Extracto de flor de castanheiro substitui sulfitos na conservação do vinho

Investigação de Isabel Ferreira permitiu criar produto natural que está a ser aplicado nos vinhos e que tem o poder antioxidante

24 set. 2024, 09:38

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O extracto de flor de castanheiro pode ser uma mais-valia na produção de vinho, substituindo os sulfitos, que são prejudiciais à saúde. Uma investigação do Instituto Politécnico de Bragança, coordenada por Isabel Ferreira, permitiu concluir que este extracto pode servir de conservante e antioxidante.

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Na apresentação do produto, numa sessão sobre tecnologia e inovação na viticultura, no âmbito do Sustec Summer School, que decorreu em Talhas, no concelho de Macedo de Cavaleiros, no passado sábado, a investigadora explicou que este conservante foi inicialmente testado no queijo, mas foi desafiada por um produtor para que fosse aplicado também no vinho. “Este é um extracto obtido a partir de flor de castanheiro, muito rico em determinados compostos fenólicos. Patenteámos em 2018, tivemos a patente aprovada internacionalmente, também nos Estados Unidos e em Portugal”, explicou Isabel Ferreira, responsável pela patente. Estava assim dado o passo para a criação de um produto único no mundo. Através da investigação, a empresa Tree Flowers Solutions produz e comercializa um extracto que substitui assim os sulfitos. O CEO da empresa, João Gonçalves, explicou que o extracto “natural”, designado por “chestwine”, tem capacidade “antioxidante e antimicrobiana”, trazendo até vantagem no que toca ao sabor do vinho, que muitas vezes é “cortado” pelo uso de sulfitos. “Já estamos em sete países, mas só em comercializar em cinco, porque os outros dois estão em testes. Nós seleccionamos quatro ou cinco produtores, criamos um protocolo, trabalhamos os vinhos deles, eles ganham confiança no produto e esses produtores passam a ser os nossos embaixadores nesses países”, disse. Na região, o produtor do vinho “Casa do Jôa”, em Parada, no concelho de Bragança, é já um dos utilizadores do “chestwine”. “Quando li o artigo científico sobre esta propriedade da flor de castanheiro, fui a correr para o IPB, até conhecia o João Gonçalves, e andei a insistir que queria este produto, porque faz parte da matriz que eu quero seguir, que é pouca intervenção e fazer com que o vinho fique com os aromas e sabores mais originais possíveis”, contou Jorge Afonso. Além dos vinhos, o “chestwine” pode ainda ser aplicado noutros produtos que exijam embalamento, nomeadamente cereja.

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