Sociedade

Cinquenta estafetas de Bragança em greve por melhores condições de trabalho

Cinquenta estafetas de Bragança em greve por melhores condições de trabalho
  • 24 de Março de 2026, 12:27

Os estafetas de Bragança fizeram greve durante dois dias, para reivindicar melhores condições de trabalho. Aderiram cerca de 50 estafetas, que paralisaram o serviço de entregas na cidade durante os dois dias.

Vítor Lima, um dos organizadores da greve, contou que as plataformas aumentaram o número de estafetas e reduziram em 40% a remuneração por quilómetro das entregas. “A greve é fruto de um descontentamento que se fortaleceu agora no início do ano, mas que já se vem a arrastar há pelo menos um ano, através de um movimento das plataformas. E o que é que elas fizeram? Elas duplicaram o número de contas de estafetas na cidade, mas ao mesmo tempo reduziram em 40% a remuneração por quilómetro das entregas”, revelou.

O representante deu um exemplo. “Um estafeta estava a quatro quilómetros de distância do Burger King e a plataforma calculava que ele só estava a meio quilómetro de distância de lá. Era uma entrega de pelo menos sete ou oito oito quilómetros e a plataforma queria pagar apenas 2,50 euros por essa entrega. Ou seja, em questão de manutenção e gasolina, acaba por ser, na realidade, uma entrega que o estafeta tem mais prejuízo do que lucro”, alertou. Mas há ainda outro problema: a criação de contas falsas. “Não há também nenhum controlo a respeito de contas falsas, desses novos estafetas que entraram. Há estafetas que têmduas a quatro contas na mesma plataforma. Isso não só prejudica a remuneração, mas também a segurança até do próprio utilizador da plataforma”, disse o representante.

O objetivo da greve é que “as plataformas indiquem um representante para falar conosco e que façam um recálculo certo da remuneração desses pagamentos”, explicou Vítor Lima, que salientou o lucro das empresas envolvidas. “Talvez os usuários da plataforma não imaginem o quanto essas plataformas ganham, mas, por exemplo, só a Glovo, pelo menos por dia em Bragança, faz tranquilamente cinco a seis mil euros de faturamento por dia na cidade. É uma cidade pequena, mas que tem um grande número de pedidos”, contou.

A greve aconteceu nos dias 19 e 20 de março e concentrou-se junto ao McDonald’s de Bragança.


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Written By
Rita Teixeira