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Números alarmantes de violência na mulher idosa

Números alarmantes de violência na mulher idosa
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  • 16 de Dezembro de 2013, 10:00

Em Portugal quatro em cada dez mulheres idosas são vítimas de violência doméstica. Preocupada com este problema, a Liga dos Amigos do Centro de Saúde de Alfândega da Fé (LACSAF) promoveu um seminário onde apresentou alguns números resultantes do projecto “Prevenir a Violência na Mulher Idosa”, referentes ao distrito de Bragança.
Das 1049 mulheres inquiridas pelo projecto, com 65 ou mais anos, 698 ou seja 66,5 por cento sofrem de algum tipo de violência.
“Efectuamos 1049 questionários e chegamos a uma conclusão drástica. Também verificamos que, destas 698 mulheres, 71,3 por cento indicaram abuso emocional seguido de negligência e abandono com 63 por cento, abuso financeiro com 18, 8, abuso físico com 7,7 e abuso sexual com 7, 3 por cento”, descreve a coordenadora do projecto, Maria Jacinto.

Vila Flor lidera

Segundo este estudo, Vila Flor é o concelho com mais indicadores de abuso seguido de Freixo de Espada à Cinta, Vimoso, Mirandela, Macedo de Cavaleiros, Carrazeda de Ansiães, Miranda do Douro, Torre de Moncorvo, Mogadouro, Vinhais, Bragança e por último Alfandega da Fé.
A psicóloga do Núcleo de Atendimento e Apoio à Vítima do distrito de Bragança, Teresa Fernandes, considera este aumento dramático e diz que este é um crime invisível à sociedade. “A vítima não denuncia, a sociedade também não o faz porque faz parte de uma cultura de tolerância à violência e portanto é um crime muito encoberto”, refere.

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Desemprego agrava número de ocorrências

O desemprego vivido nesta altura de crise está a contribuir para fazer aumentar os números da violência doméstica no distrito de Bragança. Os dados foram avançados durante o II Seminário de Investigação e Práticas da Intervenção na Violência Doméstica, que decorreu em Bragança.
No ano passado, o Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência Doméstica do distrito de Bragança acompanhou 297 casos, dos quais 191 eram novos. Este ano ainda não há dados contabilizados, mas a coordenadora acredita que vão ser ultrapassados porque as pessoas denunciam mais e estão menos tolerantes à violência.
“A falta de recursos económicos e as dificuldades na gestão da economia doméstica, potencia factores de conflito, para além do tempo em que homem e mulher passam em casa por estarem desempregados”, refere Teresa Fernandes.
As crianças são outras das vítimas. A presidente da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Bragança, Anabela Martins, revela que o número de casos também tem aumentado ligeiramente. “Neste momento estamos a acompanhar cerca de 80 casos, a maioria por negligência, mas também há casos de exposição à violência doméstica, em que as crianças não são vítimas de agressão, mas assistem à violência entre os pais”, explica a responsável.

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Redação