Região

Depois do alterne, a prostituição

Depois do alterne, a prostituição
Imagem do avatar
  • 30 de Agosto de 2012, 20:49

Dificilmente a capa da revista Time de Outubro de 2003 sairá da memória dos habitantes de Bragança. Passaram quase dez anos anos, mas o episódio das “Mães da Bragança” ainda é tema de conversa no exterior, tal foi o exagero mediático à volta das “brasileiras” que punham maridos e bons chefes de família de cabeça perdida e carteira mais leve.
Eram tempos em que a cidade e arredores ostentavam quatro casas de alterne, devidamente assinaladas e iluminadas à boa maneira espanhola. No comércio, elas davam movimento a lojas de pronto-a-vestir, telecomunicações, cabeleireiros, esteticistas, dentistas e taxistas. Todos lucravam com o negócio e com o corrupio das “mininas” de loja em loja nas ruas de Bragança.
O mediatismo do alterne, repetido até à exaustão em televisões e jornais nacionais, obrigou as autoridades locais a porem uma pedra no assunto. A pressão sobre o poder judicial, a PSP e a Câmara Municipal foi de tal ordem, que não havia alternativa ao encerramento das casas de alterne, em todo idênticas às que proliferam por esse País fora, sem que isso faça a capa da Time ou abra noticiários televisivos.
Basta olhar para algumas zonas da cidade de Bragança para perceber que o resultado destas medidas (inevitáveis, note-se) foi desastroso. Quando as casas de alterne piscavam o olho aos homens de Bragança, não havia prostituição de rua. Hoje há.
Não é preciso estar muito por dentro destes esquemas para perceber que as mulheres que deambulam ao cimo da Av. João da Cruz, junto à estação rodoviária, à saída do túnel da Av. Sá Carneiro e na zona do Toural não estão a “passear pela fresca”. Não é preciso abrir o caderno de classificados de alguns jornais nacionais para saber que os serviços de “relax” também já chegaram a alguns apartamentos de Bragança. Não é preciso chamar a polícia, porque só vende o corpo quem quer, e isso nem é crime, desde que ninguém lucre com isso. Que mais dá? Desde que não haja luzes vermelhas e neons garridos, para as autoridades já está tudo bem, mesmo que no bairro do Toural exista uma Escola do 1.º Ciclo e os garotos brindem as “mininas” que por ali passam com nomes pouco simpáticos…


Proponha um artigo de opinião:
info@pressnordeste.pt
Abrir
Imagem do avatar
Written By
Redação