A geopolítica e o impacto nos mercados financeiros
Num contexto global cada vez mais incerto, é essencial enquadrar os investimentos financeiros. Momentos de maior tensão geopolítica, como os que vivemos atualmente, tendem a traduzir-se em grandes oscilações nos mercados, o que pode criar dúvidas ou reações impulsivas nos investidores.
Neste período, mais do que nunca, é importante compreender o enquadramento, reforçar a visão de longo prazo e garantir que as decisões financeiras continuam alinhadas com os objetivos de cada investidor.
Perante a escalada do conflito no Médio Oriente, do ponto de vista económico, o principal impacto verifica-se no mercado energético, sobretudo devido ao encerramento, ainda que parcial do Estreito de Ormuz e às consequentes limitações no transporte de gás e petróleo, que provocam um choque da oferta no comércio global.
Assim, devemos considerar dois cenários: um cenário de curta duração, com estabilização relativamente rápida dos mercados, após um pico temporário no preço do petróleo; um cenário mais adverso, prolongado, com a subida acentuada dos preços da energia, correções nos mercados acionistas e perturbações duradouras nas cadeias de abastecimento, com impacto na inflação e no crescimento económico global.
Segundo o Citibank, “cada subida de 10% no preço do petróleo poderá acrescentar cerca de 0,2% à inflação global”. Neste momento, o Brent, principal referência do preço do petróleo na Europa, ultrapassou os 100 dólares por barril; a 22 de março de 2026, estava nos 111,74 USD.
Neste cenário geopolítico, o que fazer?
Em períodos de maior volatilidade, os investidores devem evitar decisões precipitadas, como os resgates antecipados ou o adiamento de investimentos já planeados.
Historicamente, os mercados tendem a recuperar ao longo do tempo. Assim, maximizar o tempo de permanência tem-se revelado uma das abordagens mais consistentes.
Os investidores com maior tolerância ao risco poderão encarar estes períodos como oportunidades para reforçar posições, beneficiando de eventuais correções de mercado. Contudo, quem privilegia a preservação do capital e rendimento deve optar por soluções mais estáveis, optando por produtos financeiros, com garantia de capital e juro.
Em qualquer dos casos, a resposta a estes contextos deve sempre ter em conta o perfil de cada investidor, mas é fundamental evitar decisões impulsivas que originem perdas.
As estratégias diversificadas e orientadas para o médio/longo prazo tendem a demonstrar maior resiliência em contextos de incerteza, como a que atualmente atravessamos.
