O primo Rui também foi a pé à Serra

Ter, 12/09/2017 - 10:25


O “primo Rui” foi à Nossa Senhora da Serra, mas não foi sozinho. Na boleia levou a colega Susana Madureira. Não saímos muito cedo, para o que é normal num romeiro. Devido às férias do nosso “Tio João” e por estar a assegurar o programa, apenas pude fazer-me ao caminho depois das 08h00 da manhã. O dia estava fresco e convidava a uma caminhada calma e tranquila serra acima.

Partimos dos estúdios da rádio Brigantia em direcção ao Santuário de Nossa Senhora da serra, outros foram os tempos em que praticamente todos os dias me fiz ao caminho do outro lado da serra, saía de Martim acompanhado pela Mãe Luísa, ou pelos primos Artur e Ivânia e pelas “manas” Sandra e Sónia, foi assim muitos anos, muitos até o caminho da vida nos fazer seguir em direcções opostas.

Mas voltemos ao caminho. Estávamos a bom ritmo e, para aquecer, fizemos a subida das Cantarias com fé, um pouco mais à frente encontrámos a recta de Rebordãos, confesso que a pé mete mais medo do que ao volante e até parece maior. Já agora deixo aqui um alerta aos condutores, principalmente aos que não reduzem a velocidade quando veem os peregrinos, já dizia o povo, “cuidados e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém”.

Estávamos próximos de abraçar o “Pingão”, assim chamam à subida que assusta até os mais preparados. Ao passar em Rebordãos ainda estiquei a mão a uma pêra que se atravessou no caminho, foi a força que precisava para vencer a última etapa, uma ou duas que a Susana também queria.

Não encontrámos muita gente na subida, mas sim alguns já a descer a Serra, bem mais descansados do que nós. Por este trilho o chão de terra guardava as marcas das rodas de bicicleta, das sapatilhas e até dos pés descalços das promessas por cumprir, que se misturavam com o cheiro a giesta.  É a fé que se mistura com a vontade de superar muitas vezes o impossível.

A força da fé e a vontade de chegar deram o impulso final até ao topo da Serra da Nogueira, senti a paz ao chegar, logo que os meus olhos viram aquela imagem que me fez voltar à infância, era bem mais fácil subir por Martim, mas o desafio por aqui é maior.

Esta promessa ainda não estava cumprida, faltava a visita a igreja da Senhora de Serra, que cumprimos com muita devoção.

Dois dias depois, com a mesma fé e a mesma força, subi de novo a Serra com o amigo Aníbal, desta vez já não foi para cumprir promessa, mas para o acompanhar nesta sua peregrinação.

Pelo Pingão, por Martim, pela estrada nacional ou pelos inúmeros caminhos que levam à Senhora da Serra, são milhares os que ano após ano fazem o caminho, por devoção ou por promessa.