Vida e obra de escritores da região foram tema das jornadas culturais de Balsamão
Sobre o escritor, que também foi magistrado e político, nascido em Ju – nho de 1861, em Mogadou – ro, Fernando Machado, que conduziu a conferência so – bre o autor de “Os Meus Amores”, acredita que ain – da muito há por conhecer. Para o docente da Univer – sidade do Minho, também nascido em terras de Moga – douro, as mágoas de Trin – dade Coelho, que acabaram por ser um “caldo” que o le – varia a cometer, em 1908, o suicídio, são dos pontos mais desconhecidos e não menos interessantes do autor. “Estou a juntar alguns elementos para publicar uma pequena obra sobre as mágoas de Trindade Coe – lho, porque foi um homem que passou uma vida muito magoada”, começou por ex – plicar o docente que diz ter a “impressão” de que “ainda não se conhece suficiente – mente o conterrâneo” e Mo – gadouro devia ser a “base” da difusão e do maior co – nhecimento do escritor. Deixando de parte o que acredita ser o mais comen – tado e conhecido do escri – tor, a sua vertente literária, sobretudo “Os Meus Amo – res”, Fernando Machado reportou-se ao mogadou – rense para o dar a conhecer como um homem situado e comprometido. Situado porque “apesar de ter vivi – do pouco tempo em Moga – douro nunca deixou de ter esta referência, sendo que a quase totalidade dos contos aí são passados” e compro – metido porque foi um ho – mem “muito ligado à am – biência política”, vivia à sua altura, e estando encarre – gado de vigiar as publica – ções que saiam em Lisboa, sobretudo em jornais, aca – bava por viver numa “con – tradição” porque, tendo um “espírito democrático”, es – crevia contra as leis que fa – zia aplicar. Campos Monteiro, es – critor, médico, jornalista e político, nascido em Torre de Moncorvo, em Março de 1876, outro dos mais conhe – cidos nomes do distrito no mundo das letras, também mereceu destaque no penúl – timo dia das jornadas atra – vés do seu conterrâneo Jo – sé Firmino Ricardo. O in – vestigador no Centro de In – vestigação Transdisciplinar “Cultura, Espaço e Memó – ria” acredita que nomes co – mo o de Campos Monteiro deviam fazer parte da rea – lidade no ensino português que andará “sempre” à vol – ta de “meia dúzia” de nomes. Acreditando que o le – que de escritores com “qua – lidade” é “vasto”, olhando para os que vêm já de sécu – los anteriores, mais precisa – mente, XIX e XX, o “grande apogeu” do romance, refe – re que há vários nomes que deviam ser estudados e me – reciam que os professores do secundário tivessem “li – berdade” de escolha nesse aspecto. “Durante o Estado Novo, na escola, estudava – -se Campos Monteiro, mas com a revolução de Abril esses escritores malditos fo – ram riscados e é preciso se – parar as coisas, uma coisa é a arte e outra são as ideias”, explicou. José Firmino Ricardo é ainda responsável pelo pri – meiro estudo de fundo sobre Campos Monteiro: “Domus Mea est Orbis Meus”, publi – cado em 2012. “Sendo ele tão importante, foi um dos es – critores mais lidos no princí – pio do século XX, decidi pe – gar em papéis dispersos, em várias documentações, que não estavam trabalhadas, e fiz uma investigação, que deu num livro”, confirmou As jornadas, que come – çaram na quinta-feira e ter – minaram domingo, tive – ram a organização a cargo do Centro Cultural de Bal – samão e das autarquias de Macedo de Cavaleiros e de Mogadouro. Além de A. M. Pires Cabral, as sessões lem – braram ainda nomes como os de Guerra Junqueiro, de Freixo de Espada à Cinta, e Miguel Torga, de São Mar – tinho de Anta, Sabrosa.
