A Assembleia Geral da Santa Casa da Misericórdia de Bragança aprovou, por unanimidade, as contas da instituição relativas a 2025, com um resultado líquido positivo de mais de 466 mil euros. É a primeira vez em mais de 20 anos que a Santa Casa apresenta resultados líquidos positivos.
O provedor, Duarte Fernandes, assume que o resultado é fruto de uma gestão rigorosa. “O facto de termos um resultado positivo de 466 mil euros significa que nesse período de 2025 as receitas e as despesas foram compensadas. Isto não significa que tenhamos liquidez, que tenhamos esse dinheiro em caixa. Significa, por exemplo, que a dívida à fornecedora era 1,9 milhão e neste momento é 1,6 milhão. Sabe que já há uma diferença de 300 mil euros que se deduziram à dívida. Os encargos na banca, se calhar também sofreram uma diminuição de 100 ou 200. Mas esses 466 mil euros significa que houve uma gestão eventualmente atenta e mais rigorosa no que diz respeito às despesas, mas não ficámos com dinheiro em caixa para o gastar.”
Refere que se houvesse dinheiro para gastar seria para requalificar os lares da instituição. “Tenho instalações nos lares que também têm 40 ou 50 anos e não têm as condições que têm os lares construídos mais recentemente. Foram construídos com os materiais que havia à época e iam entrar, por exemplo, ao bom funcionamento porque, por exemplo, somos capazes de gastar 300 mil euros de gás por ano porque os edifícios são antigos, não têm isolamento térmico”, apontou.
Ainda assim, a Misericórdia de Bragança tem aprovado financiamento para alguns projetos. “Para obras de construção civil, que era uma necessidade. Para aí não temos nada previsto porque não temos dinheiro. E os PRR que temos aprovados, sensivelmente na volta de 1,2 milhões, é essencialmente para equipamentos. Estamos agora numa fase que é a remodelação da lavandaria, tem um bocadinho de construção civil, o resto é máquinas. Temos também equipamentos para adquirir para a Unidade de Cuidados Continuados, salvo erro no valor de 137 mil euros, lavandaria à volta de 400. Temos também equipamentos para o lar, o que foi na candidatura foi só um, também para equipamentos, pode ser para roupeiros, para mesas, cadeiras, sofás, esse tipo de coisas, e outros utensílios. E temos ali em andamento também a requalificação do Centro Infantil do Cinderela.”
Segundo a instituição, os resultados “refletem o empenho, esforço e resiliência dos colaboradores da instituição, bem como o trabalho desenvolvido pelos seus diretores e pela atual Mesa Administrativa, que assumiu funções em janeiro de 2024 com a exigente missão de promover a recuperação financeira da Santa Casa da Misericórdia de Bragança”.
