Mês de maio, mês das flores, mês de Maria, mês dos amores

Qua, 03/05/2017 - 10:15


Olá familiazinha! Já estamos no mês de Maio. Desde que faço o programa Bom Dia Tio João, (e já lá vão quase 28 anos), há sempre o medo na nossa gente ligada à agricultura, de que depois do Verão antecipado que já tivemos, com temperaturas máximas a rondar os 25/30 graus, nesta altura de fins de Abril e princípios de Maio, venha a “negra”. E este ano veio mesmo! Nas madrugadas de 27 e 28 de Abril. Digo eu muitas vezes que “ser agricultor é a maneira de empobrecer alegremente”. Já muitos foram os tios e tias o desabafar comigo na rádio que a geada lhes queimou vinho, batatas e frutas.

Desta vez os concelhos mais fustigados pela geada foram os de Valpaços, Chaves e Montalegre. Embora aqui, no concelho de Bragança, segundo nos contou o nosso tio Pinela, de Sacoias, 60 % da produção também teria sido afectada. Só nos resta esperar que melhores anos venham.

Este também é o mês em que eu e muitos como eu, podemos cantar! E como não podia deixar de ser neste mês, dia 8 de Maio celebra-se o Dia Internacional do Burro. É também o mês das flores, porque é nesta altura que elas florescem.

Neste número vou falar-vos das tradições do dia 1 de Maio, “as maias”. Está a decorrer também a Feira das Cantarinhas em Bragança. Que Deus fale na alma da nossa tia Cândida, de Pinela, que era uma artesã das cantarinhas tradicionais.

 

 

Na noite de 30 de Abril para 1 de Maio, algumas localidades, especialmente de Mirandela e Valpaços, colocam à porta ou janelas de casa ramalhetes de giestas amarelas, também conhecidas por maias por florirem em Maio. Essa tradição dizem que é para não entrar a fome e lembrarem o tempo da fuga de Jesus para o Egipto. Noutras terras colocam maias no ferrolho da porta para serem protegidos das doenças e dos espíritos maus. Em torno de Maio há muitos outros costumes de diferentes tradições.

Nalgumas terras alega-se que esta tradição remonta ao tempo de Jesus, aquando da sua fuga para o Egipto devida à perseguição de Herodes que ordenara a procura e morte do menino Jesus. Segundo a lenda, tendo sido identificada a casa onde a sagrada família pernoitava, um denunciane teria colocado um ramo de giesta na porta daquela casa para que os soldados de Herodes, depois de avisados, pudessem identificar a casa e levá-lo. Por milagre, quando os soldados se dirigiram à cidade depararam com todas as portas enfeitadas com ramos de giesta florida. Assim os soldados não puderam cumprir a ordem do mal contra o bem. Noutras terras as maias recordam o caminho da sagrada família para o Egipto: Maria, para se poder orientar no regresso terá colocado giestas no seu caminho.

As celebrações em honra de Flora, a deusa das flores e da juventude (mãe da Primavera), iniciavam o novo ano agrícola e atingiam, na Roma antiga, o seu clímax nos três primeiros dias de Maio. A Igreja católica declarou Maio como o mês de Maria, a mãe e rainha. Dos 54 países que celebram o Dia da Mãe, 36 festejam-no em Maio. Chamam a Maio o mês dos burros porque em Maio as burras costumam “engravidar” e, como andam 12 meses grávidas, os burrinhos nascem também em Maio

Na região de Bragança as maias surgem associadas às castanhas, como atesta o provérbio “Quem não come castanhas no 1.º de Maio, monta-o o burro”. Segundo a tradição, Maio é o mês dos burros e o ritual tem como objectivo esconjurar os maus espíritos (o «Maio», o «Carrapato» ou o «Burro»). Por outro lado, “burro”, é também o nome que se dá em certas localidades de Trás-os-Montes a uma espécie de aranha, popularmente designada por “aranhola”, bichinho que ataca as palheiras. Por isso se dizia, no concelho de Bragança, que se deviam colocar as “maias” – neste caso simbolizadas não por flores, mas por castanhas – nos currais e nos celeiros.