Sociedade

Graça Morais doa uma centena de obras ao Centro de Arte Contemporânea

Graça Morais doa uma centena de obras ao Centro de Arte Contemporânea
Imagem do avatar
  • 22 de Outubro de 2019, 11:15

A pintora Graça Morais considera que Bragança é a sua cidade, uma vez que foi aqui que cresceu e estudou, e, por isso, sentiu que estava na altura de “doar à sociedade” uma parte daquilo que sabe “criar melhor”. “Faço isto de uma forma muito espontânea”, salientou a artista, dizendo que se sentia na “obrigação” de oferecer aos brigantinos as suas obras. As pinturas e desenhos oferecidos são de elevada importância na colecção de Graça Morais e representam várias fases do seu percurso artístico. Mas há uma obra que se distingue das restantes. A legenda do quadro é “sem título”, com o intuito de não limitar a imaginação do ser humano e para que “a pessoa encontre nele um pouco do seu mundo” e “continue a existir e a aperfeiçoar- -se na cabeça de cada um que o observa”. Tudo começou quando a pintora assistiu à apanha da azeitona e observou as mulheres a apanharem o fruto para dentro das cestas. “Eu achei que aquelas mulheres se misturavam tanto com a terra que eu cheguei a pensar que elas também eram a terra. Então o desenho é uma indefinição do corpo delas, porque se misturavam completamente com a terra”, explicou. Esta obra é uma “prenda de Natal” de Graça Morais para o Centro, devido à importância que tem na sua colecção. “Achava aquele desenho tão importante na minha colecção que o ofereci, mas com dificuldade e acho que são as ofertas que se valorizam mais”, contou. “Generosidade” foi como Fernanda Silva, vereadora da câmara de Bragança, caracterizou o gesto da artista. “Demonstra bem o seu amor e o seu afecto por este espaço, que é dela, é do município e é de todos os brigantinos”, acrescentou. O espólio foi apresentado, no sábado, e vai estar patente até Maio do próximo ano. Durante a sessão Graça Morais referiu que o Centro de Arte Contemporânea de Bragança está a ser “considerado um exemplo de sucesso”, em termos “arquitectónicos”, “museológicos”, de “animação” e “critério de qualidade”. Aproveitou ainda para destacar o trabalho que tem vindo a ser feito pela autarquia. “Há espaços maravilhosos no nosso país que, por desentendimentos, fecham as portas e depois ninguém vê o espólio, mas eu tenho a certeza que aqui em Bragança, para lá da minha existência, de certeza que as próprias pessoas da cidade vão exigir que este espaço continue aberto”, concluiu.


Proponha um artigo de opinião:
info@pressnordeste.pt
Abrir
Imagem do avatar
Written By
Redação