Já temos mais um entrudo em cima… O nosso e outros Carnavais!...

Qua, 01/03/2017 - 11:03


Olá familiazinha! Quando eu era criança também brincava ao Carnaval, apesar de nunca ter sido muito de me mascarar. De bisnaga cheia de água em punho e farinha na outra mão, lá ia eu à procura das raparigas para as enfarinhar porque, “no Carnaval ninguém leva a mal!”. Antigamente havia muitos pais que não deixavam as filhas sair neste dias para não serem enfarinhadas. Também recordo as famosas matinés de bailes infantis do Clube de Bragança, onde estive presente alguns anos.
Agora o Carnaval é mais organizado. A nossa cidade fez um grande desfile com a presença das escolas e de algumas instituições de Bragança. Nesta quadra também há várias localidades que festejam o Carnaval com desfile de carros alegóricos, como é o caso de Coelhoso que, no Domingo Gordo, faz o Funeral do Pai Fartura, bem como o célebre Entrudo Chocalheiro em Podence.
Este ano um grupo de amigos da Família do Tio João, resolveu organizar, pela primeira vez, um almoço de Carnaval com tarde dançante, visto que todos os anos, nesta data, se realizava a viagem de Carnaval da Família. O almoço típico de Domingo Gordo realizou-se no pavilhão multiusos de Caravela (terra da tia Leninha, senhora minha esposa) e contou com a presença de mais de uma centena e meia de comensais/foliões, que saborearam um repasto composto de moelas, coxinhas e asinhas de frango, alheiras e chouriças, feijoada lombardesa, carnes de porco assadas, acompanhadas de arroz e salada. Várias sobremesas, onde não faltaram as filhós, típicas do domingo filhoeiro, café e digestivo. Durante a tarde houve também baile com o organista e acordeonista Francisco Cubo, onde houve um prémio para o melhor mascarado, que foi o tia Yolanda Fernandes, filha da nossa tia Afonsa.
Aproveitamos para apresentar as nossas condolências à família enlutada de José Zoio, que morreu tragicamente em Salsas, e à nosso tia Guidinha pela perda da sua centenária mãe, que há dois meses tinha sido motivo da nossa página.
Neste número vamos saber como se festeja o Carnaval em Colónia (Alemanha) através da crónica do nosso ouvinte, emigrante nessa cidade, Jorge Rodrigues.

CARNAVAL EM COLÓNIA
(ALEMANHA)

Três, dois, um!
São dez horas da manhã. O som das fanfarras, vindas de um torreão, eleva-se num céu cinzento que paira sobre a cidade. É o sinal esperado por toda a gente, dando assim início à marcha do Carnaval mais emblemático nesta cidade alemã.
Milhares de vozes gritam euforicamente (algumas já tocadas pelo álcool): “kamelle, kamelle, strüßer” logo que o primeiro grupo passa o pórtico de uma antiga porta romana da cidade de Colónia.
O cortejo carnavalesco, de 8 quilómetros de comprimento, composto de 10 mil figurantes, inicia a marcha de 12 quilómetros através de algumas ruas da cidade, sendo visto do princípio ao fim, ao longo de todo o percurso, por 1 milhão e 400 mil pessoas.
Dois canais televisivos (ARD e WDR) transmitem, nesse dia, dez horas de programação em directo sobre a passagem de tão célebre cortejo carnavalesco.
É sempre assim desde que, a partir do ano de 1824, em Colonia Claudia Ara Agrippinensium (nome romano latino da cidade), se realizou o primeiro desfile, sendo só interrompido nos períodos da 1.ª e 2.ª guerras mundiais. Mais recentemente, durante a guerra do Golfo, a marcha teve lugar sempre numa segunda-feira (rosen Montag) em solidariedade com as pessoas envolvidas.
Milhares de figurantes (450 a cavalo), desfilam perante um público eufórico, que ao som das bandas de música (cerca de 420) vão dançando, animando assim ainda mais a passagem dos foliões.
A atracção principal é, sem dúvida, a chegada do príncipe do carnaval, que por sinal é o último carro alegórico a passar em tão grande desfile, tanto que quando os primeiros chegam ao fim, ainda há grupos à espera pare dar entrada no desfile.
Toneladas de rebuçados, caramelos, chocolates, flores, etc. são lançados pelos figurantes durante todo o percurso, gerando assim uma grande algazarra entre o público presente.
Centenas de polícias sem o chapéu regulamentar da farda, dado que é o principal objecto da cobiça dos foliões, vigiam atentamente o desenrolar dos acontecimentos.
De salientar a curiosidade que o Carnaval de Colónia tem sempre início no dia 11 de Novembro, às 11 horas, 11 minutos e 11 segundos, com a proclamação das três figuras mais importantes do evento, o príncipe do Carnaval, o príncipe dos lavradores e a virgem do Carnaval (que por sinal é sempre um homem!). Os festejos prolongam-se até Quarta Feira de Cinzas, quando as ornamentações usadas são simbolicamente queimadas em frente à câmara municipal da cidade.
Enquanto decorre o evento, milhares de pessoas aderem, todos os dias, às várias sessões organizadas pelas diversas associações, estando entre eles muitos compatriotas nossos, integrados nas várias colectividades existentes, participando da folia com toda a intensidade.
Muito haveria ainda por falar sobre este Carnaval que é o maior da Alemanha e um dos maiores do mundo mas termino, despedindo-me com o tradicional grito que mais se ouve nesta cidade alemã: “kölle allaf, kölle allaf, kölle allaf”.

Jorge Rodrigues