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	<title>Arquivo de autóctones - Nordeste</title>
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		<title>Criadores aderem às associações para enfrentar dificuldades crescentes na pecuária</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carina Alves]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jun 2026 08:56:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[autóctones]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Apesar dos problemas relacionados com os custos de produção, falta de mão de obra, envelhecimento dos criadores e ausência de renovação geracional, há vontade em continuar a preservar as raças da região A adesão às associações de criadores continua a aumentar no Nordeste Transmontano, numa altura em que a atividade pecuária enfrenta desafios cada vez [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Apesar dos problemas relacionados com os custos de produção, falta de mão de obra, envelhecimento dos criadores e ausência de renovação geracional, há vontade em continuar a preservar as raças da região</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A adesão às associações de criadores continua a aumentar no Nordeste Transmontano, numa altura em que a atividade pecuária enfrenta desafios cada vez maiores. A constatação é de José Rodrigues, secretário técnico da Associação Nacional de Criadores de Ovinos da Raça Churra Galega Bragançana, feita durante o Concurso de Gado de Ovinos e Caprinos do Planalto, integrado na IV Feira do Azeite e da Oliveira Santulhana, em Santulhão, concelho de Vimioso. &#8220;Temos tido cada vez mais associados. Não significa que haja mais pastores, mas os que já existem percebem que é melhor estarem associados&#8221;, afirmou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">José Rodrigues considerou que a crescente adesão resulta das vantagens proporcionadas pela estrutura. &#8220;Há mais facilidade em vender os animais, têm mais conhecimentos e nós ajudamos no melhoramento das raças através de programas específicos. Também lhes damos aconselhamento técnico e promovemos contactos&#8221;, explicou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o secretário técnico, o contexto atual ajuda a explicar esta procura crescente por apoio. &#8220;Os tempos estão cada vez mais complicados e é normal que os criadores procurem mais apoio e mais acompanhamento&#8221;, resumiu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de a produção pecuária continuar a diminuir em termos globais, a associação regista uma realidade diferente. Atualmente, a associação acompanha cerca de 17.500 animais da raça Churra Galega Bragançana Branca e aproximadamente 4.300 da variedade Preta.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8220;O que se ganha é para os animais&#8221;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Com cerca de 180 animais e mais de quatro décadas de experiência, Mercedes Lopes continua ligada à criação da raça Churra Galega Bragançana, em Santulhão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de garantir que a atividade &#8220;é uma brincadeira&#8221;, afirmou que a rentabilidade é reduzida. &#8220;É só gastar dinheiro. O que ganha é para os animais&#8221;, lamentou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, a criadora considerou que são necessários mais apoios para quem mantém a atividade. &#8220;Precisávamos de mais ajuda para tudo quase&#8221;, defendeu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar das dificuldades, &#8220;desistir não é opção&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Falta de mão de obra e custos elevados preocupam criadores</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Também de Santulhão, Aníbal do Rosário cria há mais de 40 anos ovinos da raça Churra Galega Bragançana Branca. Com cerca de uma centena de animais, considerou que é essencial e urgente a renovação geracional. &#8220;Os pastores que eu tinha morreram e os novos não querem meter-se nisto porque é muito cansativo e trabalhoso&#8221;, referiu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A subida dos custos de produção é outra preocupação. &#8220;As coisas que compramos triplicaram de preço. As vacinas, as sementes, as máquinas. Uma avaria numa máquina pode levar o dinheiro que se ganha durante o ano inteiro&#8221;, afirmou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar disso, continua a manter o rebanho por gosto e pelo papel que desempenha na preservação da paisagem rural. &#8220;Se a gente não andar por lá, aquilo fica um bosque em poucos anos. Os animais também ajudam a limpar o território&#8221;, sublinhou.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Criadores de cabra preta alertam para risco de desaparecimento</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em representação da raça Cabra Preta de Montesinho esteve Carlos Martins, de ~Mós de Celas, no concelho de Vinhais, que tem cerca de 70 animais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O criador identifica a falta de sucessão familiar como o principal problema da atividade. &#8220;Os filhos não querem saber disto. Assim que morrermos, os mais velhos, os animais acabam por desaparecer naquela zona&#8221;, alertou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro dos problemas que Carlos Martins identifica é que a criação extensiva está cada vez mais difícil devido às restrições no acesso aos terrenos. &#8220;Antigamente andávamos com os animais por todo o lado. Hoje ninguém quer que os animais passem nas suas propriedades e temos de percorrer muitos quilómetros para encontrar pastagens&#8221;, explicou.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Jovens regressam à atividade, mas pedem valorização da produção</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os participantes esteve também Filipe Calado, criador de Santulhão que regressou recentemente à atividade, após vários anos emigrado em França.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com um efetivo de cerca de 50 animais, decidiu retomar uma tradição familiar. &#8220;O meu pai foi criador de ovelhas e eu regressei agora à minha paixão, que é produzir animais de raça na minha terra&#8221;, explicou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora reconheça que as novas tecnologias ajudam a reduzir algumas dificuldades, considera que o setor continua a enfrentar problemas estruturais. &#8220;Os primeiros anos são muito difíceis porque é preciso investir muito&#8221;, referiu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais do que apoios financeiros diretos, Filipe Calado defende investimentos na preparação de terrenos e áreas de pastoreio. &#8220;Era melhor prepararem campos e terrenos para os criadores trabalharem do que simplesmente dar dinheiro&#8221;, argumentou.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Raças autóctones continuam a ser património vivo do território</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos problemas relacionados com os custos de produção, a falta de mão de obra, o envelhecimento dos criadores e a ausência de renovação geracional, os participantes no concurso deixaram uma mensagem comum, a vontade de continuar a preservar as raças autóctones da região.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para muitos, a atividade já não é apenas uma fonte de rendimento, mas também uma forma de manter vivo um património que continua a marcar a identidade do território.</p>
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