessoas, afasta os bons. Isso é talvez ainda mais perigoso do que a própria corrupção. Traduz-se, cada vez mais, em partidos políticos vazios de gente capaz, habilitada, séria e genuinamente disponível para servir. O descrédito generalizado da política destrói a própria democracia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo dos anos de militância conheci dezenas de militantes partidários. Mulheres e homens que dedicam horas da sua vida aos seus partidos sem qualquer benefício pessoal. Pessoas que participam em campanhas, em assembleias, que foram eleitas e que se bateram de forma abnegada por causas e porque acreditam, sinceramente, que a política pode melhorar a vida coletiva. Pessoas competentes, que deram, e continuam a dar, o seu melhor. Seria profundamente injusto que fossem julgadas pelos atos de quem eventualmente tenha prevaricado. Quem participa na vida política por convicção e de forma séria não pode ser tratado por cúmplice de comportamentos condenáveis só porque tem a mesma cor no cartão de militante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas os partidos também devem repensar a forma como trazem pessoas para o seu interior. Já tive oportunidade, noutro texto de opinião, de falar sobre a diferença entre a militância por convicção e adesão aos valores e a militância por conveniência momentânea, usada apenas para satisfazer interesses pessoais ou circunstanciais. Essa falta de escrutínio deixa muitas vezes os partidos vulneráveis. Por isso, os partidos não se podem furtar às suas responsabilidades. Devem fazer as refexões necessárias, combater comportamentos pouco dignifcantes e distinguir-se sempre pela verdade, pela transparência e pela ética.<br>Façamos, pois, aquilo que se exige em democracia: tolerância zero para a corrupção e tolerância zero para a demagogia, sem confundirmos uma com a outra para não perdermos ambas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um militante partidário não é necessariamente um arguido ou um corrupto. Mas um arguido ou um corrupto pode, eventualmente, ser um militante.</p>
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		<title>Moral da história…</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/05/22/moral-da-historia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 May 2026 09:40:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Artur Pires]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Era uma vez um porteiro de um organismo importante, daqueles onde se decidem coisas importantes e onde toda a gente vai tratar assuntos também importantes.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Era uma vez um porteiro de um organismo importante, daqueles onde se decidem coisas importantes e onde toda a gente vai tratar assuntos também importantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dia aparece alguém que queria ser recebido, mas era dos que não gostam de esperar pela sua vez. Sabia que o porteiro lhe podia facilitar a entrada e, sem ser visto, evitar filas e acelerar prazos. Para isso, ofereceu-lhe uma nota das grandes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O porteiro olhou para o dinheiro e de imediato percebeu que era o suficiente para comprar a bicicleta que há muito tempo promete ao filho. Pensou na alegria daquele sorriso, no brilho nos olhos, no abraço feliz sempre que passavam junto daquela montra.<br>Podia aceitar. Afinal, era só deixar passar uma pessoa à frente. Não vinha mal ao mundo e havia uma razão que, moralmente, muita gente compreenderia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas o porteiro recusou. Fê-lo porque sabia que aceitar seria errado. Fê-lo porque, independentemente da sua frágil circunstância, preferiu escolher o que a sua consciência lhe ditou. E essa escolha diz-nos muito sobre a diferença entre moral e ética.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Moralmente, talvez muitos compreendessem se ele aceitasse. Afinal, tratava-se de um homem humilde, a passar dificuldades, e com vontade de fazer feliz o seu filho, de cumprir uma promessa que há muito lhe escapa, não por ser incumpridor, mas porque a vida não lho permite. Aos olhos de muitos, seria apenas um pequeno gesto sem consequências.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A moral geralmente acomoda-se às circunstâncias, relativiza, adapta-se aos contextos e às culturas. O que é moralmente aceite aqui pode ser condenado noutro qualquer lugar. O que vemos como aceitável pode ser radicalmente condenável para outros. A ética é diferente. A ética exige maisde nós. Obriga-nos a fazer o que está certo, mesmo quando ninguém nos condena se fizermos o contrário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alguém disse um dia que “a ética é obediência àquilo que não é obrigatório…”. A frase é tão simples, mas ao mesmo tempo tão crua e arrebatadora. Faz-me pensar desde o dia em que a ouvi e temo ainda não lhe ter conseguido perceber todo o alcance. Talvez porque seja mais fácil escolher o conveniente, aquilo que é moralmente aceite e socialmente esperado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitas vezes preocupo-me mais com a forma como os outros olham para mim, com a imagem que passo, do que propriamente com aquilo que estaria certo fazer. Às vezes fazemos o que nos parece correto aos olhos dos outros, mas isso não é o mesmo que fazer o que está certo. Quantas decisões tomamos sem acreditar verdadeiramente nelas, apenas porque tememos parecer errados? Quantas vezes colocamos a imagem que os outros têm de nós acima das decisões que sabemos serem certas?</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ética não vive de aplausos nem de reconhecimento. Não se mede pelos benefícios ou recompensas que traz. Resume-se a fazer o que está certo. E, muitas vezes, isso significa colocar o interesse coletivo acima do interesse individual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Admiro aquele homem. Admiro aquele pai. Abdicou do sorriso e da alegria imensa, do brilho impagável nos olhos do seu filho, para lhe dar uma lição muito maior. O filho ainda não a vai entender. Ensinou-lhe, e ensinou-me, que há coisas que não se compram, por mais pequeno que pareça o preço a pagar por elas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Admiro-o porque não aceitou… mas ter-lhe-ia perdoado!</p>
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		<title>Reacionarismo em tempo de Páscoa</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/04/10/reacionarismo-em-tempo-de-pascoa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Apr 2026 10:03:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Artur Pires]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há debates que dizem mais sobre quem os faz do que sobre o tema em si. A recente alteração à lei da identidade de género é um desses casos.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://jornalnordeste.com/2026/04/10/reacionarismo-em-tempo-de-pascoa/">Reacionarismo em tempo de Páscoa</a> aparece primeiro em <a href="https://jornalnordeste.com">Nordeste</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Há debates que dizem mais sobre quem os faz do que sobre o tema em si. A recente alteração à lei da identidade de género é um desses casos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A lei de 2018 não transformou o país num campo de conflito. Não gerou uma crise ou alarme social. Não criou um problema coletivo. Não colocou em causa os direitos de terceiros e não parece ter alterado a vida da esmagadora maioria das pessoas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que fez foi simples. Reconheceu direitos. Protegeu pessoas. E fê-lo alinhada com o que dizem médicos, psicólogos e organizações internacionais. Não foi um impulso ideológico, foi sobretudo um avanço civilizacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante estes anos em que a lei esteve em vigor, não houve caos. Não houve abusos. Não houve nada que justificasse, de forma séria, este recuo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando se acusa a esquerda de “wokismo” e de leis ideológicas, convém não esquecer que a lei de 2018 assentava sobretudo em evidência científica e na defesa de direitos fundamentais. O que agora está em cima da mesa é o contrário. É a substituição da evidência por uma agenda política com um forte cunho ideológico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando um deputado como Paulo Núncio fala em “violência contra crianças”, em “cobaias” ou em “delírio”, percebemos que já não estamos no domínio da prudência nem da análise séria. Estamos no domínio de uma narrativa política assente no medo e no retrocesso. Isso tem um nome: reacionarismo.<br>Não vale a pena suavizar palavras. Não estamos perante um ajuste meramente técnico assente em evidência científca. Estamos perante uma reação contra um avanço em matéria de direitos. Estamos perante um travar de um caminho que foi feito com base no conhecimento e, sobretudo, na defesa da dignidade humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O discurso que agora se apresenta como defensor da ciência está, na verdade, em contradição com o que dizem as ordens profissionais e a esmagadora maioria da comunidade científca, que aponta no sentido do respeito pela autonomia. A lei de 2018 seguia esse caminho. A atual afasta-se dele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando se começa por recuar num direito consolidado, abre-se a porta a outros recuos. Hoje é a identidade de género. Amanhã, com a mesma lógica, poderá ser a interrupção voluntária da gravidez ou o casamento entre pessoas do mesmo sexo. É assim que o reacionarismo funciona e avança.<br>Num tempo de Páscoa, que simbolicamente nos fala de reconciliação, dignidade e respeito pelo outro, há algo de profundamente contraditório no posicionamento de partidos que se reclamam da democracia cristã. O que diria o Papa Francisco a esses protagonistas perante um discurso de ódio que estigmatiza e recua na proteção de direitos sem qualquer empatia?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Onde está o CDS de Freitas do Amaral? Onde está a capacidade de equilibrar valores com liberdade, tradição com direitos? Onde está o mais recente CDS de Adolfo Mesquita Nunes, que representava uma direita moderna, europeia, capaz de pensar sem medo de se comprometer com o progressismo? Desapareceram e recentraram-se mais à direita, fazendo parecer os moderados de centro a nova esquerda radical. Na minha opinião, exigia-se mais deste CDS e exige-se ainda muito mais do PPD/PSD. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto ao Chega, pouco há a acrescentar. O seu discurso é, por natureza, populista e simplista, a maioria das vezes falso. Dirá sempre o que for necessário para ganhar atenção e votos. Não surpreende.<br>O que assistimos não representa uma mera alteração. Representa uma política bafienta, de regresso ao passado, de falta de empatia, falta de respeito pela diferença e pelos direitos individuais, que nem sequer está alinhada com os mais básicos valores cristãos. É reacionarismo em estado puro. Não tenhamos medo de chamar as coisas pelo nome.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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