“Foram até colocados professores a mais”
Em entrevista ao Jornal NORDESTE, a directora do Agrupamento de Escolas Abade de Baçal, Teresa Sá Pires, confessa que as instalações das escolas são cada vez mais exigentes na sua manutenção, o que exige uma ginástica no orçamento. A directora fala ainda do aumento da competitividade entre agrupamentos e da crescente procura do ensino profissional nas escolas secundárias.
Jornal Nordeste (JN)- O Agrupamento Abade de Baçal já tem todos os professores e assistentes operacionais necessários?
Teresa Sá Pires (TSP)- No concurso das necessidades transitórias que ocorreu no mês de Agosto, foram colocados todos os docentes necessários. Foram até colocados professores a mais. È uma situação que a Direcção-Geral da Administração Escolar (DGAE) terá que resolver porque estão a ser colocadas pessoas, em vários agrupamentos, em horários que não foram postos a concurso. Relativamente aos assistentes operacionais, achamos sempre que nos fariam falta mais, mas temos os suficientes para dar resposta às nossas necessidades.
JN- Quais são os principais constrangimentos na gestão deste agrupamento?
TSP – Nós temos uma realidade da qual não podemos fugir que é a diminuição do número de alunos. Essa situação, aquando da distribuição de turmas e do serviço lectivo do corpo docente, causa algumas dificuldades e às vezes causa também constrangimentos aos directores, que são os responsáveis por essa distribuição.
JN- Considera que a constituição de mega agrupamentos é favorável ou prejudicial para a aprendizagem dos alunos? Acha que aumentou a competição entre as escolas ao nível da captação de alunos?
TSP – Ao contrário de alguns colegas meus, não sou contra a agregação das escolas em agrupamentos. Acho que traz muitos benefícios, porque permite que os alunos frequentem todos os ciclos no mesmo agrupamento, acompanhados dos seus colegas e docentes. O trabalho em si, a prática lectiva e a aprendizagem dos alunos acho que não fica em nada comprometida. O que dificulta um pouco o trabalho, por vezes, é a dispersão das escolas.
A constituição dos três agrupamentos veio aumentar e exacerbar a competição entre os mesmos. Não sou da opinião que os alunos sejam tratados como mercadoria, como já foi dito, mas é evidente que, às vezes, se perde um pouco a noção da realidade. Isso nota-se pelos rumores que são postos a funcionar dizendo que determinada escola de determinado agrupamento vai fechar, que não tem alunos e que não vale a pena inscrever alunos ali… São pequenas coisas que em nada contribuem para uma boa convivência entre nós.
(Ler artigo na íntegra na versão impressa do Jornal Nordeste)
