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“Quem é que podia contestar um líder regional eleito?”

“Quem é que podia contestar um líder regional eleito?”
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  • 6 de Novembro de 2013, 11:29

Jornal Nordeste (JN) – Está a terminar dois anos de mandato na Comissão Política Distrital do PSD. Recandidata-se ao cargo?
José Silvano (JS) – Já fiz dois mandatos e, segundo os estatutos só posso fazer três, pelo que posso fazer mais um. Tenho vindo a auscultar a comissões concelhias, que são as principais protagonistas do distrito, para gerar consenso à volta da minha candidatura e, pelos apoios que tenho recolhido, serei candidato outra vez.
Quero continuar a dar apoio aos presidentes de Câmara na resolução de alguns problemas que o governo central não resolve, a contestar algumas das medidas, porque eu sou assim, contesto algumas das medidas se vejo que elas não servem os interesses do nosso distrito, independentemente de quem estiver no Governo.

JN – Houve algum resultado eleitoral que o tenha surpreendido nas últimas Autárquicas?
JS – Quando comecei esta luta, há dois anos, lembro-me que toda a gente dizia que isto ia ser o mandato do sacrifício autárquico, porque com as medidas que o Governo estava a tomar e a substituição de seis autarcas em final de mandato, toda a gente dizia que estavam reunidas as condições para o PSD apanhar um tombo enorme no distrito a perder Câmaras, para ser um verdadeiro massacre!

JN – Mas, na realidade, foi precisamente o contrário?
JS – Sim, tivemos mais cautela e mais margem de escolha no processo autárquico. A distrital teve maior poder de decisão do que nas anteriores eleições autarquicas, onde se deixava as concelhias escolher sem qualquer interferência. Nós dissemos logo que onde achássemos que os candidatos não eram vencedores, iríamos interferir. Também fomos mais cautelosos a avaliar a notoriedade que os candidates tinham nos próprios concelhos e, neste processo, socorremo-nos de estudos de opinião de empresas com credibilidade a nível nacional.
O processo de escolha correu-nos bem e depois os candidatos corresponderam com trabalho e com dedicação ao. Tivemos surpresas positivas como Moncorvo e Freixo, embora uma delas não fosse completamente surpresa. Falo de Moncorvo, que há quatro anos já esteve perto de ganhar, e desta vez consegui-se. Em Freixo não escondo que foi completamente inesperada a vitória, mas também tivemos surpresas negativas, como no caso de Mogadouro. Estou farto de dizer que, se me perguntassem a seis meses de eleições autárquicas qual era o concelho que tinha a certeza absoluta que ganhava, eu diria Mogadouro, até pela transição que foi feita e pela união que se criou entre os dois protagonistas do concelho e pelo que tinha feito a Câmara anterior em termos de gestão.

JN – Há casos, nomeadamente Moncorvo, onde a Distrital impôs o nome do candidato. De certo modo é uma vitória pessoal?
JS – Houve uma preocupação de acompanhar este processo pelo presidente da Distrital. Nem foi bem o orgão, era o presidente da Distrital que acompanhava estes processos, porque às vezes há gente que faz muito barulho e arranjam-se atritos. Tínhamos um candidato que há quatro anos ficou a 104 votos de ganhar a Câmara e, de facto, tivemos que concluir que o candidato da Concelhia não reunia as condições para ganhar a Câmara. Fizemos-lhe ver isso com um estudo de opinião isento, mas mesmo assim a Concelhia não recuou e nesta situação só havia que tomar uma medida. Ou se ia para a frente com aquele presidente e nós achámos que não era a melhor, pois o estudo de opinião dava aquela candidatura como perdedora. Se assim era, tínhamos que escolher uma vencedora e aí tivemos os atritos que foram necessaries. Felizmente as coisas serenaram mais um bocado em Moncorvo e a dinâmica da candidatura que se tornou vencedora, apagou muitas dessas circunstâncias. Agora o que é verdade é que se não tivessemos interferido podíamos ter um problema ali. Houve um trabalho de base em alguns concelhos para evitar quezílias entre os militantes e as várias facções do partido. Portanto o nosso trabalho foi mais esse, acompanhar de maneira a não perturbar o processo eleitoral e conseguimos isso até pela minha experiência autárquica. Vinte anos como autarca dão a experiência necessária para perceber de onde vêm os problemas e como podem surgir os conflitos.
É evidente que os candidatos são os principais responsáveis pelas vitórias, mas há uma valorização que é preciso fazer: se a nível nacional isto correu mal ao PSD, fruto das políticas governativas, é evidente que se em Bragança correram bem é porque houve interferência nos objectivos de trabalho para resolver os problemas.

JN – E em Bragança, sei que também rteve responsabilidade na escolha de Paulo Xavier para a lista de Hernâni Dias. Considera que Paulo Xavier era umna peça chave para alcançart a vitória?
JS – Não digo que foi chave, porque chave é o candidato e o presidente. Agora que ajudou a esta vitória, que ajudou a juntar o urbano e o rural e a fazer aqui um determinado consenso, isso é inquestionável.
O problema que podia surgir em Bragança era que no início anunciavam-se muitas guerras na escolha dos candidatos, eventualmente nas posições a tomar pelos grupos do partido em Bragança. Por isso, tinha-se que se trabalhar a nível local, distrital e nacional para que toda a gente entendesse que era preciso consenso, mesmo que para isso alguém tivesse que ficar de fora. Acho que se conseguiu uma plataforma vencedora, ao respeitar a escolha do partido ao nível concelhio e o candidato à Câmara, Hernâni Dias, que tinha o apoio do presidente da Câmara da altura, Jorge Nunes. Depois tentamos que houvesse figuras como o Paulo Xavier, que de alguma forma não estavam nesta estratégia consensual a determinada altura, e acho que isso fez com que se unissem as várias facções.

JN – Alguma vez pensou que a vitória ia ser tão expressiva?
JS – Em termos de resultado final nunca tive dúvidas. Se houve concelho onde os estudos de opinião davam mais ou menos uma vitória antecipada, entre os 42% a 45%, era Bragança. Portanto não foi uma surpresa. Vamos ser realistas: Bragança capital de distrito, foi das vitórias mais significativas, porque o resultado de Bragança com a população que tem, a urbanidade que tem e o desgaste que podia ter, teve uma expressão perfeitamente consolidada. Se somarmos a isto a vitória clara em Mirandela, podemos dizer que o PSD, além de ganhar câmaras, ganhou aquelas onde a população urbana era maior, e com maioria absoluta.
Em Macedo ganhou-se com dificuldades porque temos que ver que, há quatro anos, a vitória foi do PSD e do CDS, em coligação. Eu acho é que o PS não conseguiu ultrapassar o resultado que teve há quatro anos para poder ganhar a Câmara. A grande diferença em Macedo foi a divisão do PSD e do CDS, que concorreram separadamente.

JN – Há muita gente que o considera o único líder regional. Ouvia-se muito isso quando era presidente da Câmara de Mirandela. Concorda?
JS – Isso porque em Mirandela havia três ou quatro bandeiras que soubemos levantar e assustar o Governo. As pessoas hoje já não se lembram, mas antes disso Mirandela esteve para ficar sem a sede da Direcção Regional de Agricultura, sem o hospital distrital e sem a PSP, mas em vezas disso a direcção regional passoiu a ser do Norte em vez de ser só de Trás-os-Montes. A PSP teve edifício novo, o Politécnico teve cantina e vai ter uma escola própria.
O que me deu força em Mirandela não era eu dizer, era a população que correspondia aos milhares na rua para contestar o Governo. Hoje algumas das lutas que se estão a travar não têm tido o mesmo sucesso. Primeiro porque as questões financeiras são diferentes, temos que ser realistas, mas também porque a população não tem acompanhado as lutas na rua, porque não vai sozinha, é preciso alguém que conduza estas lutas. Esperamos que agora as Comunidades Intermunicipais tome conta destes processos, porque se os autarcas estiverem unidos e começarem a defender as pessoas aí não tenho dúvidas que as lutas terão outro resultado. Pode haver governos insensíveis, uns mais e outros menos, mas têm todos receio quando as populações se juntam às suas reivindicações.

JN – Está a faltar força para travar a retirada do helicóptero do INEM de Macedo de Cavaleiros?
JS – Não tenho dúvida, e não estou a falar só do helicóptero, mas também das Finanças e dos Tribunais. Não tenho dúvida que só quem puser estas preocupações em conjunto com o abandono do território e uma desertificação total do interior, consegue a adesão das pessoas. Mas tem que ser a tal pessoa representativa e com legitimidade que possa advir agora da constituição das Comunidades Intermunicipais, sempre com o apoio dos partidos, como é evidente.

JN – Isso já que não há regionalização, nem líderes regionais…
JS – É evidente que sim. Por isso é que os governos nunca a quiseram fazer. De facto têm receio que, havendo líderes regionais que representem a população, tenham muitas mais dificuldades em fazer determinadas políticas de esvaziamento de território do que hoje fazem.

JN – Acha que os governantes têm medo de criar outros “Alberto João Jardim” no país ?
JS – Eles dizem isso no sentido negativo, mas eu acho que o Alberto João Jardim também pode ser visto pelo lado positivo, pelo nível de desenvolvimento da Madeira e pelos fundos que teve ao longo destes trinta anos. Isso deve-se à pressão do Alberto João Jardim e que ninguém tenha dúvidas sobre isso. Nós não temos a mesma dimensão da Madeira, mas bastava um líder rectificado pelo povo com legitimidade de representação de toda a região para ter uma força enorme nestes processos. Quem é que podia contestar um líder regional eleito, quem? Os presidentes de Câmara só são eleitos em cada concelho e se ultrapassam as fronteiras do seu município já se estão a meter no concelho do outro. Depois um defende uma coisa, mas o outro tem outra coisa ao lado e não está para a perder. Estas questões só podem ter sucesso se forem supramunicipais.

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TSD apoiam recandidatura

O Secretariado Distrital de Bragança dos Trabalhadores Social-Democratas (TSD) manifesta total apoio à recandidatura de José Silvano à Comissão Política Distrital do PSD. “Nós entendemos que, após esta vitória autárquica e considerando a forma escrupulosa como o Dr. Silvano soube coordenar todo o processo, em colaboração com as concelhias e com a voz reivindicativa que tem assumido desde há quatro anos, a sua manutenção é extremamente importante para que o PSD se continue a revitalizar”, refere o dirigente dos TSD, João Paulo Castanho.
O responsável salienta que o apoio ao actual líder é inequívoco. “Não vislumbramos nenhum elemento negativo que pondere uma candidatura adversa”, alega o dirigente.
O prazo para a apresentação de candidaturas termina no final desta semana.

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“Nós dissemos logo que onde achássemos que os candidatos não eram vencedores, iríamos interferir. Também fomos mais cautelosos a avaliar a notoriedade que os candidates tinham nos próprios concelhos e, neste processo, socorremo-nos de estudos de opinião de empresas com credibilidade a nível nacional”

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“Os Governos têm receio que, havendo líderes regionais que representem a população, tenham muitas mais dificuldades em fazer determinadas políticas de esvaziamento de território do que hoje fazem”


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