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	<title>Redação, autor em Nordeste</title>
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	<title>Redação, autor em Nordeste</title>
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		<title>Tio Tino de Valtorno: 26 Anos Consecutivos a Pé Até Fátima</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/05/23/tio-tino-de-valtorno-26-anos-consecutivos-a-pe-ate-fatima/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 May 2026 14:00:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O 13 de Maio voltou a ser vivido intensamente na Família do Tio João.</p>
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<p class="wp-block-paragraph">O 13 de Maio voltou a ser vivido intensamente na Família do Tio João. Houve cânticos, emoção, orações e muita partilha numa manhã especial da Rádio Brigantia. As orações da manhã foram rezadas em direto pelo primo Marco, que seguia rumo a Fátima num autocarro de peregrinos. Celebrou-se também a Quinta-Feira da Ascensão, antigamente conhecida como o Dia da Espiga, uma tradição antiga do nosso povo ligado à fé, à terra e à esperança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a grande história destes dias acabou por chegar até nós através de um homem simples, trabalhador e profundamente humano: o tio Tino de Valtorno, Vila Flor</p>



<p class="wp-block-paragraph">Chama-se Diamantino Gomes Araújo. Nasceu no dia 28 de maio de 1968, em Candoso, concelho de Vila Flor. É praticamente da minha idade, apenas um mês mais velho do que eu, um rapaz do meu tempo, daqueles homens transmontanos moldados pelo trabalho, pelo sacrifício e pela coragem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora tenha nascido em Candoso, construiu a sua vida em Valtorno, terra onde casou, criou raízes e passou a ser conhecido simplesmente como o tio Tino de Valtorno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este ano entrou pela primeira vez na Família do Tio João pela mão do nosso amigo Marçal, de Vilar Seco, Vimioso. O tio Marçal já tinha feito outras peregrinações a pé até Fátima, mas desta vez decidiu integrar o grupo organizado pelo tio Tino. E foi precisamente através dele que conhecemos este homem extraordinário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante os dias da peregrinação, o tio Tino começou a telefonar diariamente para a rádio. Contava-nos onde estavam, qual era a etapa do dia, quantos quilômetros faltavam, as dores dos pés, o calor, o cansaço, mas também os momentos de oração, amizade e união vividos pelo grupo. E foi ouvindo aquelas conversas simples e sinceras que me apercebi de algo impressionante: este homem vai a pé a Fátima há 26 anos consecutivos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde o ano 2000 até este 2026, nunca falhou uma única peregrinação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">São cerca de 300 quilómetros feitos em oito etapas. O grupo segue sempre com uma carrinha de apoio organizada pelo próprio tio Tino, que ao longo destes anos criou toda uma logística em torno da caminhada. Já conhece os restaurantes, os hotéis, os locais de descanso e os caminhos quase de memória. Todos os anos faz as marcações, organiza horários, prepara etapas e acompanha cada peregrino com espírito de verdadeira família.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tudo começou por causa de uma promessa relacionada com o sogro, que estava gravemente doente. Mesmo depois da sua morte, nunca deixou cair a caminhada. No segundo ano apareceu alguém que queria ir, mas tinha medo de não conseguir fazer o caminho sozinho. O tio Tino respondeu apenas: “Não faz mal, eu vou contigo.” Depois juntou-se outra pessoa, mais tarde o motorista da carrinha de apoio, e assim foi nascendo um grupo unido pela fé, pela amizade e pela entreajuda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Houve anos em que seguiram apenas dois ou três peregrinos. O ano em que levou mais gente foram onze. Este ano seguiram nove. Mas para o tio Tino o importante nunca foi o número de pessoas. O importante sempre foi caminhar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje costuma dizer que já não vai a Fátima para pedir. Vai para agradecer. Agradecer a vida, a saúde, a família, os amigos e o trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aos 19 anos emigrou para França, como tantos homens da nossa terra. Mas a saudade falou mais alto e acabou por regressar passado ano e meio. Trouxe consigo a experiência da emigração e começou a aventurar-se no mundo das máquinas e das obras. Comprou primeiro uma retroescavadora, depois uma giratória, mais tarde um camião, até conseguir construir uma empresa sólida, fruto de muito trabalho, sacrifício e coragem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas aquilo que mais impressiona no tio Tino não são os quilómetros feitos, nem os 26 anos consecutivos de peregrinação. O que verdadeiramente toca as pessoas é a simplicidade. A humildade. A forma tranquila como fala da vida e da fé. Sem querer aparecer. Sem vaidades. Apenas com a sinceridade própria das grandes almas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Num tempo em que tanta gente desiste à primeira dificuldade, impressiona ver um homem que há 26 anos encontra forças para caminhar centenas de quilómetros até Fátima.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Passo a passo. Ano após ano. Sempre com fé. Sempre com gratidão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sempre com o coração cheio.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos dias estiveram de parabéns: Flora Garcia (88) Ifanes (Miranda do Douro); Fátima Rodrigues (79) Viduedo (Bragança); Mariana Pinto (79) Cernadela (Macedo de Cavaleiros); Noémia Lopes (77) Podence (Macedo de Cavaleiros); Sílvio Gonçalves (71) Estorãos (Valpaços); Ilda Gonçalves (67) Sarzeda (Bragança); Maria Afonso (52) Algoso (Vimioso);Sérgio Ricardo( 49) Limãos (Macedo de Cavaleiros); Felipe Santos (38) Torre de Dona Chama; Sílvia Gabriel (38) Bragança; Filipe Videira (38) Avelelas (Chaves); Nuno Morais (37) Milhão (Bragança); Fabian Coelho (32) Felgar (Moncorvo); Vanessa Ferreira (32) Nuzedo de Baixo (Vinhais); Pedro Marrão (25) Deilão (Bragança); Aléxis Jardino (20) Bragança; Rodrigo Coelho (16) Pinela (Bragança). A todos desejamos muitos anos de vida!</p>
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		<title>Feira Agrícola de Bragança quer afirmar o território e unir tradição à inovação</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/05/22/feira-agricola-de-braganca-quer-afirmar-o-territorio-e-unir-tradicao-a-inovacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 May 2026 11:36:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bragança]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura]]></category>
		<category><![CDATA[Feira Agrícola de Bragança]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A primeira edição da Feira Agrícola de Bragança vai decorrer entre 18 e 21 de junho, na Quinta da Trajinha, e pretende afirmar o concelho como território ligado ao setor agrícola, à inovação e aos produtos endógenos</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A primeira edição da Feira Agrícola de Bragança vai decorrer entre 18 e 21 de junho, na Quinta da Trajinha, e pretende afirmar o concelho como território ligado ao setor agrícola, à inovação e aos produtos endógenos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A iniciativa, promovida pelo Município de Bragança, reunirá 88 expositores ligados aos setores agrícola e agroalimentar, maquinaria agrícola, investigação e tecnologia. O evento contará ainda com uma quinta pedagógica, atividades culturais, conferências temáticas e demonstrações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A presidente da Câmara Municipal de Bragança, Isabel Ferreira, garante que a feira era “desejada” pela população e pelo território.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Era algo que todo o território desejava porque se identifica com a temática do setor agrícola”, afirmou a autarca, sublinhando que o objetivo passa por dar visibilidade “àquilo que melhor temos”, nomeadamente “a castanha, o azeite, o mel e todos estes produtos tão únicos”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Isabel Ferreira, o certame pretende também juntar diferentes componentes do setor agrícola, desde a tradição à modernização tecnológica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Quando nós pensamos em feira de agricultura cabe muita coisa”, referiu. “Vai desde experimentar tosquear uma ovelha até procurar máquinas agrícolas de nova geração ou assistir a conferências ligadas à castanha, ao azeite, ao mel ou ao pão.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">A autarca considera que a feira pode funcionar como “uma montra” para os produtores e empresários locais, ajudando a criar oportunidades de negócio e a aumentar a riqueza gerada no território.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O evento vai contar com expositores de produtos regionais, maquinaria agrícola e uma quinta pedagógica destinada às famílias e crianças. Estão também previstas atividades recreativas e culturais, bem como uma chega de touros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Inicialmente prevista para o Eixo Atlântico, a feira vai realizar-se na Quinta da Trajinha, espaço pertencente ao Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP). Isabel Ferreira explicou que a mudança surgiu devido às características do local.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O Eixo Atlântico é eminentemente urbano. A Quinta é urbana, mas tem características rurais. Temos espaço para todas estas dimensões”, explicou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A presidente destacou ainda a ligação do espaço ao ensino profissional agrícola e revelou que o município pretende reforçar a colaboração com o IEFP para aproximar a formação profissional das necessidades do setor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A feira terá também uma componente tecnológica, através de uma Plataforma Digital Inteligente que permitirá aos visitantes acompanhar a programação em tempo real.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O vereador com os pelouros da Informática e Sistemas Inteligentes, Ambiente, Sustentabilidade e Energia, Ricardo Pinto, explicou que a aplicação pretende “interagir o visitante com aquilo que será a Feira Agrícola de Bragança”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A ideia é que os visitantes tragam a feira consigo, no bolso através do telemóvel”, afirmou, acrescentando que os utilizadores poderão receber notificações sobre seminários, aulas da quinta pedagógica ou demonstrações a decorrer no recinto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Questionada sobre o investimento do evento, Isabel Ferreira disse que o valor ainda não está fechado, uma vez que o processo de contratação pública decorre. Ainda assim, garantiu que será “um investimento contido” face ao retorno esperado para o território.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A autarca adiantou também que, para já, o município não prevê recuperar a Norcastanha, considerando que a castanha “já tem o seu espaço” dentro da Feira Agrícola. Quanto à Norcaça, revelou que estão a decorrer reuniões com o setor cinegético para estudar um novo modelo associado às montarias realizadas nas freguesias do concelho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Escrito por Cindy Tomé / Rita Teixeira </p>
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		<title>Moral da história…</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/05/22/moral-da-historia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 May 2026 09:40:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Era uma vez um porteiro de um organismo importante, daqueles onde se decidem coisas importantes e onde toda a gente vai tratar assuntos também importantes.</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Era uma vez um porteiro de um organismo importante, daqueles onde se decidem coisas importantes e onde toda a gente vai tratar assuntos também importantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dia aparece alguém que queria ser recebido, mas era dos que não gostam de esperar pela sua vez. Sabia que o porteiro lhe podia facilitar a entrada e, sem ser visto, evitar filas e acelerar prazos. Para isso, ofereceu-lhe uma nota das grandes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O porteiro olhou para o dinheiro e de imediato percebeu que era o suficiente para comprar a bicicleta que há muito tempo promete ao filho. Pensou na alegria daquele sorriso, no brilho nos olhos, no abraço feliz sempre que passavam junto daquela montra.<br>Podia aceitar. Afinal, era só deixar passar uma pessoa à frente. Não vinha mal ao mundo e havia uma razão que, moralmente, muita gente compreenderia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas o porteiro recusou. Fê-lo porque sabia que aceitar seria errado. Fê-lo porque, independentemente da sua frágil circunstância, preferiu escolher o que a sua consciência lhe ditou. E essa escolha diz-nos muito sobre a diferença entre moral e ética.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Moralmente, talvez muitos compreendessem se ele aceitasse. Afinal, tratava-se de um homem humilde, a passar dificuldades, e com vontade de fazer feliz o seu filho, de cumprir uma promessa que há muito lhe escapa, não por ser incumpridor, mas porque a vida não lho permite. Aos olhos de muitos, seria apenas um pequeno gesto sem consequências.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A moral geralmente acomoda-se às circunstâncias, relativiza, adapta-se aos contextos e às culturas. O que é moralmente aceite aqui pode ser condenado noutro qualquer lugar. O que vemos como aceitável pode ser radicalmente condenável para outros. A ética é diferente. A ética exige maisde nós. Obriga-nos a fazer o que está certo, mesmo quando ninguém nos condena se fizermos o contrário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alguém disse um dia que “a ética é obediência àquilo que não é obrigatório…”. A frase é tão simples, mas ao mesmo tempo tão crua e arrebatadora. Faz-me pensar desde o dia em que a ouvi e temo ainda não lhe ter conseguido perceber todo o alcance. Talvez porque seja mais fácil escolher o conveniente, aquilo que é moralmente aceite e socialmente esperado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitas vezes preocupo-me mais com a forma como os outros olham para mim, com a imagem que passo, do que propriamente com aquilo que estaria certo fazer. Às vezes fazemos o que nos parece correto aos olhos dos outros, mas isso não é o mesmo que fazer o que está certo. Quantas decisões tomamos sem acreditar verdadeiramente nelas, apenas porque tememos parecer errados? Quantas vezes colocamos a imagem que os outros têm de nós acima das decisões que sabemos serem certas?</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ética não vive de aplausos nem de reconhecimento. Não se mede pelos benefícios ou recompensas que traz. Resume-se a fazer o que está certo. E, muitas vezes, isso significa colocar o interesse coletivo acima do interesse individual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Admiro aquele homem. Admiro aquele pai. Abdicou do sorriso e da alegria imensa, do brilho impagável nos olhos do seu filho, para lhe dar uma lição muito maior. O filho ainda não a vai entender. Ensinou-lhe, e ensinou-me, que há coisas que não se compram, por mais pequeno que pareça o preço a pagar por elas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Admiro-o porque não aceitou… mas ter-lhe-ia perdoado!</p>
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		<item>
		<title>&#8220;Burros&#8221; não seremos nós… Os Nordestinos!…</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/05/21/burros-nao-seremos-nos-os-nordestinos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 May 2026 18:34:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No passado dia 8 de maio, celebrou-se o "Dia Internacional do Burro", pelo que se falou a preceito deste animal a seu jeito. Eu falo dos homens.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">No passado dia 8 de maio, celebrou-se o &#8220;Dia Internacional do Burro&#8221;, pelo que se falou a preceito deste animal a seu jeito. Eu falo dos homens.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nasci no Nordeste Transmontano. Cresci ao lado da ribeira, entre hortas, olhos, lameiros e caminhos de terra, onde o burro era rei, tal como em muitos outros territórios transmontanos. Puxava o carro, a charrua, o arado, carregava lenha para o inverno, água da fonte, o avô doente para a vila Era motor, companhia, família. Chamavam-lhe teimoso. Eu chamava-lhe prudente. Um burro não dá um passo sem medir o chão. Não avança para o precipício. Quem dera a muita gente ter o mesmo juízo.<br>Veio a chamada “revolução mecânica”. O trator entrou de rompante, o burro saiu em silêncio. Mesmo com subsídios da Europa e projetos da AEPGA, o Burro de Miranda definha. É raça autóctone, única, inteligente, dócil. Está classificada como em vias de extinção. Deixamos morrer o único burro 100% português enquanto gastamos milhões a importar “modernidade” que não chega aqui.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O New York Times já lhe dedicou páginas. Uns viram um animal protegido, símbolo de uma ruralidade perdida. Outros leram nas entrelinhas um duplo sentido. E leram bem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porque, neste recanto de Portugal, convivemos com o burro há séculos. Conhecemos-lhe o valor, a força, a dignidade. Também sabemos ler quando nos querem fazer de burros.<br>E tantas tentam fazer. Todos os dias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Promessas democráticas ficaram presas na A1. Os investimentos também. Aqui, assistimos impávidos à desertificação programada. Fecham escolas porque “não há crianças”. Fecham centros de saúde porque “não há utentes”. Cortam linhas de comboio porque “não dá lucro”. Cortam futuro porque não dá votos. Os números do INE envergonham: o PIB per capita de Terras de Trás-os-Montes é metade do de Lisboa. Somos dos mais pobres da Europa rica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contra factos não há argumentos. Só há abandono.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os que teimam em sobreviver no Nordeste não são uma “espécie” em extinção. Porém, somos portugueses com Bilhete de Identidade igual ao de quem mora na Avenida da Liberdade. A Constituição não prevê cidadãos de primeira e de segunda. O país é que pratica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Continuamos incrédulos perante este abismo socialmente discriminatório. Mas burros, não. Recusamos o papel.<br>&#8220;Burros&#8221; serão os que cultivam a nossa interioridade como se fosse destino natural. Os que assinam despachos em gabinetes com ar condicionado e nos condenam ao isolamento. Os que falam em coesão territorial nos congressos e depois adiam, cortam ou votam contra obras como o IP2 completo, hospitais de proximidade ou regadio. A esses, sim, deveria aplicar-se o nome. E deveria aplicar-se a responsabilização política.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao Burro Mirandês devemos respeito, proteção e um plano de salvação a sério.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao nordestino devem respeito, investimento e o direito a não emigrar para viver.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Feliz Dia Internacional do Burro. Aos de quatro patas que nos ensinaram a prudência. E, &#8220;a outros&#8221;, que recusamos baixar a cabeça.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Entre promessas e abandono</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/05/21/entre-promessas-e-abandono/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 May 2026 15:42:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O tema que vos trago este mês daria para um filme de Marco Martins ou por António Pedro-Vasconcelos. Mas não é de filmes que vos quero falar, mas sim de feridas territoriais que o tempo ainda não sarou.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://jornalnordeste.com/2026/05/21/entre-promessas-e-abandono/">Entre promessas e abandono</a> aparece primeiro em <a href="https://jornalnordeste.com">Nordeste</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O tema que vos trago este mês daria para um filme de Marco Martins ou por António Pedro-Vasconcelos. Mas não é de filmes que vos quero falar, mas sim de feridas territoriais que o tempo ainda não sarou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tudo começou a 15 de Dezembro de 1991 com um descarrilamento em Sortes, no troço da linha ferroviária que ligava Mirandela a Bragança, devido à falta de manutenção da Linha do Tua, forçando o fecho desta linha durante o Governo de Aníbal Cavaco Silva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante quase um ano, a população desta região foi vítima de falsas promessas ou, se preferirem, mentiras de apaziguamento, garantindo que seria apenas uma suspensão temporária e que os comboios estariam apenas para reparação. Meses depois, na madrugada de 14 de Outubro, os operários ferroviários, sem saberem para o que iam, foram chamados ao serviço sem qualquer tipo de explicações para descobrirem qua a sua missão era retirar as últimas automotoras à socapa a meio da noite sob escolta policial. Cortando as ligações telefónicas e as emissões de rádio, garantindo assim que os contactos locais e os movimentos de cidadãos não fossem avisados, impedindo o povo de se mobilizar, mas o esquema montado não impediu que a informação se espalhasse por toda a cidade e a população se mobilizasse para aquele local, ficando esta noite conhecida como “A noite do Roubo”, que confirmou o definitivo fim da ligação ferroviária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este desmantelamento da linha do tua não foi apenas a perda de um meio de transporte, mas um golpe na realidade demográfica, económica e social da região. Levou ao isolamento de pequenas povoações que dependiam deste meio de transporte para aceder aos centros urbanos, nomeadamente Bragança e Mirandela, acelerando o despovoamento. A. nível económico, fez com que as empresas ficassem totalmente dependentes do transporte rodoviário, o que levou a um aumento dos custos logísticos e teve um peso negativo na atração de grandes investimentos industriais, criando uma barreira económica e um monopólio rodoviário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os transmontanos ficaram dependentes de transporte privado para qualquer deslocação básica, com o custo de vida a aumentar. Enquanto isso, o litoral beneficiou de investimento em transportes e de medidas como o PART, em vigor desde 2019, que permite a redução dos preços dos transportes públicos e que foi aplicado de forma incipiente na nossa região.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois temos também as ecopistas, que a meu ver vieram disfarçadas de projetos ecológicos, de lazer e turísticos para confirmar a certidão de óbito da ferrovia, retirando o comboio para depois asfaltar a ideia de voltar, continuando Bragança a ser uma das poucas capitais de distrito Europeia sem uma ligação ferroviária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Falamos muito da reabilitação da velha estrada que liga Bragança à Puebla de Sanabria. É verdade que fazendo a reabilitação desta estrada o tempo de viagem será encurtado, no entanto, este foco tão grande só reforça a dependência externa com que ficaremos do transporte e da estação da Sanabria, quando o essencial seria a estruturação de uma rede nacional interna que ligue o nosso distrito diretamente ao Porto e ao resto do país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar do PFN e de estudos recentes para a viabilidade do Alta Velocidade, impulsionados em 2025, trazerem alguma esperança com a ligação Porto-Vila Real-Bragança-Zamora, vemos um “efeito túnel” ao virar da esquina. Precisamos de uma rede regional intermodal que sirva e una Mirandela, Macedo de Cavaleiros e Bragança e não que estes fiquem apenas a ver passar o comboio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A coesão territorial não se faz apenas com grandes obras mediáticas, mas sim garantindo igualdade de direitos no interior e no litoral. Exigindo a recuperação de linhas ferroviárias encerradas, reforçando a CP enquanto empresa pública estratégica, voltando a produzir material circulante no país e garantido serviços regulares para as populações, investindo no interior, não como favor, mas como obrigação do Estado. Não se trata de falta de alternativas, mas de falta de vontade política para garantir o direito à mobilidade no interior.</p>
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		<title>Energia com justiça</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/05/21/energia-com-justica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 May 2026 13:34:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O debate em torno dos projetos eólicos e fotovoltaicos em Miranda do Douro merece mais do que indignação instantânea ou entusiasmo acrítico</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O debate em torno dos projetos eólicos e fotovoltaicos em Miranda do Douro merece mais do que indignação instantânea ou entusiasmo acrítico. Merece equilíbrio, respeito institucional e, acima de tudo, honestidade para reconhecer que há razão dos dois lados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por um lado, é perfeitamente legítima a posição da Câmara Municipal de Miranda do Douro. Um território de baixa densidade, frequentemente esquecido pelo poder central, não pode continuar a sentir que apenas serve de plataforma para grandes investimentos decididos à distância. Quando uma empresa multinacional promove sessões de auscultação pública sem informar previamente o município, compreende-se o desconforto da autarquia. Não está em causa apenas uma questão protocolar. Está em causa o respeito pelas instituições locais e pelas populações que vivem diariamente no território.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Helena Barril tem razão quando afirma que não é aceitável uma postura de “quero, posso e mando”. Sobretudo numa região onde ainda permanece viva a polémica em torno do negócio das barragens e da sensação de que Trás-os-Montes produz riqueza energética para o país sem receber uma parte justa dessa riqueza. Há memória coletiva, há desgaste e há desconfiança acumulada. Ignorar isso é um erro político e social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas também seria injusto transformar qualquer investimento energético numa ameaça automática ao território. Portugal precisa de aumentar a produção de energia renovável. A transição energética não é uma moda ideológica, é uma necessidade económica, ambiental e estratégica. O país não pode exigir eletricidade mais barata, independência energética e descarbonização sem aceitar que parques eólicos, centrais fotovoltaicas e projetos de hibridização tenham de existir em algum lugar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E aqui entra a outra parte da equação. A Engie e outras empresas do setor têm legitimidade para investir, estudar soluções e procurar locais com condições técnicas adequadas. Miranda do Douro, pela sua geografia e pelas infraestruturas já existentes, reúne precisamente essas condições. Além disso, os próprios projetos ainda estão sujeitos a Estudos de Impacto Ambiental, consultas públicas e múltiplos mecanismos legais de avaliação. Não estamos perante uma imposição consumada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O verdadeiro problema talvez não esteja no investimento em si, mas na forma como ele é conduzido. Durante demasiado tempo, o interior habituou-se a ver decisões tomadas sem verdadeira proximidade com as comunidades locais. Quando isso acontece, mesmo projetos potencialmente positivos começam imediatamente sob o signo da suspeita.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A transição energética só será bem-sucedida se for também uma transição de confiança. E confiança constrói-se com transparência, diálogo e partilha de benefícios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O município faz bem em exigir contrapartidas financeiras e respeito institucional. Aliás, seria incompreensível que um território que acolhe infraestruturas desta dimensão não reclamasse retorno económico, investimento local, criação de emprego e compensações ambientais. O interior não pode continuar a ser apenas fornecedor de recursos enquanto o valor gerado se concentra noutros centros urbanos e empresariais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas também é importante que o debate não resvale para um bloqueio permanente a qualquer investimento. Se houver garantias ambientais, respeito pelas populações e benefícios concretos para o concelho, estes projetos podem representar uma oportunidade de desenvolvimento para uma região que há décadas luta contra despovoamento e perda de atividade económica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No fundo, Miranda do Douro está perante um desafio que hoje atravessa toda a Europa, como conciliar desenvolvimento sustentável, soberania energética e defesa dos territórios locais. Não há respostas simples. Há, isso sim, uma exigência mínima, que ninguém trate as populações como figurantes de decisões já tomadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O futuro energético do país não pode ser construído contra o interior. Tem de ser construído com o interior.</p>
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		<title>L Pequeinho Alfaiate</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/05/18/l-pequeinho-alfaiate/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 May 2026 09:44:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ua cuonta de ls armanos Grimm adaptada para mirandés por Alcides Meirinhos</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Ua cuonta de ls armanos Grimm adaptada para mirandés por Alcides Meirinhos</p>



<p class="wp-block-paragraph">Era ua beç un pequeinho alfaiate que trabalhaba junto a la jinela de la sue alfaiataria, adonde cosie a mano i a máquina siempre cun muita codícia. Nun die de berano, passou pulhi ua moça a apregonar:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Doce de l buono! Doce natural i de l buono para bender!<br>Aquilho sonou-le mui bien als oubidos. L alfaiate assomou-se, biu la moça i bozeou:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Andai acá, buona rapaza! A ber anton l que trais para adoçar la boca!<br>La moça chubiu las scaleiras até l pequeinho quarto de l alfaiate i tubo que l amostrar de todas las culidades de doces que traie. Arrimou las narizes a un i dixo:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Este parece-me buono, pesa-me un quarto de quilo, ou melhor, meio quilo!<br>La mulhier, que speraba bender bastante, pesou-lo de mala gana i saliu deilhi a resmungar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Agora – diç l alfaiate – que Dius bendiga este doce i me deia fuorça i coraige!<br>Sacou pan de l almairo, cortou ua grande falila i spargiu l doce. Apuis puso l pan meio an zlhado i seguiu l sou trabalho.<br>L cheiro a doce anfeitiçou muita mosca, que se pousórun no pan. L alfaiate spurmentou xotá-las, mas cada beç aparecien más. Anton, anraibado, agarrou un cacho de panho i dou ua bordoada cun toda la fuorça.<br>Quando alhebantou l panho i cuntou, biu que habie matado siete moscas de ua beç.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Carai, que façanha! – diç el admirado cun el mesmo – Todo l lhugar ten que saber disto!<br>Nistante fizo un cinto i bordou nel, an letras grandes:<br>“Siete dun golpe.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; L lhugar? – cuntinou – L mundo anteiro debe de saber!<br>L coraçon saltaba alegre cumo l rabo de un cordeiro.<br>L alfaiate puso l cinto i resuolbiu salir pul mundo, porque achaba la sue alfaiataria demasiado pequeinha para tanta balentia. Antes de salir, buscou algo que pudira lhebar cun el. Solo achou un queisico, que guardou ne l bolso. A la puorta biu un páixaro preso nuns filos, çprendiu-lo i tamien lo metiu noutro bolso.<br>Puso-se anton a camino, lebe i cuntento. Cumo era atleta i zambaraçado, nun se sentie cansado i l camino lhebou-lo até ua muntanha adonde moraba un gigante terible.<br>Quando l gigante reparou que l alfaiate se iba arrimando, liu no cinto:<br>“Siete dun golpe.”<br>L gigante pensou que aquilho era suobre ls homes i ampeçou a respeitar l pequeinho alfaiate.<br>Mas quijo saber se era mesmo assi.<br>Pegou anton nua piedra i apertou-la cun tanta fuorça que deilha scorriu auga.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Fai l mesmo, se sós assi tan fuorte – dixo l gigante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Só isso? – respundiu l alfaiate – isso para mi nun ye nada!<br>Metiu la mano al bolso, sacou l queiso i apertou-lo até le salir todo l soro.<br>L gigante quedou admirado.<br>Apuis atirou ua priedra tan alto que quaije dexórun de la ber.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Agora ye la tue beç!<br>L alfaiate saca l paixaro de l bolso i botou-lo pal alto. L páixaro, de tan cuntento por tornar a la lhibardade, bolou até zaparcer de las bistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Anton? L que achais disto? – preguntou l alfaiate.<br>L gigante ampeçou a ancreditar-se que l moço tenie realmente muita fuorça.<br>Lhebou-lo anton para ua fóia nas peinhas, adonde stában outros gigantes. Dórun-le ua grande cama para el dromir, mas l alfaiate çcunfiado, nun se deitou neilha; scundiu-se a ua squina.<br>A meia nuite, ls gigantes pensórun que el drumie a bien dromir i smagórun la cama cun grandes garrotaços , cumbencidos que habien acabdo cun el.<br>A la purmanhana, quando l alfaiate aparece sano i salbo, ls gigantes quedórun acagaçados de todo i pensando que el era ambencible, scapórun-se todos.<br>L alfaiate seguiu sou camino i, apuis de muitas abinturas, chegou al palácio de l rei. Cumo benie mui cansado, deitou-se na yerba a la selombra dun frezno, i deixou-se dromir.<br>Las pessonas fúrun-se arrimando i íban lendo no cinto:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; “Siete dun golpe.”! Que grande guerreiro debe de ser este!<br>Lhebórun-lo al rei, que staba an guerra acontra einemigos mui peligrosos. L rei oufereciu-le grandes recumpensas se el aceitasse cumbater.<br>L alfaiate dixo que sí, mas l rei tenerie que le dar la filha i l reino.<br>Saliu culs soldados, mas ls einemigos scapórun-se lhougo mal bírun l sou cinto i l que habien oubido de la fama que tenie.<br>Más tarde, l rei inda lo ancargou para acaçar dous gigantes ferozes i, apuis, un terrible cochino muntés. L alfaiate benciu-los a todos cula sue stúcia.<br>Por fin, l rei, mesmo que cun miedo del, tubo que cumprir la promessa: dou-le la filha an casamento i metade de l reino cumo dote.<br>Desta maneira, l pequeinho alfaiate, que matara siete moscas dun golpe, fizo-se rei i bibiu feliç durante muitos anhos.</p>
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		<title>Truz, truz, Ormuz</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/05/15/truz-truz-ormuz/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2026 16:44:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um estreito marítimo da maior importância geopolítica, agora reforçada com o conflito político-militar em curso naquelas paragens.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Muito se tem falado de Ormuz, nos últimos tempos, um estreito marítimo da maior importância geopolítica, agora reforçada com o conflito político-militar em curso naquelas paragens.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estreito que, até mais ver, continua nas mãos de aiatolas iranianos, que não são flores que se cheirem, que dele se pretendem servir como se de uma gigantesca torneira de petróleo se trate, para abrir, ou fechar, a seu bel-prazer, convertendo, abusivamente, o histórico Golfo Pérsico num mar interior iraniano, ignorando que a longa margem que não lhes pertence é território de outros Estados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Situação que afecta, gravosamente, os interesses estratégicos e económicos dos americanos e dos seus aliados petrolíferos da região, liderados, nesta dramática circunstância, pelo desbocado Donald Trump, que no Médio Oriente encontrou palco privilegiado para as suas diatribes e palhaçadas. Perante a cúmplice passividade, para não dizer indiferença criminosa, dos europeus, visivelmente divididos e perturbados, embora igualmente afectados, enquanto russos e chineses procuram retirar deste imbróglio geopolítico as vantagens possíveis, como é seu timbre.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tão bizarro e complexo é o quadro que mais parece que Trump e os aiatolas brincam entre si, sadicamente, para desespero do resto do mundo. Ainda assim, verdadeiramente empenhado e calculista só mesmo Benjamin Netanyahu que faz jus à gesta mítica do seu povo, em contraste com as encenações dos demais que, de tão falsas e extravagantes, lançam dúvidas sobre quem mente e quem fala verdade, embora mais certo seja todos mentirem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mundo injusto e cruel, o nosso, em que, entre outras tragédias, 673 milhões de pessoas, o que corresponde a 8,2% da população mundial, enfrentam fome severa, isto segundo o relatório da ONU “O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2025 (SOFI 2025)”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, até ao momento em que esta crónica é escrita e desde que a Forças Aérea Americana e a Força Aérea Israelita lançaram ataques devastadores sobre a estrutura militar iraniana sem obterem os resultados políticos pretendidos, Donald Trump persiste em encarar Ormuz como a porta principal do palácio dos aiatolas, a que continua a bater com um hesitante truz, truz, sem que se acendam as luzes que pretende na tenebrosa mansão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra luz se faz, contudo, sobre a história de Ormuz que diz respeito aos portugueses orgulhosos do seu passado, embora a outros nem tanto. Vale bem a pena reler, a este propósito, Elaine Sanceau, universalmente reconhecida como um dos expoentes da historiografia portuguesa, a quem se devem nada menos do que trinta e oito vultosos estudos, dos quais vinte e oito sobre o majestoso século dezasseis português.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ormuz que o nosso Afonso de Albuquerque, que é tido como um dos mais brilhantes estadistas da História Universal, a par de Ptolomeu I e de Bonaparte, conquistou em 1507, para ali estabelecer uma fortaleza, não para comprar e vender petróleo, mas para controlar todo o comercio da época, especiarias especialmente, que na Europa de então eram pagas a peso de oiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais do que isso, na opinião de avalizados historiadores, Ormuz, na conceção genial de Afonso Albuquerque, não seria apenas mais um entreposto comercial, mas a chave de um importante sistema de domínio marítimo, em que se incluíam Aden e Malaca, considerando que quem dominasse estas três posições controlaria o principal eixo económico de todo o Oriente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De salientar que Albuquerque não dispunha do apoio de satélites ou de redes de comunicação, muito embora os meios navais e a cartografia portuguesa da época fossem o que havia de melhor.<br>Contudo, não se fique com a ideia de que os portugueses deixaram apenas fortalezas e entrepostos comerciais, por aquelas paragens. Bem pelo contrário, muitas são as realizações positivas que Portugal ergueu por esse mundo de Cristo além e não apenas malfeitorias, como pretendem, presentemente, uns tantos intelectuais, ideologicamente contaminados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ocorre-me destacar, a este propósito, a primeira escola médica do Oriente, a Escola Médico-Cirúrgica de Goa, criada pelo físico-mor Matheus Cesário Rodrigues Moacho, considerada uma das mais antigas faculdades de medicina da Ásia e que tem sio esquecida no debate político-partidário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Escola que desde sua fundação em1842, até 1963, formou mais de 1.327 médicos e 469 farmacêuticos, contribuindo significativamente para a saúde de tão vasta região.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enfim. Muitos factos historicamente relevantes merecem ser condignamente celebrados, por diferentes formas e em diversos momentos, enaltecendo a história do passado, a democracia do presente e o humanismo e a universalidade dos portugueses de sempre e de hoje.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E que em nada se comparam com o Ormuz do presente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PS.: A este propósito, vale a pena também ler, no jornal Público de 6 de Maio de 2026, o artigo sobre o jesuíta Francisco Pina (1585-1625), assinado por Rui Campos Guimarães e Eduardo Marçal Grilo.<br>Este texto não se conforma com o novo Acordo Ortográfico.</p>
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		<title>Cebolo de Alfaião já é património da alma transmontana</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/05/15/cebolo-de-alfaiao-ja-e-patrimonioda-alma-transmontana/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2026 10:45:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Maio continua a ser mês de fé, de caminhada e de esperança. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Maio continua a ser mês de fé, de caminhada e de esperança. Pelas estradas do nosso país seguem centenas de peregrinos rumo a Fátima, levando nos pés o sacrifício e no coração as suas promessas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo destes dias, na Rádio Brigantia, fomos acompanhando alguns desses grupos, ouvindo testemunhos emocionantes de quem caminha por devoção ou gratidão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre esses peregrinos esteve o nosso amigo tio Marçal, de Vilar Seco, Vimioso, o tio Tino, de Valtorno, Vila Flor, e também o tio Paulo, emigrante na Suíça e casado em Sarzeda , Bragança, que este ano concretizou a promessa de ir a pé até Fátima. Como não conseguiu integrar grupos mais próximos da sua zona, acabou por encontrar lugar no grupo que partiu de Vila Nova de Gaia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas este fim de semana os caminhos da Rádio Brigantia levaram-nos até Alfaião, no concelho de Bragança, onde estivemos em direto, das seis às dez da manhã, a acompanhar e promover a 10.ª edição da Feira do Cebolo. E mais uma vez ficou demonstrado que em Alfaião o cebolo continua a ser rei.<br>Fomos recebidos logo pela manhã pelo presidente da Junta de Freguesia de Alfaião, Luís Venâncio, homem sempre disponível, de sorriso franco e rosto alegre, profundamente orgulhoso da sua terra e muito satisfeito por ver a Rádio Brigantia voltar a levar Alfaião ao mundo através da emissão do “Bom Dia Tio João”. Em conversa connosco, foi-nos dito que esta feira representa muito mais do que um simples certame agrícola. Representa a identidade da aldeia e o orgulho de um povo ligado à terra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Luís Venâncio recordava precisamente que o grande símbolo da feira continua a ser o cebolo. Não a cebola já crescida, mas o cebolo, a pequena planta que depois dará origem à cebola. Em Alfaião, o cebolo tem fama antiga pela sua resistência e qualidade. Há décadas que agricultores de várias zonas procuram o cebolo daquela terra, porque sabem que ali existe tradição, experiência e um solo particularmente fértil para este tipo de cultivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O presidente da Junta falava-nos da importância que o cebolo teve ao longo dos anos para muitas famílias da aldeia. Em tempos difíceis, o cultivo e a venda do cebolo ajudavam muita gente a criar os filhos, a sustentar a casa e a enfrentar as dificuldades da vida rural. E talvez por isso o cebolo seja hoje visto quase como património sentimental da aldeia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Claro que a feira vai muito além do cebolo. Havia também produtos da terra, pão caseiro, bolos, doces tradicionais e artesanato, com destaque para as tradicionais cestas feitas à mão, símbolo de um saber antigo que continua vivo graças à dedicação de quem ainda preserva estas artes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas ao caminhar pelas ruas de Alfaião acabámos também por recordar as célebres lavadeiras da aldeia. Antigamente, Alfaião era conhecido como uma verdadeira “lavandaria de Bragança”. Muitas mulheres trabalhavam na lavagem de roupa para fora, incluindo roupa ligada às tropas e a várias famílias da região. Eram tempos difíceis, de muito esforço, em que aquelas mulheres passavam horas junto às águas frias, lavando roupa e ganhando o sustento com enorme sacrifício. Essas lavadeiras ajudaram a construir a identidade de Alfaião e continuam hoje vivas na memória coletiva da aldeia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi assim, entre conversas, memórias, música, tradição e amizade, que levámos Alfaião ao mundo através da Rádio Brigantia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No final desta página, deixamos também uma nota de profundo pesar pela partida da nossa tia Maria Vieira, esposa do nosso grande amigo tio Ernesto. Em representação de toda a Família do Tio João estivemos presentes neste momento de dor e despedida. A tia Maria foi alguém que viveu intensamente esta nossa família radiofónica. Participou em viagens, convívios, festas e encontros ao longo de muitos anos. Foram dezenas e dezenas de momentos vividos em amizade, carinho e partilha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje fica a saudade de uma mulher boa, simples e amiga. Mas ficam também as memórias felizes de tudo aquilo que viveu connosco. E enquanto houver memória, também continuará viva entre nós.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Nestes últimos dias também estiveram de parabéns: António Reis (94) Talhas (Macedo de Cavaleiros); Teresa Sá (85) Vila Nova (Bragança); Eurico Pires (81) Vilar Douro (Mirandela); Maria de Fátima (79) Viduedo (Bragança); Anunciação Bernardo (75) Milhão (Bragança); Glória Andrade (73) Alfaião (Bragança); Olímpia Saldanha (70) Viduedo (Mogadouro); Maria Domingues (70) Caçarelhos (Vimioso); Paulo Machado (69) e sua filha Carla Machado (36) Brunhosinho (Mogadouro); Alice Rodrigues (66) Coelhoso (Bragança); Abílio Santos (62) Fonte Fria (Murça); Irene Hostettler (55) Parada, a residir em Zurique (Suíça); Sérgio Neto (49) Limãos (Macedo de Cavaleiros); José Meirinhos (46) Grijó de Parada (Bragança e Leonardo José (18) Bragança; que todos tenham saúde para voltar a festejar a vida connosco!</em></p>
<p>O conteúdo <a href="https://jornalnordeste.com/2026/05/15/cebolo-de-alfaiao-ja-e-patrimonioda-alma-transmontana/">Cebolo de Alfaião já é património da alma transmontana</a> aparece primeiro em <a href="https://jornalnordeste.com">Nordeste</a>.</p>
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		<item>
		<title>Uma Europa Federal é uma Europa mais democrática</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/05/15/uma-europa-federal-e-uma-europa-mais-democratica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2026 10:42:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vinte e sete países, uma nação europeia, uma verdadeira democracia europeia</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">No passado sábado celebrou-se o dia da Europa. É um dia que passa despercebido, mais que não seja por não ser feriado que são os dias institucionais que naturalmente mais reparamos e apreciamos, especialmente quando calham numa segunda ou sexta-feira. Numa tentativa de deixar este dia menos esquecido e porque acretido firmemente que a União Europeia é dos maiores projetos que este mundo já viu nascer, dedico o artigo deste mês a um projeto de união mais aprofundada e o porquê da sua necessiadade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nenhum portguês precisa de ser relembrado da importância da União Europeia. Não o digo pela reflexão histórico-filosófica sobre essa ter sido a nossa garantia pós 25 de Abril de não regressão a uma nova ditadura, mas sim pela razão bem mais simples de que é isso que as sondagens demonstram.<br>E não são só os portugueses. Grosso modo, as sondagens demonstram que os Europeus confiam mais nas instituições europeias que as suas instituições nacionais. Há apoio maioritário em quase todos os países para mais integração europeia em variadíssimas áreas, incluindo a criação de um Exército Europeu.<br>Daqui, podemo-nos perguntar talvez porque é que há tanta resistência dos governos nacionais a reforçar esta integração. Afinal, não deveriam os políticos nacionais ser movidos a associarem-se a estas causas altamente populares? Acontece que o cálculo é outro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No meio de todos os assuntos dos quais um Primeiro-Ministro ou Presidente é responsável como a Saúde, Educação, Segurança Social, etc.; os assuntos europeus acabam por ficar no fundo das preocupações dos eleitores quando elegem a Assembleia da República e indiretamente o Primeiro-Ministro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A questão não é ajudada pelo facto dos media não estarem ajustados à dimensão europeia. Por um lado os media nacionais não têm escala para cobrir os assuntos europeus em profundidade. Têm por norma um correspondente europeu, se tanto, que se foca em questões mais pitorescas e não tantos nos detalhes da política europeia. Por outro lado a questão linguística torna difícil a imergência de órgãos de comunicação pan-europeus. Apesar de tudo não seria justo não mencionar o esforço do Deutshce Welle, France24, Euronews e Politico que se tentam afirmar nestes campos apesar de desconfiar que poucos serão os leitores familiarizados com estes órgãos e ainda menos os que viram conteúdos deles no último ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas voltemos ao tópico. Se os assuntos europeus não são prioridade para os eleitores nem para os media então estamos sobre um vácuo que os políticos podem explorar para distribuir pelas suas quintas aquilo que noutro sistema seria feito a nível europeu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se os membros do Conselho Europeu (Primeiros-ministros e Presidentes dos estados-membro) acabam por não ser responsabilizados pelo eleitorado pelas decisões que tomam a nível europeu, então são lives de boicotar a União Europeia em detrimento de empresas nacionais, reguladores nacionais e todas as restantes instituições por onde se pode distribuir dinheiro às pessoas com que convivem no dia a dia em grandes conferências ou até num qualquer café da nossa capital.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não haverá melhor exemplo deste problema que a questão da defesa. Desde a invasão da Ucrânia que todos os Primeiro-Ministros e Presidentes clamam por unidade europeia e por mais dinheiro gasto em defesa, mas a verdade é que apenas o segundo se concretiza. Nenhum membro do Conselho Europeu é capaz de defender a criação de um verdadeiro Exército Europeu que faça grandes compras de defesa em conjunto e assim baixe os preços por unidade, em vez disso divertem-se a distribuir dinheiro pelas suas pequenas indústrias de defesa nacional em encomendas cujas unidades não ultrapassam sequer os dois digitos na maior parte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Chanceler alemão paga a Rheinmetall, o Presidente francês à Dassault, o Primeiro-Ministro sueco à Saab e o Primeiro-Ministro portugês aos nosso namoriscos com a indústria de defesa do Brasil. Tudo isto enquanto aparecem de mãos dadas a clamar por mais unidade e mais racinoalidade na despesa.<br>Este é apenas um exemplo mas haveriam muitos outros. A realidade é que este sistema não funciona e tem que ser abolido! Um Conselho Europeu que tenha membros com responsabilidade diluida perante o eleitorado e que apresenta tamanha hipócrisia entre o discurso e a ação não é um modelo de governação que mereça continuar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Precisamos de algo novo, de um Conselho Europeu que não se reúna à porta fechada ou faça retiros em palácios porque sim, e que transmita as suas reuniões como qualquer assembleia. Um Conselho Europeu que esteja em igual pé com o Parlamento Europeu, eleito direta e democráticamente e que tenha como seu principal ponto melhorar a vida de todos os europeus sem olhar nenhuns como mais iguais perante os outros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vinte e sete países, uma nação europeia, uma verdadeira democracia europeia, a maior federação que o mundo já viu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Viva a União Europa!</p>
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