Faltam trutas nos rios do Nordeste
O repovoamento de trutas no nordeste transmontano mudou de paradigma. Nos
anos 90, com o viveiro das trutas de Castrelos e do Prado Novo, em França, ambos no concelho de Bragança, em pleno funcionamento, milhares de trutas eram lançadas regularmente aos rios e pescadas pelas associações de pescadores. Uma realidade que deixa saudades aos pescadores e que os investigadores e biólogos da área consideram que não faz sentido nos dias de hoje.
Uma mudança que se materializa no Plano de Ordenamento do território do Parque de Natural de Montesinho, da responsabilidade do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF). “ Os repovoamentos são contraproducentes porque promovem a disseminação de pragas e doenças, causando perturbação no equilíbrio natural entre as populações selvagens e as
patologias. Considera, ainda, que os riscos são excessivamente elevados para resultados que também podem ser obtidos através da adequada gestão de habitats, pelo que mantém a interdição”, pode ler-se no documento do ICNF.
Pescadores querem acompanhar repovoamento Orlando freixo tem 59 anos e é pescador desde criança. Faz parte da Associação Recreativa e Ambientalista de Caça e Pesca de Alfaião. No passado dia 28 esta associação realizou a última actividade de pesca, no Rio Penacal, em Alfaião. O pescador afirma que foi o que pescou mais peixes mas mesmo assim pescou apenas seis
trutas. Um número que não agrada a Orlando Freixo que se recorda da abundância de peixes nos rios do distrito. O pescador considera que têm de ser tomadas “medidas drásticas e repentinas”, de forma a que não se esgotem as trutas selvagens. “Conheço bem estes termos, desde pequeno que vinha à pesca com o meu pai, tanto para Alfaião como para a zona de França e Montesinho e têm-se vindo a degradar as condições dos rios. Isto está a piorar dia após dia. O povo devia acompanhar o repovoamento”, frisa.
Para poder pescar nesta actividade relacionada com um almoço solidário a favor da Cruz Vermelha, houve um repovoamento com trutas vindas do posto Aquícola de Castrelos, recentemente recuperado.

