Honrar a democracia

Ter, 12/09/2017 - 10:21


Tempos estranhos são os que vivemos. Os sistemas democráticos parecem destinados a segregar venenos que podem matá-los em breve, quando esperávamos que o mundo estivesse à beira de fazer a festa da liberdade, da fraternidade, da igualdade de todas as diferenças, mas também da solidariedade, porque o que vier a acontecer dirá respeito a todos.

As novidades de cada dia provocam calafrios que nos deixam zonzos, com vontade de voltar à tranquilidade resignada, quando as democracias eram piedosos desejos de que a realidade não se compadecia.

Respiremos fundo, então. É preciso olhar o horizonte para além das nuvens carregadas do momento, mesmo que a tragédia doa. Há que continuar o caminho, porque a humanidade será uma construção infinda, enquanto houver planeta e universo.

Tentando contribuir, à nossa medida, para a consolidação democrática, desenvolvemos nos últimos meses um trabalho importante para que os cidadãos do distrito de Bragança possam decidir, no próximo dia 1 de Outubro, suportados em informação descomprometida, que procurou lançar alguma luz sobre as análises realizadas e as propostas apresentadas para os próximos quatro anos, por 24 candidaturas dos 12 concelhos.

Não foi o ideal, certamente. Haveria outras candidaturas meritórias que não couberam no espaço e no tempo de que dispunhamos. Seja como for, estamos convencidos que os que poderão vir a liderar os municípios tiveram oportunidade de chegar aos leitores do Nordeste e aos ouvintes da Rádio Brigantia, em entrevistas onde procurámos tratar questões importantes, sem fazermos o papel ridículo de transmissores da propaganda.

Assim demos o nosso contributo para honrar a democracia, prestando um serviço que cabe aos órgãos de comunicação social que ostentam tal condição sem receio de que lhe apontem dedos acusadores por falta de dignidade.

Não deixámos, no entanto, de dar atenção a movimentos e dinâmicas em diversos concelhos, trazendo à praça pública outras perspectivas, que poderão revelar-se marcantes no futuro da região, ou não.

Estamos também a tentar a realização de um debate com os candidatos à capital de distrito, no próximo dia 20, respondendo a solicitações de candidaturas e de cidadãos, na mira de tratar questões que ficaram de fora nos debates transmitidos em duas estações de televisão. Assim o queiram os candidatos.

Começada a campanha oficial, procuraremos cumprir o que está estabelecido por lei, mesmo se reconhecemos que o tratamento pretensamente igualitário pode transformar-se em informação pouco substantiva. A equidade não é produto de aritméticas, mas resulta do bom senso e da honestidade de quem trabalha a informação.

Em Outubro os leitores poderão contar connosco para acompanhar os novos mandatos com a necessária atenção crítica de um jornal que assume ter uma função nobre a cumprir na construção da democracia, aqui e no mundo, que não queremos ver tornar-se o reino da ignorância, da sordidez e do aviltamento da condição humana.

 

Teófilo Vaz