Esta aí mais uma Festa da Cabra e do Canhoto
A festividade já se tornou num marco cultural e festivo do concelho de Vinhais , atraindo a cada ano um maior número de visitantes, ávidos por entrar num “mundo” surreal, carregado de misticismo, num misto de tradição e inovação.
Este ano ainda antes de se acender a fogueira, a organização promete “um espectacular ritual de pôr-do-sol e ascensão da Lua, seguindo-se o acendimento da fogueira celta, manda a tradição que se faça com o canhoto ou tronco. O canhoto e toda a lenha que se queima nesta fogueira deverá ser roubada, pois se não for roubada, não arde. “Estarão presentes na festa os druídas celtas, as deusas e todo o povo trajado a rigor, o druída, num grande caldeirão irá preparar a poção mágica, “a queimada”, e fará o esconjuro, afastando os demónios, azares e a má sorte e até a dita crise”, brincou na conferência de apresentação do cartaz a organizadora.
Depois do esconjuro à mesa serve-se “cabra machorra”, que representa a mulher do diabo que não deu qualquer descendência. Devido ao sucesso da edição do ano passado, onde eram esperadas cerca de 600 pessoas e acabaram por aparecer duas mil o que surpreendeu a organização. “Foi um sucesso brutal, não esperávamos tanta gente, a cabra nem chegou. Este ano temos 13 cabras para preparar”, conta Maria João Pereira.
Grandes potes
Enquanto a cabra é cozinhada em grandes potes, vão-se comendo castanhas assadas, este ano terão um sabor especial pois serão assadas no “Maior assador de castanhas do Mundo”, que a Câmara Municipal de Vinhais que está de mãos dadas com a população cidonense na organização desta festa de Inverno emprestou.
No próximo dia 2 de Novembro a aldeia de Cidões, será como manda a tradição virada ao contrário, pois a rapaziada vai roubar os vasos das flores e espalha-los pelas ruas, viram ao contrário os carros de bois e carroças de animais.
Com o aproximar da meia-noite começam a ouvir-se o rugido do carro de bois, empurrado por jovens forçados, que carregam o Diabo, evocado por todos os demónios, que põe em desordem toda a aldeia, tudo fica virado avesso.
A esta recriação a organização da Festa junta ainda muita animação, danças, gaiteiros e outras actuações musicais, que animam e aquecem a noite. Partilha-se o “Ulhaque” refere Maria João “é uma bebida única, forte que só se bebe na nossa aldeia”.
Noite de muita magia prometida no próximo sábado naquela que já é capital portuguesa da cultura ceuta.
