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“Partidelas” de outros tempos

“Partidelas” de outros tempos
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  • 26 de Novembro de 2013, 10:11

O sol quente de Outono, depois de almoço, convidava a uma sesta, mas foram muitos, novos e velhos, que quiseram reavivar a tradicional “partidela da amêndoa”. Noutros tempos, a amêndoa era partida ao serão, depois de jantar, pela noite dentro. A evolução e as novas tecnologias ditaram-lhe o fim, ao ponto do Museu do Ferro ter deitado mãos à obra, numa tentativa de perpetuar o que foi o passado daquela terra e daquelas gentes.
O início da actividade estava marcado para as 14:30 horas, mas a essa hora já havia malgas cheias de grão de amêndoa e as duras cascas já atestavam os cestos de vime. Foram muitos, dos oito aos oitenta, que se reuniram à volta das mesas, colocadas numa sala do museu, para participar na actividade que, sendo nova para uns, serve para matar alguma saudade aos outros. Sim, que o trabalho também deixa saudades, sobretudo quando faz lembrar que ali se arranjaram bons namoricos.
Entre risos e o som do bater dos ferros, Silvina Pinto, natural da Lousa, conta como se partia a amêndoa no quentinho do serão. “Juntava-se toda aldeia, havia tempo para bailarico e para namorico, era Inverno, estava frio e tínhamos que nos aquecer”. Manuel Queijo, filho de agricultores, também natural daquela freguesia, mostra-se saudoso. “Era uma alegria, partia-se muita amêndoa, bebia-se e comia-se. Olhe dançávamos madrugada dentro, tenho muitas saudades desse tempo”, recorda.
Malhadouros de outros tempos
A jovem Catarina Costa, natural de Torre de Moncorvo, quis conhecer de perto a actividade que lhe era retratada em histórias pela avó. “A minha avó contava-me, quando eu era criança, que a partidela da amêndoa reunia um misto de sensações boas. Trabalhava-se mas também se ria e convivia muito”, conta a jovem, enquanto partia amêndoa sem o ritmo dos veteranos nestas andanças.
Há muito que as máquinas substituíram os chamados “malhadouros” na “partidela”, ou como dizem os bons transmontanos, na “escacha” da amêndoa. O objectivo desta iniciativa foi “proporcionar um momento de confraternização, recriar a tradição e homenagear aqueles que, noutros tempos, partiam amêndoa”, explicou a vereadora da Câmara Municipal de Moncorvo.
A animação esteve a cargo da Tuna Lusa e do Grupo de Teatro Alma de Ferro. Como manda a tradição, no final serviu-se uma merenda tradicional com produtos regionais, onde a doçaria de amêndoa deliciou os presentes.
Destaque
“Juntava-se toda aldeia, havia tempo para bailarico e para namorico, era Inverno, estava frio e tínhamos que nos aquecer”

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Redação