Milhares de pessoas à volta do canhoto em Cidões
É num ambiente mágico e ao mesmo tempo místico que as pessoas provam a cabra e se aquecem ao canhoto na aldeia de Cidões, em Vinhais.
A viagem até esta pequena localidade, onde residem diariamente cerca de 18 pessoas, fez-se na noite do passado sábado pela habitual estrada que foi decorada a preceito com velas. E chegamos à Festa da Cabra e do Canhoto, onde uma multidão sente o espírito desta tradição que marca a entrada na época escura, depois do pôr-do-sol e da ascensão da lua.
Tudo começa com a degustação do manjar da festa: a cabra cozinhada nos tradicionais potes de ferro, bem regada com o vinho da terra.
Para quebrar o frio do cair da noite, o druida prepara a queimada, acompanhado pelas deusas celtas. Esta bebida queima a má sorte que as pessoas têm durante o ano e é mesmo considerada “a bebida dos deuses”.
A animação é uma constante. Os gaiteiros, os homens do fogo e a música celta encarregaram-se de animar os visitantes, que iam dividindo o tempo entre os comes e bebes e em conversas à volta do canhoto em chamas.
A magia continua com momentos de dança protagonizados pelas deusas celtas. Maria João Pereira vestiu a pele de rainha celta e conta que estas danças são uma demonstração daquilo que é a tradição desta festa.
“São o ritual que antigamente os celtas dançavam, como os jogos de roda, para agradecerem aos deuses as boas colheitas que tinham tido e as novas colheitas que iriam vir”, explica a deusa celta.
O ponto alto é mesmo a queima do cabrão. O animal gigante foi construído pelos alunos do Agrupamento de Escolas de Vinhais e nesta noite fica desfeito em cinzas.
A organização está a cargo da Associação Raízes de Cidões, que este ano contou com o apoio da Câmara Municipal e do Agrupamento de Escolas de Vinhais.
