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Artesão transforma pedaços de madeira em máscaras ancestrais

Artesão transforma pedaços de madeira em máscaras ancestrais
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  • 12 de Dezembro de 2014, 10:19

Desde criança que tem queda para transformar madeira. Carlos Ferreira divide hoje o tempo entre a Delegação de Bragança do Turismo Porto e Norte de Portugal, onde trabalha, e o seu atelier onde cá corpo às máscaras, em Sendim, onde passa o tempo livre.
Carlos Ferreira abriu-nos as portas do seu espaço de trabalho para mostrar o que está por detrás das máscaras.
“Estou a fazer uma série de máscaras que me encomendaram. São máscaras em cortiça virgem. Porque é importante nós sermos capazes de usar os materiais que temos aqui na região”, sublinha o artesão.
Carlos Ferreira recorda o ritual de 13 de Dezembro, que é o Dia de Santa Luzia, em que o Velho e a Gualdrapa saem à rua em S. Pedro da Silva (Miranda do Douro), que usa máscaras em cortiça.
O artesão mostra, entretanto, outras máscaras características de rituais da região. “Tenho aqui esta máscara que está quase acabada, falta lixar, depois fazem-se uns floriados com a navalha. Uma máscara destas pode levar entre 15 a 30 horas a fazer. Algumas têm os cornos como um veado. Esta é em choupo, mas costumo trabalhar todas as madeiras que existem aqui na região, como amieiro, carrasco, cerejeira, zimbro, amoreira, carvalho, e também faço muitas máscaras com cabaças”, conta Carlos Ferreira.
Carlos Ferreira senta-se, mas antes de meter mãos à obra lembra que é preciso ir à procura da madeira. Depois é dar asas à imaginação e esculpir ao pormenor cada uma das máscaras.
“Depois trago um tronco para o atelier e começo por tirar-lhe as partes mais grossas com uma motosserra. Depois sento-me nesta cadeira e aqui começo a dar forma à máscara. Começo com um enchó, que já era do meu bisavó, serve para devastar, depois trabalho essencialmente com martelo e goiva”, exemplifica.

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Redação