Concerto de violoncelo animou Cidões
A Associação Raízes de Cidões organizou um evento inédito para dar as boas vindas aos filhos da terra que se encontram espalhados por diferentes pontos do País e no estrangeiro.
A presidente da associação, Hortênsia Pinto, não tem dúvidas que este concerto de música clássica é uma alternativa à música popular que anima a maioria das aldeias no Verão.
“É uma pedrada no charco na música popular que predomina em todas as aldeias nesta época do ano. Então o violoncelo é uma música diferente. As pessoas na aldeia muitas delas até nunca viram este instrumento e nunca ouviram ao vivo este tipo de música”, realça a responsável.
A música do violoncelo fez-se ouvir nas ruas de Cidões e quem assistiu ao concerto garante que este foi um momento único.
Para o músico Vasco Alves este também foi um concerto especial. “É muito gratificante por vários aspectos. O primeiro é que é uma estreia de um instrumento pertencente à música erudita, também é a primeira vez que se vai interpretar Bach nesta aldeia. E para mim também é muito especial porque esta é a minha aldeia adoptiva”, conta o violoncelista.
A noite ficou completa com a apresentação do livro de contos transmontanos, da autoria de António Tiza, intitulado “O Diabo e as Cinzas”, que é composto por 13 contos, um deles dedicado ao “Canhoto de Cidões”.
“O primeiro conto é justamente sobre o Canhoto de Cidões a 31 de Outubro. Há uma base real que é a tradição local, que tem a ver com o ritual da máscara. E a partir daí há uma história que é ficção. As pessoas da região facilmente farão essa distinção. Quem é de fora se tiver dificuldade pode vir cá na altura própria e conhecer essas tradições”, salienta o autor do livro.
António Tiza realça, ainda, que esta obra contribui para a promoção das aldeias do Nordeste Transmontano, onde decorrem festividades ligadas a esta temática.
Os contos compilados neste livro são ilustrados por pinturas de Luís Canotilho e vão ser apresentados nas restantes 12 aldeias com tradições ligadas ao Diabo e às Cinzas.
