Populações estão mais próximas das áreas protegidas e “orgulhosas” do património que as rodeia
As populações que vivem nas áreas protegidas estão mais próximas dos territórios onde residem. A convicção é de Sandra Sarmento, diretora regional da Conservação da Natureza e Florestas do Norte. No Festival ObservArribas, que decorreu entre sexta-feira e domingo, em Miranda do Douro, a responsável destacou o papel que a cogestão e as iniciativas de sensibilização têm desempenhado nesta transformação. “Têm, na minha perspetiva, contribuído para melhorar esta relação e criar aqui também uma relação de confiança, uma relação de apropriação por parte das comunidades locais, daquilo que é o seu património na sua globalidade. Esta relação de proximidade, este trabalho que temos vindo a fazer, que possa contribuir para que as pessoas que aqui habitam, que aqui residem, tenham verdadeiramente orgulho em estar inseridos, em viver numa área protegida e em usufruir dessa área protegida e daquilo que ela lhe pode oferecer”.
A diretora regional reconheceu que continuam a existir desafios e conflitos associados à gestão das áreas protegidas, nomeadamente questões relacionadas com a atividade agrícola, pecuária ou com a presença de espécies selvagens. Ainda assim, disse acreditar que a perceção das comunidades tem evoluído de forma positiva.
Quanto ao festival, que regressou este ano a Miranda do Douro, local onde nasceu, em 2017, no âmbito do projeto LIFE Rupis, a ideia é que continue a realizar-se nos diferentes concelhos que integram o Parque Natural do Douro Internacional, esclareceu Carla Lousão, da organização. “Permite aos visitantes, que nos visitam ano após ano, e tivemos oportunidade de confirmar já numa das saídas com grupos que vieram também o ano passado de Mogadouro, também explorar diferentes paisagens do Douro Internacional, diferentes culturas e os diferentes municípios e aldeias”.

A componente científica voltou a marcar presença no evento. João Azevedo, docente do Instituto Politécnico de Bragança e membro da comissão científica do festival, destacou a importância de dar visibilidade a espécies menos mediáticas, mas fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas. “Geralmente, nas áreas protegidas e na conservação em geral, dá-se bastante mais destaque às espécies grandes, emblemáticas. Neste caso aqui do Douro são as aves de rapina. Mas há um conjunto de organismos e de espécies muito diversificado que têm uma importância muito grande, que nem sempre é reconhecida, que é o caso das plantas. E os outros componentes dos ecossistemas, que também são importantes, mas são geralmente muito discretos, são os polinizadores, os insetos polinizadores neste caso, que desempenham funções essenciais para o funcionamento dos ecossistemas, para a sua resiliência, mas que também estão na base de atividades económicas muito importantes, que é o caso da apicultura”.
Durante três dias, o festival reuniu dezenas de atividades dedicadas à observação da natureza, educação ambiental, ciência e valorização das tradições locais.
