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“Trás-os-Montes vai ficar deserto”

“Trás-os-Montes vai ficar deserto”
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  • 6 de Novembro de 2013, 11:19

Até 2040 o Interior do País deverá ter menos um terço da população. Trás-os-Montes é uma das regiões que corre os risco de ficar deserta, caso as taxas de natalidade continuem a baixar.
A conclusão é de um estudo demográfico apresentado recentemente, que resulta do projecto DEMOSPIN, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. O estudo relaciona o crescimento económico com o crescimento demográfico e, a região transmontana, indica que tanto a produção como o emprego vai diminuir.
“Em 2030, a produção em Trás-os-Montes diminuirá 11,8%, face a 2010, enquanto no País haverá um crescimento de 0,8%”, revela o coordenador do projecto, acrescentando que “o emprego cairá 30%” na região.
Eduardo Castro, professor da Universidade de Aveiro, considera que o problema é sério, pois pode levar ao esvaziamento do Interior do País.
Por isso, alerta as entidades responsáveis para tomarem medidas, que só podem passar pela fixação de jovens. “Isto é um aviso aos decisores políticos do que irá acontecer se não se fizer nada. Nós só queremos dar estas informações aos decisores para que meçam a dimensão do fenómeno e tomem medidas para o contrariar”, refere Eduardo Castro. Para o investigador, “o grande problema do Interior do País é que não é capaz de reter os jovens, que são aqueles que podem fazer filhos a longo prazo. Por isso, a única forma de reverter esta situação é atrair pessoas qualificadas para trabalhar em Trás-os-Montes”.

“Não acredito”

Confrontado com este estudo, o presidente da Comunidade Intermunicipal de Trás-os-Montes classifica-o como “visionário da desgraça”. “Eu não acredito nesse estudo. Hoje o Interior do País já não é o que era porque tem capital humano, tem as rodovias e os equipamentos que precisava”, alega o autarca de Vinhais.
Américo Pereira acredita que, ao nível demográfico, a tendência será de crescimento. “Há sinais claros de que a população quer voltar para o Interior e fixar aqui a sua residência e exercer aqui a sua profissão”, refere. Para o presidente da CIM, “Portugal está farto de estudos e, por isso, não dou qualquer valor a este, porque é como as previsões meteorológicas para daqui a um ano”, conclui.

Destaque
O presidente da Comunidade Intermunicipal de Trás-os-Montes critica este estudo, classificando-o como “visionário da desgraça”

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Redação