“Não há nada como uma festinha”
Opinião

“Não há nada como uma festinha”

  • 29 de Abril de 2026, 09:40

Chegou a primavera e, com ela, chegou também a alegria e a felicidade à maioria das pessoas (sim, há sempre quem não ande bem disposto- eu, por exemplo). Mas a chegada do sol e das temperaturas mais altas (que não sou fã), trouxe também o regresso das nossas feiras rurais, que são parte da nossa identidade.

Num distrito cada vez mais esquecido, até pelos que de cá são naturais, a cultura e a tradição são muito importantes para dar vida aos territórios de baixa densidade, mas de alta intensidade (expressão muito utilizada pelo nosso deputado Nuno Gonçalves). E, para quem como eu, gosta de cultura e tradição, esta época do ano torna-nos felizes.

Confesso que muitas vezes, mais do que o aceitável até, sou questionado pelo porquê de me ter dedicado ao setor agrícola. Numa sociedade cada vez mais elitista e chique, ver exemplos de pessoas que trocam cidade pela aldeia é um autêntico ato de resistência e coragem, nem que seja só pelo facto de ter de aturar os queques que não sabem descascar uma batata tecerem considerações sobre algo que não entendem.

Há, nas nossas aldeias, exemplos claros daquilo que de melhor o nosso território tem. Para não dar o meu exemplo (ninguém é bom juiz em causa própria), falo-vos do meu amigo Luís Correia, da APIMONTE. O Luís fez de Vilarinho a aldeia de referência no que ao mel e ao alojamento local diz respeito. Hoje, Vilarinho é uma referência do turismo rural porque houve coragem de sair do sofá. E não foi só Vilarinho que ganhou. Toda a freguesia de Espinhosela é hoje uma referência no setor do turismo. Quer o património histórico, caraterístico de Cova de Lua, quer o turismo religioso que a Santa Rita atrai a Terroso, foi parte de uma estratégia que pensou o território como um todo e não se fechou em capelinhas. Como diz a música, juntos somos mais fortes. Mas não é só música, é mesmo verdade. No entanto, a ausência de uma grande feira na Freguesia de Espinhosela é aquilo que limita, por enquanto, a capacidade de crescermos mais. Exemplo disso, temos a Feira da Moimenta que celebrou 31 edições neste fim de semana. Centenas de pessoas “subiram” até ao alto para ver o que de melhor a nossa terra tem. Não falo dos produtos, falo do convívio.

Que bonito é ver aquela geração que tem a sorte de ainda não depender do telemóvel dizer “Há um ano que não te via”… “Estás como no ano passado”… Isto, ao som da nossa música de baile e com o fundo gastronómico caraterístico da nossa terra.

Com este artigo pretendo lançar um desafio aos nossos autarcas do meio rural. Combatam a ideia centralista de quererem festas só na cidade. As vossas populações precisam do vosso apoio. As aldeias têm vida, precisam é de orientação e incentivo. Não deixem cair em desuso aquilo que deu força aos territórios. A cultura e a tradição são o futuro das nossas aldeias. Porque, sejam honestos, não há nada como uma festinha. É ou não é?

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Redação