Incertezas
Opinião

Incertezas

  • 14 de Maio de 2026, 10:34

O Mundo vive momentos aflitivos de uma enorme incerteza. As guerras em curso arrastam os países mundiais para crises económicas há muito esquecidas. A conclusão imediata a que chegamos é que tudo está louco. Na verdade, os atores principais desta tragédia, são descompensados mentalmente e demasiado egocentristas. O que pretendem afinal?

Quer queiramos ou não, vamos sempre debater os mesmos sentidos oportunistas dos líderes que gerem os conflitos existentes. Uns, como Trump, gerem unilateralmente os seus objetivos e interesses e, já sabemos que manifestamente, há enormes incertezas nas suas decisões. Hoje, só alguns acreditam ou apostam no que ele afirma e se for para tirar proveitos económicos, ainda é mais fácil. Veja-se o caso das subidas e descidas do preço do petróleo. Não é crível que, dependente das afirmações sobre a guerra do Irão, o preço desça rapidamente, para subir dias depois quando o que se esperava não acontece. A Paz, a guerra, as tréguas e o cessar fogo, são as premissas em que assenta o jogo económico. As Bolsas mundiais apostam e jogam rapidamente.

Também se torna evidente que o pião deste panorama mundial é Trump. Ele tenta manobrar as guerras em que se meteu e vai afirmando que o cessar fogo está perto, mas a verdade é que não acontece. E se os três dias de cessar fogo entre a Ucrânia e a Rússia aconteceu, logo disse que foi ele que pediu aos Presidentes da Rússia e da Ucrânia para que isso fosse uma certeza. Terá sido? E porque é que Putin aceitou tão facilmente algo a que sempre se opôs? Afinal, o dia da vitória, 9 de maio que a Rússia sempre festejava com pompa e circunstância, acabou por ser um simples desfile de tropas e sem armamento bélico. Referiu Putin que pairava o medo no ar que a Ucrânia atacasse Moscovo. Na verdade, apesar de ter menos apoios dos EUA, a Ucrânia rearmou-se extraordinariamente e, com menos dinheiro conseguiu produzir drones de longo alcance e mísseis que atingem mais de três mil quilómetros. Depois de alguns ataques ucranianos ao interior da Rússia e a destruição de centrais de distribuição de petróleo e outras infraestruturas importantes de produção de armamento, algo que para Putin era impensável, este vê-se perante incertezas altamente prováveis de ataques em qualquer lugar do interior russo. Os drones que atingiram Moscovo, são prova de que afinal, não há uma proteção tão forte como se julgava na capital russa.

Ora, estando Putin assustado, é natural que aceite este cessas fogo, seja como for, para seu sossego momentâneo. A Ucrânia está a reconquistar território e o exército russo recua a olhos vistos perante os avanços ucranianos. A guerra aqui, está a caminhar para um acordo de paz dentro em breve. Quase cinco anos de conflito são um destruir inimaginável do tesouro de qualquer país e, se pensávamos que a Rússia não tinha esses problemas, enganámo-nos, mas há sempre uma incerteza que paira no ar. Não é fácil Putin aceitar a derrota e vai querer negociar o que já conseguiu territorialmente. Quando acontecerá? Trump também não tem a resposta porque não tem certezas, embora vá dizendo que depois do cessar fogo, a paz está próxima.

Para já, a Rússia vai celebrando o dia da vitória sobre os nazis e com os comedimentos visíveis. Os líderes mundiais que costumavam estar presentes na cerimónia, não apareceram. Só o Presidente da Bielorrússia esteve em primeiro plano. Fiel capataz de Putin, é o único que o vai apoiando retirando daí os proventos económicos que lhe são permitidos. Depois do cessar fogo, a guerra vai continuar certamente e com ataques russos às cidades ucranianas, como já referiu o presidente russo. Mesmo em tempo de cessar fogo a Rússia atacou cidades ucranianas. Assim nada feito. Portanto, nada de novo a não ser que será mais uma certeza no meio de tantas incertezas.

No Médio Oriente, os EUA continuam a ser humilhados pelo Irão. Trump todos os dias profere afirmações gratuitas que só aproveitam aos negociadores do Brent. O Estreito de Ormuz é o ouro do Irão a par do seu petróleo. Controlando o Estreito, o Irão controla o abastecimento de energia a quase todo o mundo. Cerca de 25% do petróleo e do gaz mundial, saem pelo Estreito de Ormuz e não parece que Trump consiga evitar isso. Aliás, a guerra no Médio Oriente, foi provocada por Trump a pedido de Israel. Para quem quer acabar com as guerras todas, provocar mais uma não é, certamente o mais aceitável, seja para quem for. As negociações de paz que tanto reclama ao Irão, não são uma certeza de resolução do conflito para já. O Irão tem a faca e o queijo na mão, embora esta teimosia e confronto lhe seja altamente prejudicial economicamente. Que decisão vai tomar o Irão? E o Paquistão que serve de intermediário até onde vai apostar nesta paz?

Tudo são incertezas. Nada está á vista que leve à solução destes conflitos. No entanto, Trump continua todos os dias a dizer que as negociações estão no bom caminho e que a paz está próxima. Se o arrependimento matasse, ele estaria já morto. Como acreditar em quem hoje diz uma coisa e amanhã o seu contrário?

Proponha um artigo de opinião:
info@pressnordeste.pt
Abrir
Imagem do avatar
Written By
Redação