O envelhecimento e a memória: Um desafio demográfico contemporâneo
O envelhecimento da população portuguesa é uma realidade, sobretudo em territórios de baixa densidade. O problema demográfico destes territórios, causado pela emigração dos jovens, pela baixa taxa de natalidade, e pelo aumento da esperança de vida; 79 anos para homens e 84 para mulheres, tem contribuído para o aumento da população sénior e para o aparecimento de novos desafios sociais. Entre estes, destaca-se a relação entre o envelhecimento e a memória.
Com o avançar da idade, ocorrem alterações cognitivas, especialmente ao nível da memória de curto prazo e da rapidez de raciocínio. Contudo, estas mudanças não significam a perda total de autonomia. Segundo Elisabeth Demont (2015), “o envelhecimento é um processo natural que envolve transformações físicas, psicológicas e sociais, devendo ser compreendido de forma global”. Assim, a estimulação cognitiva e o contacto social são essenciais para manter a qualidade de vida dos nossos séniores.
Em algumas localidades destes territórios, alguma população sénior vive praticamente sozinha, onde o isolamento e a solidão principalmente no período de inverno dificultam o acesso aos serviços de saúde, o apoio social e a vida social do dia-a-dia. Esta realidade agrava os problemas da memória e do bem-estar emocional.
Como refere Demont (2015) “a forma como a sociedade encara a velhice influencia diretamente a dignidade e a participação dos idosos”. Neste contexto, o papel do interventor social torna-se essencial.
O interventor social acompanha os idosos, identifica necessidades, promove atividades de inclusão e cria respostas sociais capazes de combater a solidão, o isolamento, e até alguma exclusão social (Idadismo). Mais do que prestar apoio, o interventor social contribui para valorizar a experiência e a dignidade da pessoa sénior.
Numa sociedade, com a população cada vez mais envelhecida, investir na valorização da sua memória e experiência, com o humanismo que merecem, representa também preservar a identidade cultural da nossa comunidade, e o passar de geração em geração a sabedoria popular, sempre útil.

