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Mercado Cereja&Co arranca com promessa de ano de excelência para o fruto

Mercado Cereja&Co arranca com promessa de ano de excelência para o fruto
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  • 12 de Maio de 2026, 09:34

A abundância de cereja marcou o arranque do Mercado Cereja&Co, que abriu portas na quinta-feira, no Lagar D’El Rei, em Alfândega da Fé, e que vai decorrer durante todos os fins de semana do mês de maio, reunindo produtores locais, gastronomia, cultura e animação.

A produção deste ano está a superar as expectativas dos agricultores, depois de campanhas mais difíceis. Luciano Silva, produtor de Bornes, fala num “ano muito diferente do ano passado”, com “muita, muita” cereja e um aumento significativo da produção.

O agricultor possui, atualmente, 17 hectares de cerejal e entre cinco a seis mil cerejeiras, continuando a reforçar o investimento na plantação. “Nos últimos cinco anos planto todos os anos entre 1500 a 2000 árvores”, explicou, sublinhando que a renovação das árvores “é essencial para garantir fruta de qualidade”.

Apesar da elevada quantidade de produção este ano, Luciano Silva admite que o calibre “poderá ser ligeiramente inferior” ao da campanha passada devido à abundância de fruto. Ainda assim, garante que o sabor e a qualidade da cereja se mantêm.

A cereja continua a afirmar-se como uma das grandes apostas agrícolas do concelho, embora os produtores enfrentem vários desafios. Entre eles, a dificuldade em garantir mão de obra suficiente para a apanha numa campanha curta e exigente. “O grande problema é a falta de mão de obra”, reconheceu o produtor, explicando que a cerejeira exige “muita manutenção ao longo do ano” e, depois, uma apanha rápida. “Se não tiver gente para apanhar, fica lá toda nas árvores”, lamentou, esclarecendo que, neste momento, se consegue remediar com a ajuda dos familiares e com algumas pessoas da aldeia.

Também Telmo Mesquita, presidente da Associação dos Comerciantes de Alfândega da Fé, aponta a escassez de trabalhadores como um dos maiores entraves ao setor. “Apesar deste ano termos um bom ano no que concerne à cereja, a falta de mão de obra está a ser um ponto bastante crítico junto dos produtores”, afirmou.

Segundo Telmo Mesquita, muitas famílias acabam por se organizar ao fim de semana para conseguir assegurar a colheita. “É uma época muito curta para a apanha e têm de ser aproveitados todos os dias para não deixar fruta nos pomares”, referiu, defendendo ainda políticas mais fortes de apoio ao interior para combater a desertificação e atrair trabalhadores.

O Mercado Cereja&Co decorre no Lagar D’El Rei, espaço que o presidente da Câmara Municipal de Alfândega da Fé, Eduardo Tavares, considera ser “a grande porta de entrada do concelho”. O autarca descreve o equipamento como um espaço dedicado “aos produtos endógenos, à gastronomia e à cultura”, onde ao longo do ano têm sido promovidas várias iniciativas temáticas ligadas ao território.

Eduardo Tavares revelou ainda que o espaço deverá acolher futuramente o posto de turismo do concelho, reforçando a dinâmica do Lagar D’El Rei enquanto ponto de promoção do território, dos produtores locais e da cultura transmontana.

Além da venda de produtos regionais, o Mercado Cereja&Co conta com uma programação cultural e gastronómica diversificada, funcionando também como antecâmara da Festa da Cereja&Co 2026.

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Written By
Carina Alves