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	<title>Arquivo de Orlando Rodigues - Nordeste</title>
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	<title>Arquivo de Orlando Rodigues - Nordeste</title>
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		<title>O ensino superior &#8220;sustenta a demografia da nossa região&#8221;</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/07/16/o-ensino-superior-sustenta-a-demografia-da-nossa-regiao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jul 2026 14:26:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Entrevista com Orlando Rodrigues, presidente do Instituto Politécnico de Bragança, no âmbito do suplemento de Educação para o Jornal Nordeste. Como é que o ensino superior pode combater a desertificação que se sente tanto no interior? Nós temos estudantes de muitos pontos do país e do mundo, E, portanto, essa foi sempre uma característica do [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Entrevista com Orlando Rodrigues, presidente do Instituto Politécnico de Bragança, no âmbito do suplemento de Educação para o Jornal Nordeste.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Como é que o ensino superior pode combater a desertificação que se sente tanto no interior?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nós temos estudantes de muitos pontos do país e do mundo, E, portanto, essa foi sempre uma característica do Instituto Politécnico de Bragança, a sua diversidade de estudantes e a sua capacidade de atrair estudantes e talento. Na verdade, nós somos uma instituição que temos flutuado entre os 10.000 e os 10.500 estudantes, sempre acima da barreira dos 10.000 estudantes nos últimos anos, em situações em que a quebra demográfica tem tido algum impacto e que a oferta tem nas zonas do litoral, mas temos conseguido manter essa dimensão e, portanto, isso faz de nós uma instituição especial numa região fora dos grandes centros que tem uma grande capacidade de atração de estudantes e, dessa forma, também sustentar a demografia da nossa região, que eu acho que é um contributo importante que damos nesse sentido.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Isso é uma grande responsabilidade?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Sim, absolutamente, é uma responsabilidade conseguir manter esta capacidade de atração, este dinamismo. Como sabe, nós dependemos de muitos fatores, as políticas impactam sempre, às vezes questões que parecem não muito importantes, mas são muito impactantes na nossa atividade e, portanto, temos que ter capacidade de reagir muito rapidamente, de reverter efeitos negativos, é isso que temos tido feito ao longo destes anos e ter uma capacidade de muito rapidamente nos reinventar e encontrar novas formas de mantermos esta dimensão e esta capacidade de atração. É isso que temos feito e, enfim, temos adquirido esta capacidade de reagir muito rapidamente a adversidades, o que nos tem permitido manter esta dimensão.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Que políticas é que considera prioritárias para o ensino superior?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">É uma questão complexa, uma vez que as políticas de ensino superior são muito complexas. A aposta no ensino superior na ciência e tecnologia tem uma relação absolutamente direta e evidente, se considerarmos um município, uma região, um país, o investimento que se faz em ciência e tecnologia tem um impacto direto na atividade económica. Todos os países que se desenvolveram muito rapidamente, e temos esse exemplo muito presente na Europa, os países bálticos, por exemplo, a Polónia, que estavam muito atrás de nós em termos económicos, que fizeram uma aposta forte em ciência e tecnologia, que hoje em dia nos nos ultrapassaram, até a República Checa e outros países europeus que estavam há alguns anos&nbsp;não muito abaixo de nós em termos de PIB per capita e outros indicadores económicos e que nos ultrapassaram. Portanto, isto é um dado absolutamente evidente e óbvio em qualquer parte do mundo, quanto mais investimento há em ciência e tecnologia, mais rápido é o desenvolvimento do país e também mais altos são os salários e o nível de vida das pessoas. O que tem acontecido em Portugal é que temos investido pouco em ciência e tecnologia. Continuamos muito abaixo da média europeia, precisamos de investir mais e, infelizmente, não tem havido o consenso necessário em termos nacionais relativamente a este aspeto. E, portanto, isto é um dado evidente em termos globais e regionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na nossa perspetiva, as políticas de ensino superior devem ter uma componente importante de políticas de coesão, porque nenhuma região se desenvolve se não tiver ciência e tecnologia, ensino superior adaptado às suas necessidades. Costumo dar este exemplo, quando o IPB se instalou, por exemplo, em termos de recursos naturais, uma coisa que é impensável, há muitas plantas que têm nomes de investigadores nossos porque eram desconhecidas. Ou seja, pelo facto de não haver aqui ciência e tecnologia e ensino superior, raramente havia este investimento das instituições que estavam nos grandes centros urbanos de fazer uma aposta sistemática na investigação&nbsp;sobre os recursos da região. E, portanto, isto no século 21 é um pouco impensável, como é que um país como o nosso havia muitas plantas que eram desconhecidas porque não tinham sido investigadas. Repare que se não fosse a nossa presença, provavelmente já não teríamos castanheiro na região, porque a solução que se desenvolveu para combater a doença, agora da vespa, estes ataques de doenças desconhecidas muito severos de fungos, se não fosse o desenvolvimento científico que se tem feito aqui, provavelmente a cultura estaria numa fase muito mais depressiva do que está, apesar de todas as dificuldades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A presença de uma instituição de ensino superior numa região é uma alavanca fundamental para desenvolver essa região e para promover a inovação e a atração de empresas. Mas o que se tem passado nos últimos tempos é que está a haver uma política muito particular, a de concentração do ensino superior no litoral. E as políticas de acesso são fundamentais, elas têm impacto direto. Houve políticas de acesso muito promotoras e muito desfavoráveis às instituições que estão fora de Lisboa e Porto. Felizmente, algumas delas, relativamente às quais eu me opus muito, foram revertidas este ano e, portanto, este ano em particular, um aumento sem sentido relativamente às exigências de provas específicas para entrar no ensino superior. Elas este ano foram revertidas porque todas as previsões que nós fizemos vieram a verificar-se e, portanto, isso levou a que essas políticas fossem revertidas, mas não totalmente e, portanto, em particular na questão das vagas e da política de vagas continua a haver uma absoluta liberalização, que nos coloca em posições mais difíceis. Mas em todos os sentidos, ao nível do financiamento, ao nível, por exemplo, da ação social, e portanto temos agora um modelo de ação social muito promotor da concentração no litoral, favorecendo a ida dos jovens para para o litoral, para os grandes centros urbanos com maior concentração populacional e, portanto, todas estas políticas desfavorecem a coesão e a vitalidade das instituições de ensino superior que estão ao longo do território.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://jornalnordeste.com/wp-content/uploads/2026/07/ORLANDO-RODIGUES-2-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-334792" srcset="https://jornalnordeste.com/wp-content/uploads/2026/07/ORLANDO-RODIGUES-2-1024x576.jpg 1024w, https://jornalnordeste.com/wp-content/uploads/2026/07/ORLANDO-RODIGUES-2-300x169.jpg 300w, https://jornalnordeste.com/wp-content/uploads/2026/07/ORLANDO-RODIGUES-2-768x432.jpg 768w, https://jornalnordeste.com/wp-content/uploads/2026/07/ORLANDO-RODIGUES-2-1536x864.jpg 1536w, https://jornalnordeste.com/wp-content/uploads/2026/07/ORLANDO-RODIGUES-2.jpg 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Consegue imaginar como seria Bragança sem o IPB?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Sim, absolutamente, em termos demográficos, seria certamente uma realidade completamente diferente, mas eu gosto sobretudo de colocar o ênfase no dinamismo da economia. Repare que Bragança atualmente é um dos concelhos da região norte mais exportadores. É um concelho que está a reverter a tendência demográfica de decréscimo demográfico. A população dos 0 aos 14 anos, tem vindo a aumentar no nosso concelho. Portanto, isso mostra uma tendência de reequilíbrio da pirâmide demográfica e que nos escalões etários mais jovens estamos a aumentar a população. Isso é um indicador excelente num país que está a perder população. Bragança está a atrair muitas empresas inovadoras. Repare-se, por exemplo, o sucesso do Brigantia EcoPark, que está cheio, com muita procura. E estamos a estabelecer muitas redes internacionais também para a atração de empresas inovadoras.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Os alunos que estudam no IPB conseguem arranjar emprego na região ou acabam por ir mais para o litoral?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Estamos numa situação de pleno emprego. Naturalmente que há sempre alguns desajustamentos, alguns cursos, algumas profissões que têm mais dificuldade, noutras há uma uma grande falta, mas em termos estatísticos estamos numa situação de pleno emprego. As empresas, para crescer, precisam de atrair pessoas e nós temos contribuído muito para que as empresas consigam encontrar os recursos humanos que lhes permitam funcionar, porque na verdade as pessoas são o principal recurso das empresas e, portanto, sem pessoas não há economia e não há empresas. E, portanto, esse contributo tem sido importante. Agora, naturalmente que nós temos mais de 10 mil estudantes vindos de todo o mundo e muitos deles vêm para estudar, regressam às suas regiões de origem, sejam nacionais, sejam de outros países, mas muitos ficam. Pelos nossos inquéritos e levantamentos de informação que vamos fazendo, mais de 25% dos nossos jovens que vêm de fora, seja do estrangeiro, seja de outras regiões, ficam na nossa região, estabelecem-se, constituem família ou constituem a sua vida na nossa região. Portanto, isto ano a ano é um contributo importante para a recomposição demográfica da nossa região.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isto é um dado curioso, mas estamos a atrair uma grande maioria dos jovens da nossa região que concluem o secundário aqui, que fazem a sua formação aqui, e sentimos também, e há muitos indicadores relativamente a isso, que as empresas preferem os jovens que são formados no IPB porque há uma relação de confiança que as empresas estabeleceram connosco e por essa via também com os nossos alunos. Temos, de resto, muitos alunos que fizeram a sua formação noutras instituições que nos estão a procurar para fazer aqui uma pós-graduação, para entrar nos nossos programas de apoio ao emprego, exatamente porque sentem que se se associarem ao IPB de alguma forma é mais fácil encontrar emprego.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A inteligência artificial está a alterar a forma de ensino?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Está em processo de alteração, obviamente que está a alterar rapidamente. A inteligência artificial é a revolução dos nossos dias e que de alguma forma foi inesperada. Na verdade, são metodologias de armazenamento e tratamento de informação já muito conhecidas, mas o que fez a diferença foi a capacidade de cálculo e de armazenamento e de recolha de informação que temos hoje em dia. Hoje em dia temos uma grande capacidade de recolher informação de forma automatizada, de diversas formas, e de a processar muito rapidamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mudou em todas as áreas, no nosso caso é um desafio muito importante, porque não é só fazer políticas de uso da inteligência artificial e ver como é que as instituições se posicionam, é mudar profundamente a forma como ensinamos e o que ensinamos. Porque, na verdade, a inteligência artificial vem nos libertar de muitas tarefas, diria mais básicas e rotineiras, que agora podem ser feitas pela inteligência artificial e liberta-nos para tarefas de mais alto nível, mais relacionadas com com a criatividade, em tarefas em que a inteligência artificial é obviamente muito fraca, porque a inteligência artificial não cria nada, ela no fundo reproduz o que é a base do conhecimento humano. Portanto, a criatividade continua a ser uma característica profundamente humana, assim como o pensamento crítico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muito tempo que nós passávamos a ensinar coisas básicas e rotineiras, como aconteceu com a máquina de cabo e com tantas outras revoluções tecnológicas, vamos seguramente deixar de o fazer. Ensino baseado exclusivamente na memorização não faz sentido hoje em dia e, portanto, temos que reformular completamente as nossas metodologias de ensino, aquilo que ensinamos e como ensinamos. Isso é um desafio tremendo para os nossos professores e estamos a procurar acompanhar isso. Criando instrumentos de apoio aos professores, formas de formação e de reflexão, em redes em que participamos, em particular participamos em várias redes relacionadas com esse tema da inovação educativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Defendia há vários anos, a construção de uma nova Escola Superior de Saúde, que já está a ser concretizada. Qual é ponto de situação?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Há um problema particularmente grave que é há muitos anos que não temos investimento em infraestrutura. E, portanto, nós acabamos por ter uma grande capacidade de captar financiamento europeu, mas esse financiamento não nos permite fazer infraestrutura.. E, portanto, nós estamos numa situação de ter as nossas instalações completamente ocupadas, sobrelotadas. Temos inclusivamente utilização de bancada em laboratório por turnos, de funcionamento 24 horas, porque os nossos espaços estão cheios. Estamos com dificuldade em instalar equipamentos laboratoriais que adquirimos com financiamento de capitais, porque não temos instalações. Para além do baixo investimento em ciência e tecnologia, tem havido um desequilíbrio e uma falta de investimento em infraestrutura. E, portanto, isso relaciona-se com a escola de saúde. A nossa escola de saúde tem mais de 2000 alunos, tem um grande dinamismo, desenvolveu a sua oferta formativa em várias áreas, temos uma unidade de investigação também que tem criado grande dinamismo na investigação relacionada com a saúde e com a promoção da saúde em particular. E nós tínhamos uma escola que foi projetada para 200 alunos e, portanto, há muitos anos atrás. Fomos resolvendo o problema colocando os alunos nas diversas infraestruturas de todas as escolas que temos, mas isso não chega e também torna o funcionamento mais difícil. Não conseguimos um financiamento nestes anos todos que permitisse fazer a escola. Temos um pequeno financiamento de 3 milhões de euros de infraestruturas científicas do Norte agora, que está alocado à construção da escola.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Mas o valor total será muito superior, correto?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Será mais de 12 milhões e, portanto, é claramente muito baixo. O que nós temos feito ao longo dos últimos anos, sentindo essa necessidade, é numa base de uma gestão plurianual, ir acumulando algumas reservas que nos permitam fazer esse investimento. Portanto, foi isso que fizemos ao longo dos últimos anos, fomos acumulando algumas reservas especificamente com esse fim, o que nos permitiu neste momento cabimentar e lançar essa infraestrutura que está cabimentada basicamente com fundos próprios. Naturalmente que se não tivermos outros financiamentos investimentos dificultará a continuidade de capacidade de investimento nos próximos anos. Vamos tentar financiar numa maior percentagem esse investimento, mas de qualquer maneira o financiamento está assegurado com base em financiamento próprio. A obra está a decorrer muito bem, a empresa é uma empresa muito competente que está a planear muito bem a obra e a executar dentro dos prazos que estão estabelecidos. Seguramente dentro de um ano e meio a escola estará pronta. Isso permitir-nos-á desenvolver mais capacidades científicas na área da saúde, ter uma interação mais intensa com a comunidade também nessa área, desenvolver a nossa parceria com a ULSNE, que é uma parceria fundamental e, portanto, esse projeto teve sempre esse cariz de ser uma parceria com a ULSNE portanto, queremos que participe ativamente também na formação e no desenvolvimento científico e na investigação científica junto connosco.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A escola antiga é uma questão ainda aberta. As nossas necessidades são muitas e, portanto, pode vir a ficar um edifício exclusivamente para atividades científicas e, portanto, essa é uma hipótese que está em cima da mesa, com algumas obras de requalificação, pode ser um edifício para albergar atividades de investigação científica ou pode, isso também está em cima da mesa, essa possibilidade que se equacionou no início, um investimento numa parceria conjunta com a saúde, com o Ministério da Saúde, ceder à ULSNE e em contrapartida a alavancar o nosso financiamento na construção da nova escola. Então, neste momento está tudo em aberto.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O IPB apresentou uma candidatura para se transformar em universidade, à semelhança de Porto e Leiria. </strong><strong>O Governo decidiu que a candidatura de Bragança precisa de &#8220;esperar mais algum tempo&#8221; e não avançou em simultâneo com as anteriores. Porquê?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O que o senhor ministro me tem dito é que está em processo de análise. Os decretos-leis do Porto e de Leiria não saíram ainda, não sei exatamente em que fase é que estão, mas não foram ainda publicados. Portanto, eu diria que não há neste momento nada que não indique que o processo não terá simultaneidade, ainda que com algum desfasamento do nosso processo relativamente aos outros. Nós tivemos sempre uma preocupação de coesão do sistema, mas sempre dissemos que se alguma instituição politécnica, ou se houvesse o sinal de que alguma instituição politécnica passasse ao Estatuto de Universidade que o IPB submeteria no dia seguinte a sua candidatura, porque ela de facto estava pronta, e é uma questão que vem amadurecida desde os anos 90 e, portanto, houve sempre uma grande luta de Bragança pela universidade e, portanto, é um processo absolutamente amadurecido e no momento, dois dias depois de haver um Conselho de Ministros que tomou uma resolução a dizer que estava em processo de apreciação dos pedidos de Leiria e do Porto, Bragança três dias depois submeteu o seu. E portanto, o Governo na altura não quis meter o nosso simultaneamente no processo de recolha de pareceres, mas tanto quanto sei o processo está em andamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Poderá ser uma realidade?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Será seguramente, a não ser que que o processo seja travado como um todo. Seria um absurdo, não há outro termo para qualificar, havendo três pedidos de passagem à universidade, Leiria, Porto e Bragança. E seria um absurdo, porquê? Porque Bragança tem um contributo na coesão territorial que nenhuma dessas instituições tem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A região norte é uma região profundamente desequilibrada sob o ponto de vista da coesão territorial. Estamos a cavar esse fosso. Portanto, se não houver um sinal para afirmar Bragança, é um sinal terrível, diria eu, em termos de coesão territorial.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>E se não houver?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Se não houver, eu não tenho, como lhe disse, todas as indicações que o senhor ministro me tem dado é que o processo está em avaliação e está em análise. E eu compreendo porque é um processo complexo e naturalmente que temos toda a tolerância para aguardar e para aceitar aqui algum desfasamento face à complexidade do processo. Mas nunca tive uma afirmação a dizer que o nosso processo não vai andar. Se não andasse, obviamente, isso seria uma questão profundamente grave, terrível, catastrófica, porque estaríamos a agravar mais o fosso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bragança teve sempre os indicadores mais favoráveis em termos de produção científica, em termos de investigadores com mais impacto internacional, mais citados, com índices de impacto mais elevados e, portanto, nós estivemos sempre na primeira posição entre as instituições politécnicas, continuamos, todos os indicadores que têm saído baseados puramente em dados científicos colocam-nos nessa posição. Seria absurdo e um disparate político que avançasse Lisboa e Porto e Bragança não. Portanto, eu neste momento não tenho nenhuma indicação que Bragança não avançará, pelo contrário. Todas as indicações que a transformação do Instituto Politécnico de Bragança em universidade acontecerá como acontecerão essas outras duas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O IPB tem também apostado em criar redes internacionais. Quais é que são as principais e porque são tão importantes para o instituto?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Diria que temos três níveis de redes internacionais que são fundamentais para nós e para a região. No âmbito europeu, políticas de universidades europeias, que são alianças de universidades que se constituem como um todo e aparecendo como uma universidade única virtual, nós participamos numa rede de universidades europeias muito dinâmica, focada exatamente no desenvolvimento regional e que é instituições que estão fora das grandes capitais, dos grandes centros, é a rede Stars EU. Temos feito um investimento muito grande nessa rede, temos sido um parceiro muito ativo e portanto essa é uma rede fundamental. Temos uma rede que tem sido absolutamente extraordinária connosco, com o Brasil, em particular com o Estado do Paraná. Nós vimos estabelecendo uma parceria com uma universidade brasileira, a Universidade Federal Tecnológica do Paraná, que é uma universidade muito dinâmica, com uma dimensão muito grande, mais de 20 mil alunos, e com a qual temos vindo a fazer um programa de diplomações duplas, ou seja, programas em que o aluno fica com diploma brasileiro e português mediante uma mobilidade nas duas instituições. Temos muitos projetos de investigação conjuntos a ser desenvolvidos, muita cooperação a nível de doutoramento e, portanto, é uma parceria que deu frutos muito evidentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Estado do Paraná é dos estados brasileiros que investe mais em ciência e tecnologia, portanto, tem na sua, tem uma dimensão geográfica que é o dobro de Portugal, mas a população é mais ou menos a mesma, tem 11 milhões. Mas tem um dinamismo industrial muito superior ao de Portugal e investe 3% do seu produto em ciência e tecnologia, está na Constituição, na lei-base do Estado do Paraná, o que lhe tem dado uma aceleração científica muito grande. E fruto desta parceria, o Governo do Estado do Paraná ficou muito interessado na nossa parceria e decidiu fazer uma parceria do Estado do Paraná com o IPB, no sentido de promover a internacionalização das universidades do Estado do Paraná. O seu sistema científico é superior ao português e, portanto, nós neste momento estamos com um programa de cooperação com todas as universidades Estaduais do Paraná e essa Universidade Federal Tecnológica, que envolve um número de alunos semelhante ao número de alunos do ensino superior em Portugal, que tem 3 componentes muito importantes: uma componente de mobilidade e duplas diplomações ao nível dos doutoramentos, uma componente de, em particular, um doutoramento conjunto que estamos a fazer no sentido de criar prontidão tecnológica é o termo que estamos a utilizar, para que haja compatibilização entre a economia brasileira e a economia europeia face ao acordo com o Mercosul. É um acordo muito importante no qual a Europa está a apostar muita energia, face a outras dificuldades noutras geografias, nos acordos comerciais com a América do Sul. E, portanto, esse doutoromento está a criar as bases de prontidão tecnológica, de compatibilização dos sistemas de qualidade, em particular no âmbito alimentar, relativamente aos dois blocos comerciais. É um projeto muito importante, mas temos outro no qual temos muita esperança, que é um sistema, um projeto de mobilidade de startups, de empresas inovadoras entre aqui o nosso ecossistema, o Brigantia EcoPark, os laboratórios colaborativos e as universidades nas cidades brasileiras. E, portanto, temos muitas startups brasileiras interessadas em vir para aqui, algumas estão já em contacto e, portanto, esperemos que haja condições para isso se desenvolver.</p>
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