O justiceiro
Ou seja, Sócrates não veio ao Nordeste Transmontano para cumprir calendário ou inaugurar obras camarárias, mas para anunciar investimentos de vulto na rede rodoviária.
Era isto que se esperava do primeiro-ministro, um ano depois de tomar posse no cargo de líder do Executivo.
Com a pompa e circunstância próprias das cerimónias em que o Governo tem anunciado as principais reformas para o País, dificilmente o Ministério das Obras Públicas poderá deixar de cumprir o plano de “Acessibilidades a Trás-os-Montes e Alto Douro” apresentado em Bragança.
Em primeiro lugar porque, de uma penada, José Sócrates trazia no bolso a resposta a diversas perguntas que se punham à construção duma auto-estrada até Bragança, a saber: prazo de execução, investimento, traçado e portagens.
Em segundo lugar porque o primeiro-ministro usou e abusou do termo “justiça” para anunciar que a auto-estrada Amarante-Vila Real-Bragança-Quintanilha é a “prioridade das prioridades” em termos de política rodoviária.
Em terceiro lugar porque o Governo ousou apresentar uma calendarização rigorosa para executar a auto-estrada, o IP2 e o IC5, tendo inclusive garantido a antecipação do Plano Rodoviário Nacional no que concerne à região.
Em quarto lugar porque a divulgação dos prazos de execução destas três vias funciona como o início duma contagem decrescente que não se compadece com mais atrasos.
E, se o Governo deixou no ar a intenção de desencravar a região à custa do alcatrão, há um pormenor que deve ser abordado. Sócrates afirmou que, entre Vila Real e Quintanilha, não haverá portagens enquanto os indicadores económicos não igualarem a média nacional. Bem, mas se a auto-estrada vai “engolir” o IP4, que alternativas ficam a partir do dia em que forem introduzidas as portagens (se é que algum isso vai acontecer). A EN 15 não será certamente, pois não?
