“Bom Dia Tio João”, há 28 anos no seu coração

Ter, 31/10/2017 - 10:26


Olá familiazinha!
Quando comecei a dizer “bom dia, familiazinha”, ninguém dava duas c’roas por nós. Passados que são 28 anos, continuamos no coração do nosso povo, que nos ouve diariamente.
No dia do aniversário da nossa família, dia 29 de Outubro, estivemos em directo na 3.ª Feira da Castanha e dos Produtos da Terra de Avelanoso, Vimioso, com um “Domingão” especial das 6 às 10 horas da manhã, e a participação e as “prendas” radiofónicas da nossa família, que incluem cantigas, versos, música e muito miminho da manhã dos nossos mais-que-tudo, os melhores ouvintes do mundo.
Gostei muito de voltar a Avelanoso, aldeia que já conheço há mais de 25 anos, porque um grande elemento da família, natural desta localidade, é a tia professora Isabel Campos.
Já falámos das alegrias, vamos agora falar das tristezas. No dia 25 faleceu o tio Manuel Maria Lopes, de Salsas (Bragança), aos 92 anos de idade. Há muitos anos que já não participava em directo no programa, mas ficou conhecido mundialmente na família porque acertou na data do fim da guerra do Golfo, num concurso que fiz na altura para ver quem adivinhava o dia do fim do conflito. O tio Manuel, no início de 1991 disse que sonhou que a guerra acabaria no dia 28 de Fevereiro de 1991, o que viria a ser verdade, pois neste dia, às 6 horas da manhã, quando iniciava o programa, foi decretado o fim da guerra. Por este motivo, o tio Manuel sugeriu que se fizesse uma grande peregrinação à N.ª Sr.ª do Aviso, em Serapicos (Bragança), pois foi ela que o avisou. Agora que tantos anjos o acompanhem como milhares de pessoas participaram nessa peregrinação. Os sentimentos à família enlutada.
Hoje vai ter uma operação delicada ao seu grande coração o intitulado na família “presidente do amor e da amizade”, o nosso Fernandinho Moita, o da expressão “és tão linda ó minha aldeia” (Felgar – Torre de Moncorvo). A família está a rezar a todos os santinhos para que iluminem as mãos dos médicos.

 

Eu tive um sonho.
Sonhei que um dia a amizade não teria fronteiras, não teria idades... que o mundo seria todo uno, despojado de maldade, que o humilde humano e o seu amor seriam capazes de abraçar o universo numa contagiosa doença incurável.
A emoção era tal que o meu consciente não conseguiu suportar. Estremeci... Acordei... e todo o meu sonho me pareceu fantasticamente irrealizável.
Quatro horas da madrugada. Não mais consegui adormecer. Deambulando pela casa esperava irrequieto, impaciente e ansioso que a hora chegasse. Os segundos eram horas e as horas meses... Mas o meu consolo era que, tal como eu, outros esperavam, não menos irrequietos, não menos impacientes, não menos ansiosos que a hora se aproximasse e que eu entrasse em suas casas, nos locais mais íntimos, mesmo sem pedir licença.
Saí de casa. Passeava indefinidamente pela cidade deserta, como que num acto de inspiração psicológica!!
Parei. Tinha chegado. Abri a porta. Eram seis horas da “matina”. Liguei o microfone e gritei: “BOM DIA FAMILIAZINHA”.
Foi então que senti uma enorme inenarrável e inexplicável satisfação.
Foi então que percebi!
Tinha criado uma família! Sim, uma família autêntica com tias, tios, primas e primos. Uma família que sofre com quem sofre, que chora com quem chora, que ri com quem ri; que a Deus agradece a cada manhã por nos ter deixado acordar vivos, por nos dar o dom da vida um dia mais.
E foi assim que, durante 28 anos, tal como no meu sonho, a amizade não teve barreiras. Piquenicões, excursões, festas e convívios não mais tiveram fim.
Sim, é difícil viver, mas é muito bom conviver.
Percebi, então que eu era a alegria de tantos e tantos velhinhos, que eu lhes quebrava a solidão, que eles reflectiam em mim a imagem dos filhos emigrantes, dos filhos ausentes. E é por isso que muitas vezes, mesmo indisposto ou até doente, eu NICOLAU me desdobro em eu TIO JOÃO lutando incessantemente em prol da amizade, da união e do amor. É incrível, mas é verdade. Eu vejo-me sair de mim próprio todas as manhãs e surpreendo-me.
Faço tudo para fazer os outros felizes porque o mais feliz dos felizes é o que faz os outros felizes. Por vezes exagero, mas mais vale cair em graça que ser engraçado.
Sabem que mais? Haja saúde, coza o forno... o pão seja nosso... e a poia também...
Eis o que me ensinou a voz do povo que o vento leva!